[ A Esfinge ]
(decifra-me ou devoro-te)
Revesti-me de pele e aço. Por ser frágil e eloqüente. Em cada pedaço de pensamento desenhado e materializado pela mente cresce a vontade de me manter sã e protegida. Longe das mãos dos fantasmas expurgados. Longe da busca incessante daqueles cujo desejo é dominar o meu destino.
Decifrar-me é o mesmo que me destruir. Não importa os riscos os quais eu enfrento. Não importa se me distancio das pessoas queridas. Não importa também os enigmas que proponho. Eu sempre escolho com cuidado calculado qual será o primeiro e o mais adequado ao caso.
Sou uma mulher. Imponente. Firme. Sensível. Mesmo com as minhas cicatrizes expostas. Adoço a minha feminilidade através de suaves mordidas na fruta do pecado. Graças as minhas asas, eu ganho rápido velocidade e liberdade pelos céus. Faço longos passeios noturnos. Beijo estrelas. Persigo as cadentes e os cometas. E como alguns pássaros, vôo para o norte no inverno. As garras nas patas servem para lembrar-me o quanto sou poderosa. Uma leoa. Com meu forte instinto de luta e de preservação. Pertence exclusivamente a mim o direito de governar o meu universo particular.
Espanto e apavoro os inimigos. Grito na beirada do abismo, e espero que os ecos os atordoem e os assustem. Recolho os meus disfarces. E continuo na espreita, só observando os próximos movimentos.
Mas não me exalto. Permaneço calma. Clara. Altiva. Desarmada. Profetizo-me assim até o dia da última chave: a morte. E reservo um prazer especial ao possuir as vítimas que estraçalho. Dependuro as víceras de cada uma delas no varal das emoções adivinhadas. Então a minha alma se torna ainda mais cravejada de novos sabores e de novas descobertas.
Esfinge: Monstro fabuloso, leão alado com cabeça e busto humanos, que matava os viajantes quando não decifravam o enigma que ele lhes propunha. Na arte egípcia, estatua de leão deitada com cabeça de homem, de carneiro ou ave de rapina, e que representa uma divindade. Fig: Pessoa calada, misteriosa, enigmática. Certa borboleta noturna.
Ganhei um lindo presente.
Musa
Louca segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
[ Bochechinha Amarela ] sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004 [ Questão ] [ Chocada ] quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004 [ Fabricar Tristeza ]
ai. que porre. quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004 terça-feira, 10 de fevereiro de 2004 [ Fluoxetina-me ] segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004 Enquanto o futuro se aproxima, eu continuo fazendo
experiências com as matérias e os sentimentos que se encontram a minha
mão. A minha mercê. Amasso com força a massa do pão. O difícil é esperar todo
aquele tempo. Até que ela cresça. Floresça. E crie vários formatos inusitados.
Isso só me lembra de quem me deu a receita. Abre-se um sorriso de lado a lado do rosto.
Apago a luz do quarto. Coloco o som nas alturas. Continuo a mover as minhas
mãos pelo espaço ilusório que nos separa. Ainda sinto aquele perfume. O que
você pingou no pescoço antes de sair para outras bandas em busca de magia.
Escuto com imenso prazer todos os cds que gravei de ti. Sou sua escrava da
alma. Sempre padeço da troca de sons, textos e poesias com você. Porque sem você, eu não sou
nada. Quando irei cansar de te dizer isso? Nunca. Nunca é a resposta. Os nossos
sons alimentam minha alma atolada de farinha de trigo e carinho. Brinco com
todo o nosso passado. Aquele que me contou durante a curta madrugada de sexta
para sábado. Aquela que rimos como se nos conhecêssemos e tivéssemos uma
amizade de anos. As horas passaram e nem percebemos o que acontecia. Vi o
amanhecer do dia dando risadas. Trocando figurinhas. E achando que sou tão
vampira-coruja quanto os outros componentes do trio. sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004 [ Conflitos Entre O que Sinto e O que Penso ]
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004 Estou caindo fora. Deixe-me em paz. Não leia mais. Só noto o meu próprio umbigo. Vá
tomar conta da sua vida que eu farei o mesmo. Com um prazer incrível. (Aos
panaquismos, pequenismos, idiotismos e coisas do tipo mini). "Vivesse Hilda Hilst num país civilizado, a história
seria diferente. quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004 [ No Escuro do Tempo ] terça-feira, 3 de fevereiro de 2004 Aos meus momentos reflexivos dessas últimas semanas... segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004 [ Dia 02 de Fevereiro, Dia de Festa no Mar ] sexta-feira, 30 de janeiro de 2004 Vestia-se toda manhã com sua insegurança e saia por aí, a
fazer geometrias em fins de tarde, com medo de virar vulto e transbordar-se
para o esquecimento. Por isso, quando estava dispersa, sem seus cálculos, ela
vivia a degolar pessoas à la Vieira, sabendo o maior poder do estado é (além da
peste, da guerra e da fome) a inquisição. Com isso ia vivendo em seus
precipícios, como se toda a vida fosse um domingo, domingo sem fim nem começo
dentro da sua ira ciumenta, labor desgraçado. Em suma, mal-amada. quinta-feira, 29 de janeiro de 2004 [ So Kiss Me ] quarta-feira, 28 de janeiro de 2004 [ Egos II ] terça-feira, 27 de janeiro de 2004 "I want to know segunda-feira, 26 de janeiro de 2004 [ Cansei de Ser E-Moderna ] sábado, 24 de janeiro de 2004 [ Alone ] sexta-feira, 23 de janeiro de 2004 [ A Música em Mim ] quinta-feira, 22 de janeiro de 2004 [ Há Flores Em Tudo Que Eu Vejo ]

Musa
Louca
01:16:54. Vai
me condenar? [25]
Será que só ferindo os lobos dispersarei o pastor?
