sexta-feira, 31 de outubro de 2003
[ Ser ou Não uma Bruxa? ]
É preciso desde o início esclarecer que não basta alguém se filiar a um grupo
para entrar na bruxaria. Aliás, na maioria das vezes, o início do caminho é
sempre solitário. Primeiro saiba o que é a bruxaria wicca e descubra se é dessa
maneira que você deseja viver. Lembre-se também que a wicca não é uma religião
convencional, ou seja, ela não tem sacerdotes e seguidores (como uma igreja
católica com padres e fiéis, por exemplo). A wicca é uma religião iniciática, o
que significa que só é wiccaniano quem, após um tempo de preparo, resolve
assumir o sacerdócio da Deusa Tríplice e seu Consorte.
A bruxaria wicca, chamada de bruxaria moderna, surgiu na Inglaterra no início
dos anos 50, no século XX. A palavra bruxa(o), na linguagem comum, tem mil
significados. No caso, essa palavra é encarada como uma pessoa que se dedica à
prática da wicca, que é uma religião pagã, cujo maior valor é a vida. E que
busca o equilíbrio e o aperfeiçoamento contínuo de seus participantes, visando
uma integração cada vez maior à natureza. Qualquer pessoa (homem ou mulher)
pode aprender e adotar, basta que se sinta sintonizada. Os Deuses Antigos não
escolhem suas sacerdotisas e seus sacerdotes por olharem seu pedigree ou sua
árvore genealógica. Para ingressar na Wicca só há um requisito: que você deseje
se tornar sacerdotisa ou sacerdote da Deusa e seu Consorte.
Os pagãos em geral (entre os quais se encontram as bruxas) - pessoas que
praticam uma espiritualidade ligada aos antigos povos pré-cristãos, as chamadas
Religiões da Terra, não vivem de acordo com padrões de julgamento maniqueistas.
Não se crê em bem oposto a mal, muito menos na existência de algum inimigo
poderoso e concorrente da Divindade (ou seja, não acredita-se que exista um
demônio ou coisa semelhante). Tudo que há no universo contem em si o Todo, ou
seja, aquilo que chamamos de bem ou mal é apenas fruto de nossa experiência
subjetiva. Muito bem, isso é expresso em um pensamento de Richard Bach: "O que a lagarta chama de Fim de Mundo o mestre chama de Borboleta".
Ingressar na prática da bruxaria significa querer irmanar-se com a natureza,
começar um caminho mágico de percepção diferenciada do universo, com uma
profunda sensação de integração e integridade. Significa responsabilizar-se por
sua vida e seus atos, reconhecendo que tudo o que você vive é produto de suas
escolhas.
*****
Quando eu tinha 16 anos, várias vezes questionei a minha fé na religião em que
fui criada. Por isso comecei a pesquisar com afinco as várias religiões que existiam
à minha volta e na biblioteca. A mais interessante de todas as pesquisadas, sem
dúvida, foi a Wicca. Cheguei até a me iniciar... Mas, definitivamente, o
tempo passa e as experiências de vida me fizeram questionar também o por quê de
toda essa necessidade em ter uma religião. Se, na verdade, o que me basta
acreditar e cultuar para me fazer sentir feliz é amar a mim mesmo e ao meu próximo.
Não pude renegar a existência de uma força superior. Agora, eu simplesmente
prefiro chamá-lo de Deus e pronto. Não preciso mais de nenhum outro tipo de
consolo. Consigo me conectar a ele simplesmente fazendo uma criança sorrir.
 Há-há-há-há-há. Feliz Dia das Bruxas! ;o)
[ Souvenir ]
" So excuse me forgetting - Então me desculpe por esquecer
But these things I do - Mas eu faço essas coisas
You see I've forgotten - Veja, eu me esqueci
If they're green or they're blue - Se eles são verdes ou azuis
Anyway - De qualquer forma
The thing is what I really mean - O que realmente importa
Yours are the sweetest eyes - Os seus olhos são os mais doces
I've ever seen - Que eu já vi
And you can tell everybody - E você pode dizer para todo mundo
This is your song - Que essa é a sua canção
It may be quite simple but - Ela pode ser bem simples
Now that it's done - Mas agora está feita
I hope you don't mind - Eu espero que você não se importe
That I put down in words - Que eu coloque em palavras
How wonderful life is - O quanto a vida é maravilhosa
While you're in the world - Enquanto você está no mundo".
