terça-feira, 30 de setembro de 2003
[ Currículo ]
Eu já dei risada até a barriga doer, nadei até perder o fôlego, chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado. Já fiz cosquinha na minha mãe só para ela parar de chorar. Queimei-me brincando com vela. Nhe-ca-ti. Já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, conversei com o espelho, e até brinquei de ser bruxa. Já quis ser astronauta. Violonista. Mágica. Caçadora. Trapezista. Moça da caixa registradora. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora. Passei trote por telefone. Tomei banho de chuva no verão, e acabei me viciando. Em qualquer estação meu corpo está se molhando.
Já roubei um beijo. Fiz confissões antes de dormir num quarto escuro para minha melhor amiga. Já confundi sentimentos, peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro e arroz com galinha. Cortei-me depilando o tomate e a virilha. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondida no telhado para tentar pegar estrelas. Subi em árvore para roubar fruta. E caí da escada de bunda. Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.
Já fiz juras eternas. Escrevi no muro da escola. Chorei sentada no chão do banheiro. Fugi de casa para sempre, e voltei no dia seguinte. Já saí para caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas. Corri para não deixar alguém chorando. Fiquei sozinha no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Joguei-me na piscina sem vontade de voltar. Bebi vodka com suco de uva até sentir dormentes os meus lábios e não ter controle do corpo. Olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Tremi de nervoso. Quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio
da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalça na rua. Gritei de felicidade. E roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "- Qual sua experiência?". Essa pergunta ecoa no meu cérebro: "- experiência... experiência...". Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não. Talvez ninguém tenha a real noção do que é colher sonhos!
[ Recado ]
Vizinha, espero que a sua recuperação seja rápida. Assim, poderemos marcar o nosso piquenique na passagem secreta ou almoçar novamente no restaurante Fome Zero. Risos.
Musa
Louca
12:16:37. Vai
me condenar? [35]
segunda-feira, 29 de setembro de 2003
[ O Grande Ciclo do Final de Semana ]
01. Finalmente consegui acordar depois das 10h. Uuhhhh uhhhh. Pude aproveitar bastante a minha caminha. Rolar para um lado e para o outro. Espreguiçar-me trocentas vezes. E o melhor de tudo, olhar pro sol com certo menosprezo. Nada pessoal. Só-que-eu-não-troco-a-minha-cama-por-nada. Claro que essa opinião varia de acordo com o dia e o horário. Como eu sou volúvel... Arf.
02. Li um livrinho delicioso até Mamy me chamar para arrumar as mesas do evento. O caruru de Dona Maria das Graças é o tradicional caruru de São Cosme. Com direito a uma mesinha de docinhos. E é o caruru mais gostoso do planeta. Sem falsa modéstias, a minha mãe é uma excelente cozinheira. Pena que a filha não puxou nem um pouco a ela nesse ponto. :o(
03. Acredite: não me deixaram sossegada a noite inteira por causa do videokê. Ou me chamavam para armazenar novas músicas na memória, ou para ser uma das participantes da dupla. Fui ovacionada ao cantar "Sapato Velho" com Moraguinho. Definitivamente: botamos pra fu.
04. Eu sou psicologicamente parecida com a Bridget Jones. Andréa a chamou de maluca. Logo, eu sou doidona.
05. Depois de 2 doses de vodka, o meu papel no bar foi: "Atrapalha-garrafas" ou "Desce-garrafas-rolantes-ao-chão".
06. Rodrigo está sempre se auto-convidando para dormir no meu quarto. Tenho que fazer uma lista de desculpas descabidas para usar. Risos. A última foi: "Kru conhece o meu quarto. Não cabe mais um, né?". Sutil como um paquiderme. :p
07. Há-há. O diretor falou comigo. Olhou-me e deu "tchauzinho". E euuuuuuuuu nemmmmmmmmmmm tinha feito menção ainda de ir lá e gritar: sou sua fã, faço o curso na..., Comunicação, viu? Ah, eu amo essa banda.
08. Depois do show, Kru me deixou em casa. E eu segui direitinho o ritual pós-rock:
- Tomar banho. Lavar o cabelo 4 vezes. Não sei porque as pessoas riem quando eu digo que chego em casa até com a calcinha fedendo. Não sou eu quem fumo. É o ar poluído, poxa!
- Encontrar com Kru na net.
- Esquecer de dizer para ele: Os shows de rock só têm graça com você.
09. Clássico: desmaiei de sono falando ao telefone.
10. Pro dia nascer feliz: acordei meio-dia.
11. Amo Montoya - Sacanagem essa corrida - Foi proposital - Odeio Rubinho.
12. Dei o maiorrrrrrrrr rolé na cidade e bati algumas fotos para o trabalho. Achei-as uma cacá. Mas o sorvete na Ribeira conitnua uma delíciaaaaaaa.