Musa
Louca
14:32:28. Vai
me condenar? [15]
Eu gostaria de saber quem desvendou
isto.
Como se diz por aí: "Nada se cria, tudo se copia".
[ Isso Acontece em Todos os Lugares ]
E, claro, ocorreu comigo:
Eu encontrei nesse blog, uma publicação não autorizada de um dos meus poemas. Além de estar sem os devidos créditos. E também a imagem que eu utilizo quando cito uma música.
Não estou esperneando, apenas aproveitando o ensejo.
[ Prometo ]
Prometo pensar no vento apenas como um elemento essencial para a natureza. Para mim, acabou a nossa ligação.
Musa
Louca
11:06:22. Vai
me condenar? [20]
E o que fazer em dias como estes, quando se é atropelada, varrida, ofendida por constante pressão interna e externa? Nada. Atrás de você apenas há árvores secas e micos atravessando a estrada. Tem instantes em que tudo, o mundo inteiro, parece calar-se enquanto você passa também em silêncio, a alma partida em milhares de cacos pontiagudos, você lutando com seus humores e virando o rosto para qualquer pessoa que porventura cruze o seu caminho.
Caminhei para a portaria, com o olhar baixo, evitando cruzar com os dois outros passantes. Meu destino não era esse – havia algum? Não entendi o que estava fazendo, mas a necessidade de andar, andar, andar, é imperiosa, ao mesmo tempo em que morrer, ou pelo menos adormecer com os cães, também tem a sua força nesse cabo-de-guerra. Todos são antipáticos, até os que me tratam com delicadeza.
E a dor vazia e funda instalou-se com muita energia. Eu estou caminhando sob o sol, sabendo-me triste. Não gosto quando paro de andar. Quero ir embora, quero permanecer andando. Quero que alguém venha me salvar.
Creio que álcool, hoje à noite, não servirá para aplacar o incômodo. Tenho a certeza de que nada, a não ser um gesto grandiloqüente – o qual eu não faço a menor intenção de engendrar - , adiantaria.
Posso dizer que me sinto só. Posso dizer que nenhuma companhia será bem-vinda, mas ao mesmo tempo anseio por companhia. Em um segundo desejo e no outro descarto. Hoje estou miseravelmente traída, abandonada, enxovalhada, infecunda – por mim mesmo, na minha auto-avaliação. Um terror. Ou mato-me. Ou destruo meu coração.
Outro daqueles horrorosos debates teve inicio, e o que é pior, perdi a parada para mim mesma. Um carrossel, alguns cavalinhos e em cada um deles uma criança sorrindo e pedindo atenção: olha eu aqui! Acenando e gritando...Cada uma trazia no peito um nome feio: Ódio, Dor, Solidão, Assombro, Cansaço, Histeria, Confusão, Lamento – pequenos cadáveres insepultos sob a fornalha que se tornou meu coração, fornalha esta que foi apagada por um rio de águas escuras e pesadas.
Seria bom viver de fabricar tristeza, de fingir tristeza, de brincar de tristeza. Seria bom e fácil, e com toda certeza conveniente.
Musa
Louca
15:14:18. Vai
me condenar? [20]
hoje eu tô cansada dessa gente que não vive e nem fode.
só faz encher o saco.
Musa
Louca
13:56:50. Vai
me condenar? [5]
Eu sou essa música
que ouves em surdina
nas máquinas do tempo.
Eu sou esse perfume
finado, mas vivo
que o vento trouxe
para reanimar a tua memória.
Sou a beleza sonhada
da nossa história
que não foi vivenciada
pelos nossos sentidos.
Eu sou essa alma sozinha
que baila no vento
à espera de abraços...
Sou música em surdina,
sou perfume e beleza no espaço,
sou teu sonho mais lindo de outrora
que agora te chama
em forma de rima...