Your Song - Versão Moulin Rouge.
Musa
Louca
14:44:38. Vai
me condenar? [27]
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
[ Como (não) nos conhecemos ]
Há centenas de formas de descrever este momento e achar que mediante a
sua forma intacta, ele o foi perfeito. O momento do 'conhecer' se concebe
perfeito porque sua raiz será sempre terna e memorável. Para cada indivíduo em
especial, as histórias singulares do conhecer determina a primeira mediação
implacavelmente emotiva, de uma série de outras mediações que serão
determinantes para aquele futuro que, continuamente, esperamos que dure para
sempre.
Então no melhor da minha imaginação contemplo a possível história de que
conheci você na minha infância. Você poderia ter sido filho do casal da casa
vizinha onde cresci, você poderia ter sido meu colega de maternal, você poderia
ter sido o anjo Gabriel das apresentações de final de ano, você poderia ter
sido o primeiro menino a segurar minha mão numa brincadeira de roda e você
poderia ter sido o primeiro menino a quem achei lindo. Mas a verdade é que eu
gostaria que meu namorado tivesse sido o filho do dono da loja de brinquedos,
aquela loja que na nossa infância existia e fazia sucesso. Aquela loja que na
época em que a Estrela era campeã de vendas, socorria todo e qualquer brinquedo
das crianças que eventualmente se sentiam órfãs.
Ah, meu namorado! Na minha história você seria aquele pequeno menino que sabia
todos os segredos dos brinquedos. Que herdaria todo o conhecimento de seu pai,
e toda a minúcia do encaixe de peças. Que saberia trazer vida à uma boneca
aparentemente morta e que saberia consertar todos os meus sonhos de menina.
Você seria aquele menino com quem nunca conversei, com quem nunca troquei um
toque, com quem nunca dividi uma lágrima e com quem sem mesmo saber, dividi
todos os meus segredos, medos e falhas. Por ser quem você era, o filho do dono
da loja de brinquedos, você sempre me conheceu através do que lá na loja eu
deixava. Você descobriu através dos estragos em meus brinquedos, todas as
metáforas de vida que me faziam estragá-las, danificá-las e até mesmo
machucá-las. Você podia não saber como eu brincava, mas você sabia como reconstruir
cada pedacinho do meu divertimento.
Talvez naquela época eu nunca soube a maravilhosa pessoa que você era. Naquela
época meus brinquedos tinham mais importância ao meu coração que um menino com
curvas, mente, ossos e sentimento de verdade poderia ter. E então é assim que
eu penso que te conheci na minha infância, e que só o deixei entrar na minha
vida depois de terem sido guardados, todos os meus brinquedos.
Musa
Louca
12:17:56. Vai
me condenar? [34]
quarta-feira, 29 de outubro de 2003
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[ Uma Janela para Pecados ]
Sou uma janela. Branca. Grande. De madeira resistente (sucupira?). Com
arcadas e venezianas para você espiar através do meu corpo.
Gosto que me abra devagarzinho e que escute os meus ruídos de reclamação. Procuro
a todo instante lhe mostrar o mundo de novas formas. Você pode até
ter a sensação de que a paisagem é a mesma, porém
cuidado. Atenção. Repare nos detalhes. Sempre há
uma surpresa. Nunca surgirá algo-daqui-de-dentro de uma maneira
igual.
Enquanto me escancara, alguns elementos que compõe a magia do momento
lhe farão companhia. Como o vento. A luz do sol. A luz do sol refletida
pela lua. O meu mar de oblíquos pensamentos. As nuvens. A cidade.