13. Computador novo. Volta. Escada. Vestido. Emergência. Urgência.
14. Saudades. E sono.
Tudo, um grande ciclo.
Musa
Louca
10:29:03. Vai
me condenar? [20]
sexta-feira, 26 de setembro de 2003
[ Branco ]
Numa sala, portas e janelas fechadas. Forte luz branca. Vários computadores brancos espalhados. De frente a um deles, uma pessoa de estatura alta de cabelos castanhos avermelhados, ondulados.
Ela está vestindo roupas de linha e um casaco branco. Sua pele é branca. Ela está usando pulseira prateada e relógio no pulso. Ao seu lado esquerdo uma impressora não cansa de dar cores a folhas brancas. Nas paredes brancas, há várias fotografias em preto e branco. Em volta aos computadores algumas cadeiras azuis tentam ofuscar um pouco a claridade. O teto também é branco, o chão é mais para o cinza. Cores claras em torno da realidade onde ela se
materializa.
Musa
Louca
11:02:28. Vai
me condenar? [37]
quarta-feira, 24 de setembro de 2003
A cidade não é mais um dia dormindo no coração. Criança na
janela acordada do começo e sem fim. Assim como um rio vermelho tinge o olhar.
Assim como o rio menino finge o homem.
A cidade não é mais um dia de pés descalços na areia de
Amaralina domingo de manhã e à tarde no passeio público.
Musa
Louca
08:34:31. Vai
me condenar? [32]
[ Umbiguismo ]
 Meu mundo gira em torno dele.
Musa
Louca
01:04:22. Vai
me condenar? [21]
terça-feira, 23 de setembro de 2003
[ Correspondência ]
Oi. Apareceu um amigo seu aqui, disse que era amigo seu, M F e, que você disse que sou boa para se corresponder, mas você não sabe ou tem certeza e, nem sempre todo mundo é igual, ou diferente e, a gente mal se corresponde, mas poucos e-mails podem causar boa impressão.
Enfim, fui dançar ontem, acordei cedo mesmo assim e, estou me correspondendo. Bem ou mal? Não sei. Sempre gostei de escrever carta, mas na verdade, tipo agora, é uma coisa de passar o tempo teclando. Ficar ouvindo o tec tec tec. O assunto, nada específico. Se você escreve pra alguém muito próximo querem saber o que aconteceu, você poderia querer saber também, ou estar esperando onde vou chegar. Lugar nenhum, apenas a velha história, ela escreve e deve saber ou sentir algo quando senta e a vontade vem. Uma vítima, a gente escolhe sempre uma vítima, geralmente alguém gentil e que está acostumado a ler e receber e-mail. Está entendendo que estou no meu piano?
Comprei uns livros; sonetos, contos do Faraco e ensaio do Octavio paz, olho grande, pois não acabei várias leituras já começadas. Será que o seu amigo ia achar esta carta uma boa correspondência? Escrevo em bloco, tem gente que separa meus blocos, mas gosto de escrever em bloco e, se fica confuso, é porque é confuso. Uma vertigem, você se perde, mas como é texto pode ler de novo, daí, quem sabe, pode compreender. E por que não?
Não fui ao cinema esta semana, assisti ao cavaleiro sem cabeça na tevê. O domingo começa com pão e café com leite. O sábado até uma parte foi educado, saiu com a Sexta para tomar um chope. Domingo não quis encontrar a Segunda no Dique do Tororó, ela ficou magoada e, disse que não agüentava mais aos filmes que Quarta escolhe, brigaram. Segunda não atendeu o celular, Domingo ficou triste e foi dançar com a Quinta que levou a Terça. A Semana
embaralhou-se. Como será Amanhã? Dizem que namora a Seqüência inseparável de, um
Dia após o Outro.
Musa
Louca
00:34:19. Vai
me condenar? [35]
segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Seu olhar me acaricia. Seduz. Um sorriso largo se abre em meu rosto. Em resposta. Estou me entregando. Gesto insinuante.Tirando... ahn? Mais embaixo. Eu te ajudo. Uma língua provando. Degustando. O quê? Mais... mais pra baixo.
Desse jeito as palavras me molham. Não há necessidade de palavras. Só delírios. E duas bocas fazendo. Enlouquecendo. A minha mente também. Meu corpo deitado. Oferece. As pernas se abrem instintivamente. E convidam. Os lábios chamam seu nome. E pedem... "Eu quero". Você entende? Minhas mãos empurram e trazem. Você me arranca. Gemidos.
Eu sofro. Eu morro. De prazer.
Musa
Louca
01:16:07. Vai
me condenar? [28]
domingo, 21 de setembro de 2003

Cerva. Suor. Música. Luz. Escuro. Som. Alegria. Doces. Cansaço.