Vem comigo, o sonho recordar
e se a música te anima,
o vento te ensina:
- Aprende a amar!
Musa
Louca
09:41:03. Vai
me condenar? [33]
Faz quase dois meses que eu não tenho notícias suas... Então, hoje, ao escutar
uma música, me lembrei de você. Do seu sorriso. Do seu olhar. E de como eu
amava ficar ao seu lado no Forte de Mont Serrat, cantando contigo enquanto você
tocava violão. Tocava os meus ombros.
Tocava o meu rosto com o seu.
Deve ser o possível uso de novas drogas que andam me causando essas lembranças.
Essa angústia no peito. Fluoxetina-me. Até eu apagar de vez todos os momentos
felizes e tristes com você.
De volta as portas do inferno, eu as olho como se não as enxergasse. Fazia
tempo que eu não ficava triste desse jeito. Que não vasculhava por um sinal
seu. Que não sentia vontade de escutar sua voz.
Tenho medo. Muito medo. Medo de não conseguir te esquecer. E nem tirar você
daqui de dentro.
Devo confessar: gostaria que você nunca tivesse existido na minha vida.
Ego
Tripping at The Gates of The Hell – Flaming Lips
[ Importante ]
Eu não posso FALTAR.
Você não pode deixar de ASSISTIR.
Musa
Louca
12:44:30. Vai
me condenar? [33]
Ainda sonho com você me perguntando quando eu devo ir a São
Paulo. A sua insistência sempre foi o meu vício. E eu nunca imaginei que a
gente fosse envelhecer. Que você pudesse encontrar um outro alguém para ouvir
Suede agarrada contigo no sofá vermelho. Nunca imaginei outra pessoa que
pudesse me substituir quando você chamasse para dormir. Será sempre
assim? Você aparece e eu tremo por dentro? Nem sabia que continuava me rondando
e o quanto tinha se tornado cínico. Os seus charutos continuam na caixa,
esperando por músicas ou uma carta. Endereçada a mim: uma moça de família e uma
moça que ainda é importante na sua vida. Uma fã ainda, talvez.
Mas, o mais importante, é você estar comigo. Alimentando ainda mais o nosso
amor. Envolvendo o meu corpo com seus braços e os seus cabelos. Conversando e
brincando enquanto cada track termina. A única melodia no quarto que sobressai aos meus ouvidos é a nossa troca de juras e suspiros.

As aulas comunicativas e espirituosas começam hoje. Para
uns, eu tenho certeza disso. Para mim, ahn, não sei. Depois desse final de
semana cheio de surpresas, talvez quem se surpreenda seja Oh e Doris com a
minha presença na primeira semana do ano letivo. Um caso inusitado. Já que eu
só apareço dias depois... Risos.
Placebo and David Bowie - Without You, I'm Nothing.
Placebo - Johnny & Mary.
Musa
Louca
12:43:18. Vai
me condenar? [22]
Estou chegando aí.
Não venha.
Como?
Eu não te quero aqui, vou ficar vazia, sozinha de costas
viradas.
Mas eu não consigo mais.
Nem eu.
O que faremos?
Me deixe ir. Senão eu viro as costas.
Somos dois fudidos (fundidos?).
Somos, mas nunca ninguém sorriu tão lindo enquanto cantava
pra mim no telefone.
Isso dará certo?
A Maria diz que sim, a Alice está quieta, o Paulo acha que não,
você sabe como eles são.
Sim, macarrão, xinxim e caipirinha.
Eu não te amo hoje.
Que pena, eu te amo desde ontem.
[ Saudade do Cão ]
Musa
Louca
11:55:24. Vai
me condenar? [38]
Então, eu não quero nem saber, vai-se-foder, você aí pequeno, sentado em sua miséria egoistificada. Na
tua casa. Na tua bunda. A tua vadia estadia em minha vida deve ser despachada.
Amaldiçoada. Sacrificada. Toda a merda mal lavada, à tudo que vai pra debaixo
do tapete, eu repito; meu leite não amamenta boiada nem comboios de
gente-mesma-pessoa. Gente que não faz nada pra mudar a rotina ordinária do
ônibus e da história. Gente de merreca, sem vida, sem atividade, sem persona,
sem paixão. Gente que copia, se esfrega em suas palavras e concorda com tudo
dito. Todos esses pra mim vão - dar a bunda na lama. Moer a língua. Dar o
cu na neve. Ou qualquer coisa que se assemelhe a sujeira e que cause dor. Muita
dor.
A dor é doce. A porra é doce também. Basta saber provar. Doce de sal. Do doce e
do amargo. Prove. Engula. E se puder, se houver forças suficiente, se houver
grandeza – não vomite. E viva bem.
Salve-se quem puder! É feliz - o segundo, o minuto que vem ou o próximo dia.