Os meus não's e sim's. A natureza de pecados os quais
me circulam e me causam prazer.
Tem violetas no parapeito. Elas atraem as gulosas borboletas que não
se cansam em passar por minhas entranhas-divisórias. Assim como
você gostaria de fazer.
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A cada vez que me abre, eu me mostro diferente. Cheia de cores.
De amores. De virtualidade. Sou tão virtual quando os pixels visualizados
no seu monitor. Aqueles mesmos. Em RGB. Eu os trabalho no Photoshop. Dou
outra vida. Dou outro ton. Eu modifico o seu pensar e os seus sentimentos.
As fotografias, os desenhos e as imagens são geradas de acordo com
os meus temperos e as minhas aventuras. Ou também pelos meus olhos,
ou pela minha incansável imaginação. Eu procuro fazer
você observar o futuro e o passado com palavras e graduações
da minha voz.
Posso ser também uma instalação em um canto da sua
casa. Feita de papéis recicláveis e sons. Sons que eu emito
e você ouve. Você grita e eu escuto. Ou então, tudo em
volta emudece e ninguém mais ouve nada além dos nossos próprios
corações. Gosto que me toque. Crie-me com vontade de investir
em saúde e saudade. Ouse comigo e me molde ao seus braços
e mãos. Abuse do seu lado criativo e me diga com sinceridade: você
me ama como me pinta ou me pinta como me ama? Ainda há coragem de
ver pelo outro lado depois desta descrição? |
Musa
Louca
12:40:29. Vai
me condenar? [26]
terça-feira, 28 de outubro de 2003
[ Em Outro Estado de Espírito ]
Nesta manhã eu acordei, sentei na cama e entrei em um outro estado de espírito.
Nunca mais tinha feito isso, e é uma experiência deliciosa. Principalmente se
você consegue se manter nela por uma boa quantidade de tempo.
Coloquei
de lado todos os pensamentos negativos, e obtive nada além de uma mente sem
desejos - esta alegria está bem além do paraíso. Fiquei calada e quando me
levantei da cama com os olhos completamente abertos, nada vi.
O vazio é a teoria fundamental do budismo, principalmente do zen. O vazio está
intimamente ligado com Deus. Seguir aos caminhos opostos do que seja Deus - O
Tudo - é a maneira de mais se aproximar Dele.
O mundo desespera-se atrás de fama e
honra. Roupas bonitas e conforto. Mas estes prazeres não são a verdadeira paz -
você corre e permanece insatisfeito até a morte. Ainda vou vestir um kimono
preto e praticar o zazen com Oh de frente para alguma praia de Salvador.
Basta eu me concentrar com determinação que eu consigo chegar a alpha
rapidinho. Tanto quieta como em movimento eu vejo com os olhos a profunda paz
de espírito no meu interior. Minha mãe adora me levar na Seicho-No-Ie durante
os cultos, porque ela sabe que eu tenho uma facilidade incrível de me manter
bem longe deste plano. Eu escuto por lá o mantra: "a sabedoria eterna flui pelo
meu interior, flui pelo meu interior, flui pelo meu interior...". E dentro do
meu corpo parece que algo vai mesmo se modificando.
Sinto-me, às vezes, uma montanha. Com extensos vales verdes e ecos de silêncio.
Observo-me e procuro me conhecer intimamente. Gostaria de saber o verdadeiro
aspecto de toda ação e de toda a existência. Ser capaz de notar quando há o
equilíbrio, e compreender com uma mente que está totalmente calma. Assim, em
uma outra dimensão espiritual. A mais elevada no mundo. Além de qualquer
comparação.
Um velho buddhas disse, "As montanhas são montanhas, enquanto que a água
nada mais é que água!" Estas contudo não são as montanhas costumeiras que
as conhecemos. Estas são as verdadeiras montanhas dos buddhas e ancestrais; por
isto mesmo, devemos estudá-las. Se procurarmos por estas montanhas podemos
aprender com elas. É desta forma que montanhas e águas se tornam santos,
pecadores e sábios.