A mistura aumenta mais enquanto as minhas pálpebras estão sendo fechadas.
Musa
Louca
22:40:17. Vai
me condenar? [2]
Estou sempre aprendendo a recomeçar. De pontos estranhos. Eu sei. Estou sempre pensando positivamente através dos meus pecados e acertos. Se até dançar forró a noite inteira e beber vários copos de cerveja eu fui capaz, por que vou querer ficar dando cabeçadas na parede? (Putz. Que comparação! :p )
Cansei de brincar de esconde-esconde. Para que ocultar um sentimento presente desde o dia que conversamos pela primeira vez? Afinal, você está em mim e eu em você, nunca estaremos sós, lembra-se? Para que continuar lutando contra um sentimento que apenas faz crescer? Se for para desistir agora, é melhor me avisar. Já entrei em um consenso sobre o que é melhor pra mim: você.
Segura a minha mão.
Fico contente por termos conseguido criar um lugar especial. Entre o irreal, o real e o despertar. Estamos conseguindo levar adiante, isso é o que importa. Só precisamos nos estabelecer melhor. O tempo vai nos ajudar. Nesse mundo cheio de cores e carinho onde só nós dois sabemos o que se passa e que criamos para viver bem.
Musa
Louca
22:25:49. Vai
me condenar? [2]
sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Um dia você olha para a sua casa e vê apenas a porta. Como
se ela estivesse lhe chamando, com frases provocativas, esperando qualquer tipo
de reação de seu corpo. E então você olha para o lado. Não existe ninguém para
lhe pedir que ficasse, muito menos alguém para quem você fosse dar ouvidos. E
foi assim, sentindo que não havia nada para ser deixado para trás, que ela se
viu no saguão de um aeroporto.
[ Urgente ]
Você precisa de um novo aparelho de telefone.
Musa
Louca
00:55:51. Vai
me condenar? [30]
quinta-feira, 18 de setembro de 2003
[ Tensão ]
Hoje tenho um diabinho numa orelha e um anjinho noutra, como nos desenhos do Pica Pau. O anjinho diz 'paciência, amanhã é sexta, você vai ao show do Cu$to Zer0 e rever amigos, não é lindo?'; o diabinho fala 'sai desse c* de lugar, vai dormir, ninguém precisa de você nessa p*rra, vai para casa terminar os projetos da faculdade, terminar o site da Automata e assistir a comédias românticas comendo chocolate que nem uma porca'. O anjinho ainda insiste que são os hormônios do mal, que tudo vai passar, vamos cumprir nossas obrigações, eles pagam você pra isso, tanta criancinha na Somália sem ter o que comer e você reclamando! Essa hora o serzinho do mal dá um tiro no anjinho gay e me traz um Chokito. Focof. Essa porcaria de projeto tá me matando. Diabinho legal esse.
[ Coincidências ]
Estão sempre acontecendo comigo. Ao meu redor. Como se me caçassem...
Todos os dias. Elas não podem me deixar em paz.
O problema ocorre quando eu não gosto de algumas delas.
Das outras... Tudo ótimo, são surpresas queridas.
Musa
Louca
11:45:37. Vai
me condenar? [23]
quarta-feira, 17 de setembro de 2003
[ Preciso Acordar ]
Olho para o jardim - minha mãe coleciona plantas dentro de casa e no quintal. E os vasos mudaram de cor. Como não tinha observado isso antes? Não paro aqui. Só quando estou doente. E passarinhos de plástico cantam. E uma mão no meu queixo, levantando meu rosto, é que me faz despertar. Sentada. Eu estava dormindo sentada, todo esse tempo, que durou pouco mais que meio minuto, ou muito mais, talvez doze ou treze horas sonhando. Doze ou treze. Horas, anos. Sonhando. Dentro de.
De um quarto, de um ônibus, me dê um quarto de compreensão - onde vou entrar, fechamos a porta, e tudo vai se acalmar. E a calma vai nos levando, vai nos deixando, quem dirige? Cada ponto. Que cada ponto governe a si
mesmo. E que nesse ponto eu me liberte - e que seja sempre início, um ponto que abre, idéia que amplia, sonhos que fazem. Sentidos que dançam, e dançando se atiram, uns sobre os outros, que seja sempre - transformação.
Primeiro, meu aniversário, de junho. E do primeiro até ele, tantas bocas e tantas voltas. Meu amor, a segunda vez que. Paixão, duas vezes,
três vezes, e dentro de sonhos. Eu entre silêncios, preenchidos dentro de, espaços, elásticos, sonhos que se esticam. E quase acordando, tomo banho sonolenta ainda.