Ingredientes:
- Doce de sal (poema; Paulo Leminski);
- O doce e o amargo (música; secos e molhados).
Não há preparo. Apenas feeling de saber o que misturar.
Musa
Louca
12:54:03. Vai
me condenar? [27]
Os olhos dela são iluminados.
O rosto é iluminado.
Mãos delicadas, ela desenha no ar gestos brancos, desse branco que não há mais.
Hilda Hilst é uma mulher.
Uma mulher que se observa no espelho do quarto, nota as cicatrizes e sorri.
Chega um tempo em que a ordem é sorrir."
Morre uma das minhas escritoras favoritas: Hilda Hilst; enterro será às 16h em Campinas.
"Fosse hoje, com os cientistas buscando novos paradigmas, eu não passaria por louca" - Hilda Hilst.
Musa
Louca
11:58:17. Vai
me condenar? [4]
Apago a luz do quarto. Aquele breu me domina. Não é que eu tenha medo do
escuro, mas quando formas, cores e contornos desaparecem eu me sinto misturada
a esse tudo negro. A esse nada. Como se derretesse e me perdesse no escuro que
olho e não vejo. Esqueço das estrelas coladas nas paredes.
Ouço sons ao longe, outras vozes, outras vidas que não a minha. Como eu
gostaria que. Ouço minha própria respiração, acho que sinto as batidas do
coração quase saírem pela boca, soluços assustados pela proximidade desse
mergulho no buraco negro. Olhos vidrados, como uma louca, nem pisco, nem penso,
apenas escuto aquele cão que late e aquela velha risada que às vezes me acorda.
Não durmo.
Como eu gostaria que fosse possível congelar esse momento, me sentir suspensa
nesse agora, tudo pára, o mundo pára, você pára, o tempo pára para eu poder
seguir assim, sorrindo.
É que estou feliz, sabe, quando tudo parece ser apenas figuração: as pessoas
pegam o ônibus, as meninas entregam panfletos na sinaleira, as crianças gritam
gol, o coelho sai da toca para os meus braços, o Beto me surpreende de
madrugada, mas nada, na verdade, é real, tudo faz parte dessa grande encenação
na qual o holofote recai em mim. Simplesmente não quero que o filme acabe. Não
quero que as coisas mudem, quero respirar esse mesmo ar, não quero apagar a
luz, talvez meu momento se perca. Concentro.
Mas o dia termina e somos forçados a essa nossa rotineira hibernação, esse
desperdício consentido, essa entrega ao abandono, nossa perda diária de lucidez
enquanto dormimos e vivemos sonhos impossíveis que nunca acabam porque sempre
interrompidos por esse alarme e pelo cheiro de café que invade as frestas da
minha janela. Não durmo.
Resisto a esse exílio noturno. Quero estar viva, ficar alerta, olhos bem
abertos, todas as cores ali. Tudo.
Não quero que minhas pequenas dores acordem, faça silêncio, respeite essa minha
vontade. Descanse.
Eu fico atenta, zelando por esses nossos preciosos minutos. Segundos. Eu quero
todos.
[ Aniversariante do Dia ]
É maravilhoso acessar o seu blog nesse dia tão especial.
É maravilhoso poder conhecer mais um pouquinho de uma pessoa doce e amiga. Uma
mulher apaixonante cheia de borboletas no estômago, de magia em torno do corpo
e poesia na alma.
É maravilhoso ter a certeza de que há pessoas fantásticas
como você habitando o planeta.
É maravilhoso poder te escrever e-inteiros e comentários.
Mas, com certeza, é melhor ainda te ler.
É maravilhoso acreditar que a nossa amizade só tende a
crescer e se fortificar.
E é maravilhoso desejar toda a felicidade e o amor do mundo
para uma pessoa que novamente verá o mar.
Parabéns Paty!
[ Recado Direcionado ]
Obrigada pelo post-poesia. Mais outra surpresa! ;o)
Musa
Louca
12:24:37. Vai
me condenar? [19]
[ Um dia Sozinha ]
Será que é querer demais
Que todos os dias sejam assim
Como aqueles em que você, perto de mim,
Mostrou-me um mundo diferente,
Em que eu não desejava mais
Nunca mais tê-lo ausente?
Viver sem você não é nada
Além um eterno inconveniente
De querer desviar da estrada
Para viver no seu mundo somente.
Não sei se sou inconseqüente,
Mas eu não seria eu, enfim,
Se de mim mesmo eu não quisesse o fim,
Para com você começar novamente.
No Rain – Blind Melon.
Musa
Louca
16:51:54. Vai
me condenar? [22]
Yemanjá, cujo nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe
cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá
estabelecida outrora na região onde passa o rio Yemanjá, e obrigada a emigrar
para o oeste, por causa da guerra entre nações.