Musa
Louca
12:01:51. Vai
me condenar? [30]
segunda-feira, 27 de outubro de 2003
[ Minhas Palavras ]
Das minhas costas saem. Pássaros. Voam livres. Distantes. Das minhas costas
saem. Palavras e músicas. Tocam a sua melodia. Prende-lhe a atenção. Das minhas
vértebras saem. Gatos, cachorros, palavras, carneirinhos, bezerros, papagaios, doces,
chocolates. Das minhas mãos. Palavras e silêncios. Um toque. O destino traçado.
Na palma. Dos dedos. Saem fios e nós e fios e laços. Conosco entrelaçados. Do
meu umbigo saem palavras. E quase palavras. Do meu umbigo saem cortes. Foras.
Dentro. Dentro de mim há. Quase palavras, silêncios, ouvidos, receptores,
catalisadores, nós, escorregas, balanços, gangorras, vozes, cenas, espaços,
falta de espaço, amontoados, organização, misturas, pureza. Enlaçados.
Da minha garganta saem. Fios. Laços. Pedras. Água. Mel. Flores. Pedras ainda
maiores. Gradações. Absorve. Suga o que há. Dentro de mim escuto: é da sua voz
que eu preciso. Não do meu umbigo. É absorver o que eu quero. Sair para trocar.
Carinho. Não sair e acabou-se.
Quero receber. Pedras, gatos, mel, pedras ainda maiores, gradações, ouvidos,
vozes, quase frases, palavras, silêncios, toques, fios. Laços. Limpar o
excesso.
Preencher uma página. Preencher seus olhos. Com o meu excesso. Imagine. Veja.
Das minhas costas saem. Borboletas, fadas, escorpiões, pássaros, fios. De onde
não saem fios? Todos os espaços, em todos eles, há fios se enlaçando,
entrelaçando, dissolvendo, recortando, cortando, e se unindo.
Da minha boca saem. Veja você, não vou dizer, olhe minha boca e veja por si.
Mesma. Dessa mesma boca. Saem. Receptores. Poros. Espaços. Montanhas. Praias.
Areia. Dia amanhecendo. Chuva. Calor. Raízes. Asas. Folhas. Caule. Páginas.
Pétalas. Pés. Dos meus pés saem. Desenhos na parede. Palavras no teto. Bagunça
nos lençóis. Deslizes.
Do deslizamento saem. Palavras, quase, sim, saem, veja. Olha aqui. Meu umbigo.
Minha barriga. Pele. Boca. Saem, recebem, olha, fala, qualquer coisa, o que
você vê? Como ouve? O que saímos? Como chegamos? Já acabou. Começando: de você
saem - minhas palavras.
[ Na noite de Sábado ]
Perdida entre a confusão mental do barulho e do drink Screaming Orgasm percebi
nuances da minha vida que eu nunca irei esquecer. Vi você que é poeta, mas se
finge de louco. E num abraço torto sempre acaba virando tudo do avesso. Senti a
tristeza e a alegria com bastante intensidade. Se eu tivesse poderes
sobrenaturais de curar feridas do amor, acredite, a humanidade não sofreria mais
desse mal. E nem você, meu bem. Amo-te demais e você sabe disso.
Essa noite foi uma das mais divertidas do ano e a companhia não podia ser
melhor. Estava com a vizinha que me virtuou e ajudou a tequila correr rápida
pela minha corrente sangüínea.
[ Recado Direcionado ]
Perdoe-me a distância, a ignorância e a impotência. Senti a sua agonia, mas
nada pude fazer. Que droga. Nem um conforto e nem um carinho. Vou ficar
angustiada até a hora de ter notícias suas. Espero que os enjôos tenham passado
e que você esteja muito bem.