Box frio, morto, morto, como pode morrer algo que nunca viveu? Como nunca viveu, não me beijava? Beijava. Segue, segue, agora sim estou acordada, segmentação, sonhos dentro de. Eu dentro de. Sonhos que se rompem, e que se criam, rompendo o silêncio, amadurecendo por si mesmos, deixe como é, e como já foi uma noite, siga, siga, não siga nada, abra caminho. Acordei de verdade agora, depois de um banho frio com sabonete líquido de amêndoas doces.
Realidade cremosa, café obscuro, que adoço demais, e bebo demais. Tomando café, daqui a pouco isso se desfaz. Café com creme.
Musa
Louca
00:29:24. Vai
me condenar? [27]
segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Sozinha no quarto. Madrugada. Música suave. Dor no peito. Amigos on-line. Reflexões sobre o tempo. Saudade. De quem está longe. Falta e imensa saudade. De quem não está mais aqui. Lagriminhas. Sono. Tudo jogado no espaço da vida. Tudo perdido
porque quero aquilo que não posso ter. Só guardar. Nas lembranças. Numa caixinha de negativos (né, Ju?). Numa gaveta sem fundo da cabeça.
Qual o meu desejo eterno? Controle remoto. Com um botão salvar bem grande. Para ser usado constantemente. Em todos. Para todos.
***** Tão acidamente inocente (riscado)
E tolamente apaixonante
Enquanto sincero, penso eu.
De onde vieste, poeta?
Porque rasgas o peito
ante o amor,
Deixando-o entrar, sair, mexer.
E só o que fica lá dentro
Recende como morte?
Obrigada pela Canção dos Malditos
E afaste-se dos precipícios...
soa como Pearl Jam: Indifference.
Conhece?
Um abraço.
Musa
Louca
00:23:17. Vai
me condenar? [46]
domingo, 14 de setembro de 2003
[ Da série: Belezas da Vida ]
A beleza da vida se encontra nos simples e tocantes gestos.
Por exemplo, quando o seu afilhado lhe vê exausta e diz que toda sua agonia passará se fechar os olhos. Depois que você os fecha. Ele vem de mansinho e beija cada um deles.
"How
wonderful life is while you're in the world."
Musa
Louca
01:31:43. Vai
me condenar? [17]
sábado, 13 de setembro de 2003
Obrigada Gerente por iniciar o novo espaço do Albergue com o Sin To Win. ;o) Sin To Win, o blog da semana no Diário do Albergue. Adoro você demais. De coração. Já está na hora de voltar a sua terrinha para me visitar, né? Beijos querido. Ah, e agora é a sua vez de me mandar fotos. Risos.
Musa
Louca
03:53:45. Vai
me condenar? [15]
sexta-feira, 12 de setembro de 2003
O amor traz ao mundo a sensação do vasto e do oco.
Por isso tantas vezes revela silêncios e cava buracos.
Redondos e fundos no respiradouro da alma.
O amor é uma agonia incontida.
Multidão de almas calcinadas na leveza do éter e do aço.
Musa
Louca
10:58:00. Vai
me condenar? [21]
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
[ Agradecimento ]
Sérgio, não precisava colocar o meu nome na lista de
agradecimentos do CD. Eu é que tenho que te agradecer por ter me chamado para fazer parte da
equipe. ;o)

[ Lista de Loucuras ]
Fazia tempo que eu não as listava...
01. Pego uma matéria com a turma de Cinema e Vídeo. Tive que ouvir o bonitinho cantar em resposta as argumentações da professora para ter aulas nos sábados: "Um dia a menos. Um dia a mais. Todos os dias são iguais". Sensibilizou a todos... e a pergunta ficou no ar... "Quanto será que ele fumou dessa vez?". Maldade não, realismo. Puro e simples;
02. Se não bastasse voltar a fazer um outro curso de graduação, trabalhar dentro e fora da empresa, fazer academia e escrever para um blog (isso é um prazer assim como os outros), resolvi fazer dois cursos extras para adcionar no meu currículo na área de Comunicação: Fundamentos da Ortografia e Formatação de Trabalhos Científicos;
03. Cruzar com o Tio Bruce pelos corredores e salas da faculdade. Vou apelidar nossa brincadeira de Tom e Jerry, só falta definir de uma vez os papéis. Tio Bruce, a sua argolinha na orelha esquerda é lindaaaaaaaaaaaa. Muito fofa. ;o)
04. Eu e meus coleguinhas estamos arquitetando um plano para filar a aula de design para comparecer no show de sexta. Eu quero muito ver AUTOMATA tocar;
05. Organizar um show de rock na faculdade. Putz. Vai ser o que há!
Musa
Louca
11:20:44. Vai
me condenar? [21]
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
[ Todos ]
Todos esperam por um sorriso no seu rosto o tempo inteiro. Então é isso que você tem que dar a eles. Sorria. "Mesmo que seja estranho, bizarro". Bizarra letra. Bizarra vontade de falar com quem não merece. Por isso adoro o silêncio do meu quarto de madrugada. Ficar em silêncio é fácil. Extremamente confortante. Fecho os olhos e esqueço que pertenço a este planeta. Pequenos momentos de solidão-bem-vinda. Num lugar onde ninguém penetra o meu ser. E eu descanso da correria por entre as horas exterminadas do meu dia.