Yemanjá teria sido filha de Olokun, deusa do mar. Seu Axé
é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de
porcelana azul. Considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma
matrona , de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.
Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada
Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas
do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, é no
dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada
com Oxun, que se organiza um solene presente para Yemanjá. O que mostra que o
sincretismo não é de uma rigidez absoluta.
A festa do dia 2 de fevereiro, uma das mais populares do
ano, atrai à praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis, que vêm
trazer presentes para a Rainha do Mar. Flores, perfumes e outros presentes
agradáveis à uma mulher bonita, além de pedidos e súplicas, enchem as cestas,
que são levadas por embarcações para alto mar, onde são depositadas sobre as
ondas. Levei três rosas para ela. Uma vermelha (amor). Uma amarela (prosperidade). Uma branca (paz).
E é por isso que todo o dia 2 ao redor da minha
casa vira um inferno. Uma multidão de gente ao redor do meu canto. Carros-trios-elétricos fazendo a maior bagunça. Ou o povo a pé, em busca de diversão nas barracas. Algumas são para vender bebidas e comidas típicas
(durante o dia e noite afora). A cada ano a festa está mais organizada. Shows são
preparados por todo bairro. Tanto para as patricinhas e mauricinhos, como para
os “cults”. Se é que podemos chamar de “cults” quem curte Márcio Mello!
O dia 2 foi um dia especial para mim por um único motivo. O meu pai está aqui.
Veio para uma audiência contra a empresa que ele trabalhava. E passou toda à
noite ao meu lado. Conversamos. Rimos. E dei muitos beijos e abraços nele. Enquanto víamos subir e descer um mar de gente pelas ruas e ladeiras onde moro. Ah,
estou louca para o amanhã chegar. Vê-lo de novo e tentar nadar contra toda a
oceânica saudade que há no meu peito.
”É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô mareia, é água no mar
É água no mar é maré cheia ô mareia ô mareia
Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar
Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar
Era um peito só cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa era só
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas de Iemanjá
E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder
chegar
Adeus amor, adeus meu amor não me espere porque eu já vou me
embora
Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pro veleiro
Adeus meu amor eu não vou mais voltar
Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou
Foi beira-mar ê, foi beira-mar” – Conto de Areia, adoro na voz de Clara Nunes.
Musa
Louca
23:10:56. Vai
me condenar? [15]
Musa
Louca
12:34:42. Vai
me condenar? [31]
Beije-me de madrugada na frente do meu portão. Sob solo enluarado e inundado
também pela claridade do poste ao lado. Estarei quietinha com os olhos
fechados, as mãos geladas e o coração palpitando.
Beije-me e faça a minha alma deste cinza escuro virar arco-íris. O céu estará
coberto por estrelas. O tempo nublado já terá se desfeito em chuva passageira.
Beije-me e meus ouvidos ensurdecerão pela ansiedade do momento. Uma melodia
interna começará a tocar. Será “Kiss Me” da Sixpence? Você tem o poder de
acionar essa banda.
Beije-me e meu corpo se juntará ao teu
e ofuscará tudo ao nosso redor. Não me importa se haverá ou não platéia. Se a
cadela irá latir e acordar a casa inteira.
Beije-me e meu corpo esquecerá o sono e o cansaço.
Beije-me e meus olhos se fecharão e, como numa tela de cinema, enxergarão
Paris. Eu e você na cidade dos apaixonados. Ou num romance entre filmes e
livros já publicados.
Beije-me e minha língua dançará freneticamente ao som da melhor música que
jamais poderia existir: o suspirar de tua respiração. Suave e constante no meu
rosto.
Beije-me e sentirei o gosto de uma receita que nunca satisfaz. E que dará
vontade de experimentar sempre mais e mais.
Beije-me e tremerei. Não será de frio. Os arrepios serão de puro desejo e
expectativa.
Beije-me e já sentirei saudades tuas mesmo antes de me despedir. Eu o acolherei
num abraço eterno. Manterei a minha cabeça apoiada no seu ombro mordendo-o
devagar.
Beije-me e deixe-me conhecer o significado exato da palavra carinho. Através do
seu fechar os olhos. Das suas mãos nos meus cabelos. E no seu cuidado ao me
tocar.
Beije-me e eu, que sou tão cética, acreditarei em destino. Em discos voadores.
Em amor igual ao da Bíblia.
Beije-me e a minha boca inflará de felicidade, os meus lábios farão uma curva
como em um fecha parênteses e esquecerei tudo: poderia deixar para trás
emprego, família, cds e desaparecer dentro de tua boca.
Porque tocar tua boca nunca será suficiente. Será plantar uma semente em minha
própria boca. E mergulhar em uma vontade louca de colocar minha vida somente
entre teus dentes.
Então, beije-me...
[ Sobre os Shows ]
Tenho algo muito importante a declarar: EU AMO BANDAS MINEIRAS.