Musa
Louca
12:14:34. Vai
me condenar? [21]
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
[ A História do Layout ]
Não há nada demais em se apaixonar. Em encontrá-la na
esquina com o pacote de biscoito na mão e o olhar perdido na rua. Num reino
fechado. Onde apenas vive eu, ela e a imaginação.
Ela estava tão linda quando a vi pela primeira vez. Tão assim. Vestida de saia
e biquíni por baixo num desses lugarejos que você se esconde para tomar sol e
curtir a ressaca dos dias de verão.
Eu gostaria de parar o seu andar. Falar o quanto ela era bonita. Mas não tive
coragem. Quase nunca tenho coragem de dizer o que penso. Fiquei na minha,
sentado no muro, olhando ela atravessar... Ela passou e sorriu. Um sorriso
lindo. Mais claro que o dia.
Eu nem lembrava o que fazia sentado naquele muro perto da praia. E depois, já
não me decidia. Queria ficar perto da casa da moça de saia florida e biquíni
amarelo. Queria esperar ela sair e sorrir de novo. Só que dessa vez, para mim.
Só para mim. E foi por sorte que em alguns minutos ela surgiu. Sentou no mesmo
muro com o olhar perdido no mar. Ela virou sem mais nem menos e me disse o
quanto era maravilhoso olhar para o horizonte e ter a certeza de que uma
surpresa boa está sempre à espera...
Passamos o verão inteiro juntos.
Passamos momentos bons e ruins depois deste verão.
Mas, como a realidade não é um conto de fada, o amor e o encantamento acabaram.
Eu voltei a realidade cruel do meu dia-a-dia. A minha falta de amor pelo
próximo. E a minha rotina cheia de tecnologia. Mas todas as lembranças estão
guardadas em um mapa na minha mente. Às vezes, eu resolvo percorrê-lo para
matar a saudade de uma época que eu tinha alguém especial do lado.
Perco o horário com o passado. Em vez de terminar o relatório. O relógio não
volta para trás. Já devia ter aprendido isso. Sinto-me um otário (É nessa parte
que entra a consciência-macaco dele. Viva a sobrevivência!).
Nota: Agradeço a todos pelo carinho e atenção. Amei as várias versões
para o layout. Em especial a do Zen (tão suave), Calanga (ótima tirada! risos),
Matt (que chegou a fazer um post imensoooooo), Lalim (dei muitas risadas) e a
Isabel (bemm viajante...).
Obrigada por participarem! ;o) Um bom final de semana para todos!
Musa
Louca
12:45:50. Vai
me condenar? [22]
quinta-feira, 23 de outubro de 2003
[ Layout: I Miss You ]
Você consegue entender? Você sabe que história há por trás dele?
Musa
Louca
12:21:22. Vai
me condenar? [21]
quarta-feira, 22 de outubro de 2003
[ The Sin Eater ]
Toda alma tem seu preço.
Um suspense sobrenatural de arrepiar. Com o menino lindo Heath Ledger.
Um dos filmes mais conhecidos que ele atuou é "10 Coisas que Eu Odeio em Você"
de 1999.
Aguarde, dia 24 de outubro nos cinemas: O Devorador de Pecados.
Uh uhhhh... Coladinha.
[ Esclarecimento ]
Depois de receber vários e-mails a respeito do post do dia
30.09.2003, resolvi esclarecer publicamente o fato. Não que eu não goste de
receber e-mails, muito pelo contrário, mas é que estou cansada de repetir a
mesma coisa várias vezes. Então, segue este esclarecimento público sobre o que
aconteceu.
Quando eu resolvi disponibilizar os meus textos na web, eu sabia exatamente os
riscos que corria. Antes eu os enviava aos meus amigos em uma lista particular.
Comecei a notar que alguns não se importavam e nem faziam questão de ler.
Então, para tornar as coisas mais democráticas, aproveitei o blog que criei
para o meu ex-namorado e comecei a publicar todos os textos nele.