Todos sabem o que fazer com o seu dinheiro. Por que você não compra jóias, carros ou ilhas desertas? Seria muito bom ter uma grande quantidade de grana. Eu iria me mudar para a Patagônia e viver por lá durante alguns anos. Ou então pro Taiti. Esquece. Tenho uma idéia melhor. Ir para o interior do Piauí. Teria uma criação de jeguinhos e evitaria que eles entrassem em extinção. Eles são turrões. Eu sou turrona. Só amoleço quando você está perto. Porém... isso vai mudar. Acredite.
Todos dizem o que é melhor para você. Mas, em algum momento, você, realmente, escuta? Ou pula pela cerca da imaginação e cai do outro lado? A sensação de infligir as leis, de lutar por um ideal (deturpado ou não) faz com que continue. Não se arrependa. Eu não me arrependo. Só de não ter feito muito mais para sair desta cadeira e de vez da sua vida.
[ Souvenir ]
"Esfaqueie a dor com a faca da disciplina" - John Frusciante.
[ Nas Estrelas ]
Estou com todas as musiquinhas do CD novo da Starsailor. Silent is Easy. Oh-oh-oh.
Dois shows sensacionais para ir:
Quem ? The Hughes + AUTOMATA + Roquesport + Cobalto + THE HONKERS.
Quando ? 12.09.2003, Sexta às 20h.
Onde ? Idearium Bar (Rio Vermelho)
Quanto ? Ingressos: R$5
Quem ? ROLLING STONES COVER + FEEDBACK60.
Quando ? 13.09.2003, Sábado às 23:30h.
Onde ? Calypso Heineken Station (Rio Vermelho)
Quanto ? Ingressos: R$7
Musa
Louca
12:59:34. Vai
me condenar? [35]
terça-feira, 9 de setembro de 2003
[ Uma Análise de Mim Mesma ]
Eu só queria conhecer uma pessoa linda que cuidasse de mim.
Sou a menina que você nem chega perto para conhecer. A única mulher que conheço que mistura vitamina de banana com longas noites no teclado. Procuro sempre por sorvete de flocos no supermercado. E beijo o bico do papagaio e o coloco na mão todas as manhãs. Desenvolvo nas pessoas fantasias. Faz tempo que não fantasio, mas sou recordista nas retiradas de comédias românticas na locadora perto de casa. Acho que só faço sonhar.
Eu queria que alguém machucasse meu coração.
Mais. Sempre mais. Pela primeira vez, o meu coração machucado só me faz perceber o quanto estou viva e saudável para contornar todas as situações. Preciso resolver meus problemas. Gastar mais tempo só comigo. E descobrir várias maneiras de aproveitar meu brilho interno o qual nunca esteve tão intenso como agora. Vou me aprimorar em falar e olhar para as pessoas de frente. Enxergar o que os outros enxergam em mim. Não deve ser tão constrangedor. Desde os 12 que não destruo as unhas com os dentes. Apenas de vez em quando aparecem aquelas manchinhas brancas em cima.
Tô me sentindo cheia e vazia por dentro.
Apareci na academia com a cabeça levantada e a roupa toda molhada (banho de chuva), só para variar. Sempre consegui enganar as outras pessoas, sem jamais conseguir enganar a mim mesma. Vestida com calça azul marinho, colan vermelho e tênis preto. O professor chegou logo depois e saiu derrapando comigo até a sala de ginástica. Foi engraçado vê-lo tropeçando no próprio cadarço e me empurrando levemente pela entrada. Ah, não liguei para o meu cabelo desgrenhado e nem para as olheiras por causa de uma noite mal dormida. Pumpinho sabe que sou digna apesar de ter chorado rios ontem.
Se eu usar uma placa - por favor, machuque meu coração - será que assim eu vou ter chance de conhecer alguém?
Rio de mim mesmo, mas faz um bom tempo que não sorrio com alguém numa manhã de domingo. Tenho margaridas sobre a cama, almofadas sobre a cama, mas só uso um dos dois travesseiros para dormir. Às vezes sento no banco da praça depois do almoço e fico fazendo carinho nos vira-latas que passam ou observo os micos pulando nos galhos das jaqueiras. Fico triste sem explicação razoável. Mas não passei a ter medo da velhice. E nem de voltar sozinha para casa.
Dar de amar. Se eu der de graça, e eu quero dar, alguém vai aceitar?