A noite foi sensacional. Cheguei cedo. Dancei naquelas máquinas de dançar (para
variar) para esquentar. Colei uma daquelas tatuagens do Festival no busto. Dei
muitas risadas por estar sendo filmada cantando LSJack. Creia. Eu não minto. Eu
fiquei horrorizada na hora também. Mas desencanei depois. É muito divertido
aprender as músicas por osmose. E soltar a voz num coro com milhares de
pessoas. A maioria não te conhece. Exceto ele. De primeira. Encontrei o
professor de design. Risos. Parado. E com um sorriso no rosto. Ouvi ele
exclamar vindo ao meu encontro: “A garota do único blog que eu visito”. Mas não
pense você que é pelo conteúdo. Ele é apaixonado pelo design clean daqui. Ele
passava todas as aulas entrando e mostrando o visual do Sin To Win. Queria
fazer eu usar a logo do Sin que fiz para sua matéria. No próximo layout, eu
penso se vou ou não utilizá-la. Ele me deu acesso até o camarote principal. Fiquei
só um pouquinho. Muito sem graça ficar naquele espaço confinada.
Também me diverti bastante no show do Jota Quest. Adorei as animações no telão.
E a rave inusitada. Dei meus gritos com as mãos para cima: “Quero um amor
maior... Amor maior que eu....”. Foi quando um dos trechos dessa música me
tocou. Deixou-me meio pra baixo. O importante é que eu jamais poderei dizer:
“não tentei”. Porque eu fui até o fim para saber se era amor mesmo o que eu
sentia. Morri de dor no final. Mas, estou tão bem agora. E com a consciência
super tranquila.
Sim, o momento de grande emoção foi com o Skank. Fui para bem perto do palco. O
Samuel tocou a minha mão. Cantou “Supernova” e “Formato Mínimo”. Cantei junto.
Sabia todas. Mas especial mesmo foi quando começou uma das minhas duas canções
esperadas. Assim que se iniciou “Acima do Sol” começou a chover. A chover
grosso. Nesse momento eu expurguei toda a tristeza e mágoa. Cantei bem alto.
Como se tudo de ruim estivesse indo embora e sendo banhado pela paz. E chorei,
chorei tanto durante as músicas seguidas “Dois Rios” e “Resposta”. Nem me
pergunte o por quê. Deixa quietinho aqui dentro. Ahn, tenho algo a confessar.
Algo muito feio. Não banquei a “pacata cidadã”. O show do Skank foi bem
agitado. Então foi um tal de toma-lá-da-cá, empurrões e murros. Hummm...
Aproveitei bastante e descarreguei um dos meus maiores pecados: a ira. ;o)
Kiss Me - Sixpence None The Ritcher.
Musa
Louca
14:02:26. Vai
me condenar? [23]
Também acordo cedo. Junto os meus papéis na cômoda, coloco-os na pasta de
maneira automática. Nem me dou ao trabalho de lê-los. Verificar as pautas.
Quero sair correndo para receber o ar fresco na cara. Tenho várias idéias na
cabeça. E um coração cheio de sentimentos-coloridos. Busco inspiração no que
está a minha volta. E em textos, principalmente, quando são escritos por almas
que desvendo com sorrisos. Saio de casa cantarolando canções bem baixinho.
Músicas novas. Músicas antigas. Tanto faz. O que importa é o quanto elas
despertam a menina birrenta-sonhadora-romântica . Ela adora dar língua e bom
dia ao rapaz da portaria. Mas, às vezes, ela adormece assim que senta atrás da
sua janela cibernética. Por isso tenho mania de sempre visitar e comprar
despertadores em todas as lojas de 1,99.
Qualquer motivo vira alegria em volta desse meu espírito
triste e encabulado. Ele quer ser feliz, só que prefere ficar trancado. Em uma
linda torre de Paris. É verdade... tenho viajado bastante. Enfrentado montanhas
e planícies, bons e maus tempos, beleza/destruição e riqueza/pobreza nas
paisagens. Trilho vários caminhos quando retorno para casa. Dia-a-dia eu
desenvolvo listas de atividades para não pensar em você. Assim que são
concluídas, as folhas vão caindo ao chão. Jogadas ao relento. Não me preocupo
de limpar. O vento se encarrega de levá-las até você. Para que saiba das minhas
horas e se encante por eu ser tão comum e singular como nenhuma outra que
conhecestes.
Sou tantas. Você não vai acreditar. Depende da melodia que
eu toque no piano. Do cheiro nos meus cabelos. Do brilho no olhar. Ou do quanto
me pinte, e saia para a guerra do cotidiano.
[ Festival de Verão 2004 ]

Hoje:
Eu (com certeza),
Você (não sei),
Todo mundo (Ai ai. Esse oba-oba sem graça) lá.