Eu tenho uma mania terrível de escrever. Quando começo, não
paro. Até meros bilhetes se transformam em textos nas minhas mãos. Risos. Oh e
Doris falam e falam a respeito do livro que eu faço nas provas de Teoria da
Comunicação. Sou assim mesmo. Graças à Deus.
E eu, realmente, não me importo que os meus textos fiquem passeando pela net
sem a minha autorização ou crédito. É chato. Deixa-me muito triste. Mas... Vou fazer o quê? Jogar pragas? Registrar os
trocentos textos que faço por semana? Ai ai. Se todos os meus problemas fossem
esses...
Tenho como sonho o dia em que irá circular um texto meu pela net com a
assinatura de Luís Fernando Veríssimo ou Pablo Neruda. Risos.
[ Recado Direcionado ]
Estava tentando elaborar uma poesia para colocar neste espaço. Tentei. Tentei.
Tentei um tempão e nada. O pessoal do trabalho chamando, o telefone tocando e o
mundo se acabando no Piauí. Não consigo. Desisto. O cara lá da outra ponta do
Nordeste, palavras dele, fica traumatizado e estressadinho com o meu sumiço aqui.
Um tantinho de minutos fora da janela do mensageiro. Oxente, fica assim não bichinho...
Eu sempre acabo voltando, viu? ;o)
Musa
Louca
12:04:07. Vai
me condenar? [26]
terça-feira, 21 de outubro de 2003

[ Feliz por Ser Tia Novamente ]
Eu quase não acreditei quando o meu afilhado me disse
baixinho no ouvido: "Mamãe está grávida". Lembro-me como se fosse ontem, todo o
sufoco que foi para Igor vir ao mundo. Carminha sempre teve problemas de anemia
e uma série de complicações. O que tornava quase impossível manter uma
gravidez. Na primeira vez - não deu certo. Foi uma catástrofe. Ela lutou
bastante, mas perdeu uma linda menininha de oito meses por causa desses
problemas e placenta prévia. Eu e minha mãe fizemos o enterro do bebê, pois
Carminha estava no hospital se recuperando. O pai não teve coragem. Eu também
não tive. Mas fui. É uma dor incrível. Tão linda. Tão doce. Parecia dormir.
Demos o nome de Maria.
Uns três anos depois veio o moleque mais sem vergonha, risonho, dançarino e
carinhoso do planeta. A gravidez também foi muito difícil, mas ele foi forte e
decidido. É. O meu lindo afilhado que só me cumprimenta com beijinhos nos olhos
fechados. Primeiro ele me pede para fechar. Depois vem, beija um e depois o
outro. Ano que vem ele faz sete anos, e é super alto para a idade que tem. Numa
pista, é a sensação. No meu aniversário, ele foi meu parceiro de dança. Ninguém
dançava comigo a não ser ele. Risos. É
viciado em campeonatos de BeyBlade e em jogar vídeo-game. Só tem problemas
com a alimentação. Não come quase nada. A não ser besteiras. Razoavelmente
normal para idade. Ahn-ahn. Assim como a criança de Santo André que troca
comidas saudáveis por lanchinhos o dia inteiro.
Espero que este bebê também lute por um cantinho neste planeta. Por mais cruel
que ele seja. Eu amo estar viva. Amo viver neste mundo e em todos os que eu
crio. Agora, estou aqui na torcida. Cheia de esperanças e cuidados com a futura
mamãe. Tenho certeza que vai dar certo. Ontem quando cheguei em casa, já me
deram a notícia que ela passou lá para pegar um complexo de vitaminas. A médica
passou e minha mãe, a futura madrinha, comprou para ela. É... minha mãe já está
cuidando do seu ou sua afilhada(o). Ah, mas não vou mentir... Tô torcendo por
uma menina. ;o) Mas não importa o sexo, quem vier, será muito muito muito bem
recebido. Será coberto e protegido por muitooooos beijinhos e amor.
Alegria de filha única é assim: ser adotada por outras famílias para ser tia.
Risos.