Abraço até o meu papagaio todos os dias e converso quinze minutos toda manhã com o rapaz da portaria. Ligar e não encontrar-me em casa são sinônimos de encontrar-me sorrindo. Gosto da minha vida corrida, apesar de sentir vontade de fugir das salas pelo menos um dia na semana. Quando fico sem sono, sempre tento contar quantas estrelas fosforescentes têm coladas nas paredes do quarto. Presente dado por mim a elas.
Você tá me ouvindo? Aperta meu coração!
Eu, me and myself que só quer amar.
Musa
Louca
10:29:01. Vai
me condenar? [41]
Este blog está temporariamente fora. De contexto. De vontade. Que saco.
Musa
Louca
08:15:06. Vai
me condenar? [10]
segunda-feira, 8 de setembro de 2003
Tenho tudo para uma noite perfeita de chuva. Tenho pingos tilintando em minha janela, tenho o vento uivando lá fora, tenho a lua que quer brilhar, mas não brilha. Tenho grafite e folhas de papel e mais que tudo, tenho sangue correndo em minhas veias. No entanto, algo está faltando. Eu fico no chão frio da cozinha pensando nos dias que talvez não virão. Fico imaginando encontros, poemas, músicas, pinturas, parques, teatros, filmes, livros, pontes... qual ponte devo atravessar para chegar ao seu coração? Fico arquitetando conversas, olhares, beijos, reações. Passo os dias pensando em você e você não sabe. Escrevo coisas que não serão lidas, canto músicas que jamais foram ouvidas, pinto cores que jamais coloriram coloridas. Durmo para poder sonhar. E é tão bom quando a luz se apaga... Sei que procuro válvulas de escape e que isso dói. Em mim, não só dói como também destrói. Os pingos caem cada vez mais rápido, formando uma cascata de lágrimas. Tenho medo de perder você. Perder o que ainda nem ganhei. E é por isso que sou assim. Descobri que o que me falta nesta noite tempestuosa é você. E é por isso que lhe quero aqui.
[ Independência ou Morte? ]
"Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil".
Protesto Cívico e
... a Pancadaria!
Musa
Louca
00:02:38. Vai
me condenar? [26]
domingo, 7 de setembro de 2003
 Chegou a primavera em meus lençóis.
Musa
Louca
12:20:07. Vai
me condenar? [10]
sexta-feira, 5 de setembro de 2003
 [ Ela: Um Mistério sem Destino. ]
Há noites em que ela é apenas um sussurro. Um grito no escuro e uma razão para acordar pela manhã. Feche os seus olhos e sonhe com o rosto dela. Use a sua imaginação e tente desenhá-lo com bastante atenção. Mas não se perca nos traços. No acaso. Não se perca na intensidade dos sentimentos que ela lhe desperta. Ela o tratará como um mero marinheiro. Naufragado num mar de emoções conflituosas. Ela não o tentará salvar. Ela o magoará com os olhos. Ela sempre dirá que vai tentar melhorar, mas jamais voltará atrás com seus atos e palavras. Não se desculpará.
Você sabe tudo sobre ela, mas não a conhece direito realmente. Você nem imagina o que se passa na sua cabeça quando a vê virando e caminhando em direção a lugar algum. Ela é como um passeio num navio (fantasma?) misterioso. Para um lugar onde você nunca foi antes. É melhor se agarrar a esse transporte. É tudo o que tem neste momento. No mundo de sonhos. Além de palavras soltas pelo ar e sorrisos tristes. Você não está mais em sua cama deitado. Ela é o seu passeio. Um doce meio de locomoção pelo paraíso. Da cabeça dela.
Ela chora porque está feliz. Canta canções quando está furiosa. É como se precisasse de uma bebida forte para afastar os males. Tão longes. Tão próximos. Ela é boa em ser malvada. E muito antes de conhecê-la, você sabia que ela era única. Assim, completamente sem jeito e sem simpatia. Ela, às vezes, é frágil como uma menina. Que procura por abraços, mas no meio do caminho se afasta e não precisa mais do seu apoio. Nem andar pelos seus passos.
Mas continue o passeio no navio. Veja até onde ele pode te levar... Não esqueça de subir ao convés e verificar o céu, as nuvens e o horizonte. A terra pode nunca mais ser vista. Jamais conseguirá novamente aportar. Curta a sua vida. Em dias de cansaço e música... Balançando de acordo com as ondas do mar.
E por que tem tanta certeza que ela é assim um mistério? Por acaso, alguma vez pensou em desvendá-lo(a)? Olhe para o horizonte agora. O que vê? Como está o tempo ao norte? Será que ainda há salvação para a alma dela? Será que ainda vai chover?