Musa
Louca
11:17:17. Vai
me condenar? [21]
Have you ever seen the rain?
I want to know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?" – Creedence Clearwater Revival
Essa música não me faz mais chorar. Nem pensar em coisas tristes. Nem lembrar
de sentimentos torpes. É uma música pra cima, pronto. Isso é o que preciso
pensar dela. Comecei a cantarolá-la após chegar no trabalho e ser recebida por
gotinhas de chuva. De uma nuvem passageira, talvez. De uma nuvem brincalhona,
isso é quase certo.
Antigamente eu pensava que o tempo refletia o meu estado de espírito. Eu podia
defini-lo de acordo com o meu humor. Ou com aqueles pensamentos canalizados de
determinadas situações. Várias vezes já me peguei parada olhando para as nuvens
e tentando controlá-las. Elas se mexiam para um lado. Para o outro. E pareciam
parar exatamente onde eu queria. Risos. Meio infantil. Muito infantil. Mas
esses simples momentos tinham o poder de me fazer acreditar que não era uma
mera criatura nesse imenso universo.
E nem bebi.
Malditos anti-alérgicos!
Musa
Louca
14:47:10. Vai
me condenar? [15]
Cansei dessa conversa de casal e-moderno. Dessa conexão via modem. Desse
lenga-lenga em e-mails. Desses comentários em blog. Chega de papo furado,
hipocrisia, máscaras. Sou sua mulher e ponto final. Quer que eu repita? Vem pra
cá, então, vem pra perto, coloque o seu ouvido perto da minha boca. Sou a sua
mulher. Isso, a sua mulher em letras maiúsculas. E bem bem feminina e ardente.
Simples assim. E você, você é o meu homem. Que fique bem
claro isso. Cada um tem o seu papel. E o seu é ficar assim, do jeito que gosto,
que desejo, que me dá tesão. Algo bem primitivo e animal. Não quero nem saber
de machismo, feminismo, sexismo. Você é o meu homem, está entendendo? E é este
o seu dever. Ficar ao meu lado. Envolvendo-me em seus braços. Expondo-me a sua
paixão, o seu amor e o seu dengo. E encarando feio os olhares abusados na minha
direção.
Eu tenho me preparado todos os dias para você. Com unhas
pintadas, pernas depiladas, cabelos bem cuidados. Caminho/corro todas as manhãs
e danço no quarto a partir do anoitecer. Você vai sentir a minha pele macia,
cheirosa, essas coisas.
E eu só peço alguns cuidados seus. Como me ligar quando tiver saudades. Beijos
na boca a toda hora. Colo. Admirar e entender o meu trabalho. Abraços. Criticar
o que eu escrevo. Sorrisos. E seus olhos nos meus enquanto estivermos
conversando. Mordidas. Respeitar os meus sentimentos e ser sincero quanto a sua
vida. É pedir demais? Não me importa o que você acha. Você não tem que achar
nada. Tem é que fazer o que eu mando. Sim, porque não sei se alguém lhe avisou,
mas quem dá as cartas aqui sou eu. Eu. A sua mulher.
E eu digo pra você dançar agora pra mim. Isso. Dance, assim. Encosta o seu quadril no meu. Isso. Rebola. Rebola comigo.
Provoque. Como eu te provoco. Coloca as suas coxas entre as minhas. E as mãos
na minha cintura. Puxe-me para bem perto.
Sussurro o nosso código de amor. E vou deslizando pelo seu corpo... Mordo de
leve o seu peito, ombros e rosto. Como eu adoro brincar com o seu peito. Fixo
os meus olhos nos seus para que você veja como lhe quero. Passo a língua nos
lábios, deixando a boca rosada pronta pro seu beijo. Porque daqui a pouco não
vou resistir.
Quero que me pegue de jeito. Pegue com força. Sem piedade. Sem pena. Sem
pudores. Marque os meus braços com as linhas das suas mãos. Puxe os meus
cabelos.
Enquanto vou despindo você com os dentes. Você é meu e sabe disso. Eu percebo.
E fico mais louca. Adoro o seu-meu corpo, sabia? É. Eu sei que você sabe.
Pronto. Agora é a sua vez. Sou sua mulher, lembra? Sua, apenas sua. Vem fazer o
que quiser comigo. Meu-seu corpo está pronto para obedecer aos seus desejos.
Não seja bomzinho. Vem logo. Afinal de contas, cansei dessa conversa de casal e-moderno.
Musa
Louca
14:06:59. Vai
me condenar? [33]

`cause I know there's little things about me
that would sing in the silence of so much rejection
in every connection I make
I can't find nobody home.
Catapult – C.C.
Se quiser olhar mais...