[ Luv My Life ]
Amo esta vida de acordar cedo, trabalhar, estudar, dormir e voltar de novo ao
início. Amo saber que tenho trocentas coisas para fazer e que não dá nem para
concluir a metade ao passar do dia. Amo descer e subir escadas de queixo para
cima. Porque não estou afim de ficar ainda mais down. Amo estar naquela fase:
"Tô cansada, e daí? Vá procurar poesia em outros olhos". Ah, eu sei. Eu sei que
meu humor oscila de acordo com o céu acima da minha cabeça. Horas tenebroso,
horas iluminado. Eu e o tempo louco nesta correria.
Mas, francamente, não tenho tempo para as loucuras do tempo e da minha cabeça.
Dá para entender? Não. De repente, volta a ser inverno na primavera. Viva! Amo
viver nesta estação.
 Em repeat no Winamp: Luv Your Life - SilverChair.
Musa
Louca
15:21:12. Vai
me condenar? [16]
segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Eu precisava fazer algo diferente com o colorido dos
minutos que insistiam em passar rápidos demais. Magoada e ferida por não ter
nenhuma das minhas expectativas correspondidas, eu nadei em busca de motivos
tristes e torpes. Aqueles refletidos no seu rosto desviado do meu. Bons-maus
motivos. Você faz juz ao ditado que diz "quem com ferro ferre, com ferro será
ferido". Cansei de consentir a dor e pedir por um carinho. Por um olhar doce e
meigo. E por um beijo que fizesse o meu coração parar de bater um tempo.
Resolvi libertar-me das amarras. Resolvi mais ainda. Ser volúvel, prática e
terrorista. Vender o meu corpo e minha alma na próxima esquina. Ou, assim que
descesse a ladeira. Ofertas foram feitas. Mas o preço é muito alto. Desista.
Você não tem condições de pagar. De me tocar. Isso é comigo. Só comigo.
Atirar-me ao desperdício (confere?) foi a maneira que encontrei para fugir da
confusão inserida na minha cabeça depois de tantas coisas mal resolvidas.
Depois de uma semana na qual os meus sentimentos ficaram à flor da pele. Eu até
me acalmei por alguns momentos virtuais criados pela ilusão da existência de um
nirvana. Amei cada instantinho de luz proporcionado por esse lugar mágico. Mas,
assim que retornei do paraíso, como uma boa pecadora, resolvi esquecer tudo
isso.
Entreguei-me ao destino, e a certeza de não encontrar o mal sem mais nem menos
no meio da rua. Fui procurá-lo. Conheço o jogo. Sei como achá-lo e a cada dia
aprendo com ele como melhor blefar. Só que dessa vez, alguma coisa realmente
tinha mudado entre nós. Estranho. Depois de ter tomado 3 copos de veneno, eu o
desafiei como nunca havia feito. E impus a minha presença no seu baile
sanguinário (de corações despedaçados). E dancei. E cantei. E matei todos os
seus guardiãs. E mordi a sua boca. E me adonei dos seus poderes. E, agora, sou
eu que controlo a sua permanência na minha vida e tudo o que eu tenho a lhe
dizer é:
"Prazer em conhecê-lo,
Espero que você tenha adivinhado meu nome, oh sim.
Mas o que está te confundindo
É a natureza do meu jogo,
Oh sim, relaxe, baby.
Prazer em conhecê-lo,
Espero que você tenha adivinhado meu nome, oh sim.
Mas o que está te confundindo
É apenas a natureza do meu jogo.
Da mesma maneira como cada tira é um criminoso,
E todos os pecadores [são] santos,
Como caras são coroas,
Apenas me chame de Lucifer,
Pois estou precisando de um pouco de moderação.
Portanto se você me encontrar
Tenha alguma cortesia,
Tenha alguma simpatia e um pouco de bom gosto.
Use de toda sua bem-instruída polidez
Ou eu destruirei sua alma, sim.
Prazer em conhecê-lo,
Espero que você tenha adivinhado meu nome, sim.
Mas o que está te confundindo
É a natureza do meu jogo, baby, relaxe.