Musa
Louca
01:03:35. Vai
me condenar? [33]
quinta-feira, 4 de setembro de 2003
Eu inspiro poesia, e expiro angústia. Sou uma barbie, um bichinho de pelúcia, sou os dias passando, e os carros dando carona. Sou o último minuto do fim de semana. Uma peça. Posso ser manipulada. Nada mais na minha cabeça. Nada passa em branco. Eu devoro. Mastigo os detalhes. E te devolvo minha visão. Dando, cega, cega, te dando, minha visão. Nada mais à minha mão. Tenho que buscar tudo de novo. Última linha. Mas ainda tenho muitos livros. A serem desenhados. E amanhã vou fazer uma tatuagem.
- Vai mesmo?
Poesia é vida. Dúvida é angústia. Bichinho de pelúcia é afeto. Você gosta do que escrevo? Estou na sua casa, no seu colo, sofrendo (por uma amizade) e sorrindo (para você). Você é meu amigo, claro, mas não quero falar de problemas. Não existem problemas, existem pessoas, junte duas ou mais pessoas e surgem problemas - imaginários, sei disso, mas a imaginação é uma vida. E muitas vezes acreditamos nessa vida. Não é? Não é que eu não goste que você pinte minhas unhas, é que não estou conseguindo ficar parada. Escove meu cabelo, sou sua barbie. Jogue conversa fora, sou o último minuto. E não pense que isso vai ser esquecido, não estou falando, mas absorvo suas palavras. Nos raros momentos em que abro a boca falo umas maluquices que na verdade são símbolos. Fecho os olhos e falo - você nem estranha. Mais nada. Porque você convive comigo, e conhece. Conhece minhas músicas. E a tv ligada, só as imagens, uma novela sem diálogos, com um dos seus cds tocando. Por trás. Trocando. Mais uma vez, de lugar. Estamos na cozinha. Eu
fazendo perguntas - a mim mesma.
"É o nascimento do cinismo. Perco o meu senso de romantismo, pois nunca mais serei capaz de ter esperanças sem nenhuma restrição, de confiar sem reservas. Eu sempre ouvirei em minha cabeça vozes que
fazem essa perguntinha importuna, que o romântico não ousa fazer. Um romântico não pergunta." - um trecho do livro Eu Fellini.
Musa
Louca
08:20:43. Vai
me condenar? [28]
quarta-feira, 3 de setembro de 2003
Eu tenho vergonha dos políticos, da polícia e do povo inerte da minha cidade. Os estudantes precisam de apoio. É o momento ideal de haver união entre a população. Vamos ajudar a quem precisa.
Se os estudantes fossem para a garagem das empresas de ônibus, para a porta da prefeitura, para a câmara municipal, nada seria negociado. As manifestações seriam ignoradas. Eu apoio às passeatas e o bloqueio da passagem dos ônibus pelas ruas, causando a paralisação da cidade. Gostaria apenas que houvesse ajuda de outros lugares e de outras facções. O serviço de transporte é direito de todos. As manifestações estão organizadas. Apesar da mídia, como sempre, distorcer os fatos a favor do governo sem vergonha que domina esta região.
Musa
Louca
13:01:37. Vai
me condenar? [22]
[ Fantasias de Uma Moça Bem-Comportada ] (Ao Rob Flemming da minha vida)
Eu que estive aqui por horas pensando na esperança de voltar tudo atrás. Eu que estive pensando em você que nunca foi poeta. Você que agora
voltou a viajar na minha maionese light. E que adora comer macarrão chinês com lulas. Estive pensando em cada uma das 456 bilhões de palavras e 14787438401857439 horas de telefone. Você e somente sua voz. Estive pensando em você e sua tentativa de banda. Estive aqui por dias, eu e o que eu não tive coragem pra te dizer. Eu que sou sem filhos e sem paz por você. Eu, seu corpo seu coração. Eu num copo de coca com gelo pra esfriar. Eu, talvez, esta noite no show do ColdPlay. Mas estou ouvindo, no momento, o Lou Reed. Não quero shows. Só meu quarto e um abajur. E esse trampo a ser entregue na semana passada, mandei tudo às favas. E essa música que dilata o meu cérebro. Eu, sua personagem. Eu que me perco. Eu que te confundo. Eu que luto com você o tempo inteiro. Eu que já coloquei senhas em todos os meus sonhos. Para que
você me deixe em paz. Eu que acho que te perco com os documentos e as chaves de casa. Eu que de repente já não posso mais fugir. Eu que sou sua menina, sua puta, sua mãe, sua musa. Finjo-me de má. Eu que estive aqui por minutos que te perdoe. Esperando o telefone tocar.
Ass.: Eu que te quero tanto e uma do Starsailor em sua
homenagem.
Nota: Putz. To me sentindo como se estivesse drogada (sono ou cansaço?).