Musa
Louca
22:13:48. Vai
me condenar? [15]
Não consigo imaginar a vida sem música. Não consigo imaginar minha vida sem
música. A música faz parte de mim, é como que um sexto sentido. Difícil
explicar com palavras. Algo que me completa e me satisfaz. Alimenta meus
sonhos. Me faz sorrir quando tenho todos os motivos para chorar. Me ajuda a
desabafar. Me dá mais paz, menos ansiedade, mais coragem, menos medo, mais
segurança. Menos superficialidade. Mais equilíbrio. As situações têm outra cara
quando há música.
Se eu quiser viajar sem sair do lugar, não preciso usar drogas, basta escutar
os cds ideais. Eu saio espalhando as minhas músicas preferidas, como drogas, e é impressionante o quanto as pessoas se contagiam. Até aqueles
que antes retorciam o nariz de desprezo a determinado gênero.
Mas, o melhor mesmo é quando se possui amizades que gostam do seu estilo. Os olhos brilham quando há trocas de informações, de letras, de opiniões, de faixas.
A cidade fica mais bonita. O trabalho fica mais alegre. A
refeição mais saborosa. O sono mais tranqüilo. Quando há música. Há mais vida
quando há música. Há mais música quando há música.
Kurt Cobain, Anthony Kiedis, Eddie Vedder, Neil Young, Ozzy,
Coverdale, Adam Duritz, James Walsh, Damon (BDB) e Brian Molko. O ser voz. O
estar voz. A proximidade da perfeição. O distanciamento da realidade. O
encantamento. O viver Lithium. O sentir Soul to Squeeze. O ser Black. A vida
passa e elas ficam. Canções que ao longo do tempo contam histórias. Time of
Your Life. Ganham outros significados. Even Angels Fall. Meus, seus, nossos. Do
mocinho. Do bandido. De Deus. De tudo. A trilha sonora da vida toca e eu posso
ouvi-la. Eric Clapton. Angus Young. John Frusciante. Tantos outros que valeria
a pena citar, mas estes foram os primeiros que me vieram à mente agora Tantos
acordes. A guitarra fala, o homem cala, chora, se emociona. É lindo. A música
se cria, procria. Nasce, renasce. Transforma. Das mãos de quem toca, sai uma
nota, uma melodia, uma nova vida. Passa de uma dimensão a outra, again, and
again, and again. Para sempre. É difícil expressar. Quem ama a música como eu
sabe do que eu estou falando, não sabe o que eu sinto, mas sabe que se
sente. Se já vivi antes, se já fui
outra, em outro tempo, em outra vida, nessa vida, tenho certeza, sou música. Eu
estou nela e ela está em mim.
Music
Was Saved – Starsailor. E a foto do meu cd “Silence is Easy –
Love is Here”.
Obs. Impertinente: Ai ai... Não pensaria duas vezes em dizer “sim”, se um dos
dois James da Starsailor me pedisse em casamento.
Obs. Curiosa: Mal eu terminei de postar, estava olhando o UOL e encontrei essa matéria: Novo celular transmite sons pelos ossos do crânio. Legal. ;o)
Musa
Louca
11:39:48. Vai
me condenar? [28]
Ao abrir a porta de casa, uma rajada de vento frio somada a uma chuva de flores
cor de pêssego eram despejadas em cima dos meus poros. Como a sombrinha é
automática, ainda pude evitar que certas flores enchessem o meu casaco de
volume e perfume. Quando cheguei ao trabalho, o sol se mostrava por algumas
brechas das folhas nas árvores.
Às vezes, o lado da minha mesa parecia ser o mais frio da sala. Nem a cor
laranja do layout me entusiasmava a olhar pela janela. Só conseguia me distrair
pensando o quanto é prazeroso ouvir Badly Drawn Boy agora. Depois de duas aulas
de piano, já reconhecia um pouco da técnica... Tudo tão doce. Tão leve e mágico
quanto imaginava que seria os seus dedos deslizando pela minha pele.
Com pensamentos inusitados ao seu respeito. Fui ao banheiro lavar o rosto. E, ao
abrir a torneira, novamente fui atingida. Agora, por um jato de flores cor de
maçã (vermelha). Expulsas pelo utilíssimo mecanismo. Como a torneira não é
automática, este jato prosseguia até que fosse tomada alguma providência, o que
não iria acontecer. Estava envolvida demais com esse fenômeno. Portanto, as flores
continuavam descendo, vindas não se sabe de onde, até que tomaram toda a pia e
escorreram para o chão, tomando-o também, com surpreendente velocidade. Em
poucos segundos, estava completamente impossibilitada de encontrar a maçaneta
da porta. Uma vez que havia ficado coberta por flores e mais flores da cor do
pecado.
[ Souvenir ]
"Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se
cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderam essa nuance de vício
e esse refinamento da vida."
Clarice, para meu amigo Lucas.
Musa
Louca
12:01:18. Vai
me condenar? [31]