Musa
Louca
00:15:39. Vai
me condenar? [11]
terça-feira, 2 de setembro de 2003
Passo a passo na praça perto da minha casa. Sobrevôo pessoas e sobretudo, passo a passo observando tudo à volta. Apresso o passo e sobretudo me ultrapassam. O fim do dia desenhando tudo à volta. No vento pó pedra e sujeira. Queria
estar na Medianeira. Pedras no rosto ainda é pouco. Areia nos olhos vira fogo - se pisco me queimo. Se queimo me sujo. Se sujo não durmo. Se não durmo não como. Se não como passo a vez no tabuleiro de xadrez.
Alguns mudos, de mãos dadas. Trocando apenas Esparta por Atenas - olhares e bofetadas. Folhas verdes levantadas. O som seco das pegadas.
Motoboys nas calçadas conversam sobre seu cotidiano. Um se chama Mariano mas os outros não dão bola. Crianças fogem das escolas e constroem seus castelos nos fliperamas. Dormem algumas em suas camas. Outras tantas nas esquinas. Outras tantas em sofás.
A grande vitória é não ter vergonha. Nem aquele quando sonha com esparilhos e aspartame da tua boca. Nem aquela velha louca que às vezes vende incenso. Disperdício é um consenso de quem é pouco exorbitante. Quanta gente ignorante perambula por aí. Distraída pra vida pega um bonde pra Sapucaí. E eu aqui, sozinha na cidade. Mas isso não traz nenhuma novidade.
Atravesso meu destino sem carregar nenhum fardo. Nenhum peso me freia, nem um gole me tonteia. Alguns dias me cansam e alguns me cegam. Quantos de vocês me carregam? Quantos não carregariam? Passo a passo continuo. Sigo frio pelo meu canto. Não te encontro, não te tento. Me procuras por enquanto. Mas eu sei que acaba o encanto. Como a água e a guerra fria.
Leva a sério cada palavra? Mas que pena, eu diria. Essa trava não permite que você enxergue a cor do dia. E cada coisa que você queria. Mas voltando à vaca fria: não, não, isso não é nada. É apenas poesia.
Musa
Louca
00:32:25. Vai
me condenar? [28]
segunda-feira, 1 de setembro de 2003
[ Não Te Prometo ]
Não te prometo um poema do Vinícius, nem encanto eterno, nem
amor infinito. Não te prometo dedicatórias vazias, nem beijos recheados de saudade ou um gole do meu licor.
Não te prometo minhas palavras bêbadas, minha retórica sôfrega, minha sintaxe ardida.
Não te prometo o coração acelerado, lábios que tremem num discurso vazio.
Não te prometo viagens inesquecíveis, fotografias coloridas ou canções de amor.
Não te prometo alegria, nem descobertas, nem a tristeza que procura rimas fáceis.
Não te prometo mais o mundo, nem as cores vivas das balas de goma.
Não te prometo luz acesa, nem o escuro do meu lado, no sono.
Não te prometo o ar que eu respiro, meu pulso cortado, as cordas do seu violão.
Não te prometo meu aperto, meu peito, meu abraço sonâmbulo.
Não te prometo o cheiro da terra molhada, ou lágrimas secas que pingam no chão.
Não te prometo um bilhete apressado, a lista de músicas que adoro, recados no celular.
Não te prometo meu equilíbrio trôpego, minha angústia escondida, meu riso partido.
Não te prometo flores nem dores nem febres, saliva e suores.
Não te prometo uma língua náufraga, no céu da boca de sorrisos secretos.
Não te prometo o futuro, o presente, o passado mais que perfeito.
Não te prometo o vazio, meu vácuo na carne, meu corpo, meu ócio.
Não te prometo meus papéis amassados, meu pânico, meu relógio parado.
Não te prometo poesias rasuradas, o jornal de ontem, rascunhos aleatórios.
Não te prometo meu álbum de notas, minhas rotas, meus lindos seios, meus mapas.
Não te prometo meus beijos, meu gozo, suspiros dentro ou fora do forno.
Não te prometo meu anjo da guarda, nem rezas ou salmos, versículos sem nexo.
Não te prometo uma mordida no meu sanduíche, meu leite com sangue e com sal.
Não te prometo esse monólogo na penumbra, essa voz emudecida que se apaga a cada toque.
Não te prometo minhas promessas, segredos nem medos. Não te prometo mais nada, eu prometo.
Não te prometo mais nada porque enxergo cada promessa dançando piruetas no vento que entra pela janela.
E não te acordo para dar boa noite, mas me perco. E te perco a cada bom dia, não me encontro.
Fecha a janela. Fecha teus olhos tristes, aqueles que antes sorriam.
Fecha essa boca murcha, saliva e palavras amargas, de sons que não compreendo.
A cada segundo te perco dentro de mim e me perco dentro de ti.
Somos muito grandes para nós mesmos. Somos tão pequenos...
Musa
Louca
00:26:13. Vai
me condenar? [25]
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