Oh sim, relaxe,
Oh sim,
Oh sim!
Me diga, baby, qual é meu nome?
Me diga, docinho, baby, adivinhe meu nome.
Me diga baby, qual é meu nome?
Te digo uma vez, você é o culpado.
Oh, sim.
Qual é meu nome?
Me diga, baby, qual é meu nome?
Me diga, doçura, qual é meu nome?
Oh, sim ."
Sympathy For The Devil - Simpatia Pelo Demônio (Jagger/Richards) - The Rolling Stones
Quer que eu cante para você?
Musa
Louca
15:49:32. Vai
me condenar? [17]
sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Estou aqui na sala-perdida-no-meio-do-mato tendo uma crise.
Roendo as unhas. Não sei o que comprar de presente de aniversário para o meu
pai. Ele é o típico sujeito que tem trocentas quinquilharias "muti-uso" no
armário, sabe para que serve todas, mas não utiliza nenhuma. E ter esse monte
de besteiras o enche de orgulho e satisfação, principalmente quando alguém lhe
diz que algumas delas são muito boas.
Não. Definitivamente eu não vou comprar nenhuma dessas
bobagens. Tô pensando em uma meia com um monte de desenhos do Snoopy bordados.
Risos. Ele pode até não gostar. Mas que vai ficar uma graça nele, isso vai! ;o)
[ Sexy&Blergh ]
Ontem fui a mais um show erótico da banda The Honkers. Como
sempre Rodrigo fez um verdadeiro strip-tease de deixar qualquer mulher
doida... Doida para cair fora. Risos. Principalmente depois de presenciar a parte mais sedutora da sua performance:
colocar o microfone na b**** por dentro da cueca. É triste meninas, mas Rô mantém a maldita cueca (oh-oh). Ele só
baixa um pouco a parte de trás para fotos de divulgação dos seus pêlos nesta
região. Agora, fiquei pasma mesmo foi com a desenvoltura dele de se embrenhar
com a cadeira. Só dava para perceber qual era a perna de quem, depois de
lembrar que a cor da cadeira é verde. E prefiro nem descrever aquela cena fatídica
das botas. Argh. Passei mal só de olhar.
Brincadeiras à parte, o show foi ótimo. Tanto pela alegria,
pelas performances, pelos músicos, e principalmente, pelas músicas deliciosas
de ouvir e dançar. Em especial aquela que você dedicou para a chata aqui :p
(Rô, eu só virei o rosto naquela hora para não lhe dar língua! :pppp). Ai ai...
ainda vou escrever um post imenso ouvindo Between The Devil and The Deep Blue
Sea e expor tudo o que ela representa pra mim.
Muito sucesso com a turnê! E para a galera que acessa este
cantinho, não perca o show da banda The Honkers. quando ela estiver em sua
cidade.
As fotos do show de ontem serão disponibilizadas assim que
Kruel me enviar. Kruby, hoje eu não sei se vou para o show da Retrofoguetes
(SurfMusic). Eu preciso dormir, sabia? Mas, amanhã, show da Rolling Stones
Cover com meu amigo Portuga, eu não posso perder. Ainda tenho direito a show de
graça?? Diz que sim! :o)
[ Direto do quintal ]
Não sabia que bem-te-vis eram carnívoros. Apesar de comerem
praticamente de tudo, dependendo da disponibilidade eles comem insetos, minhocas
e até filhotes de outros passarinhos. Um bem-te-vi bandido (a cabeça dele
parece coberta por um capuz, agora que sei que ele é criminoso) acaba de raptar
um recém-nascido de um ninho de pardal. Está agora batendo ele contra um galho
e comendo o cadáver.
E depois querem me convencer que a natureza é fofa e
bonitinha.
Ressuscitando...
[ Da série: Cadê o John Cobbert da Minha Vida? ]
Gostaria de dançar embalada em seus braços a música Stuck on
You do Lionel Ritchie. Olhos nos olhos e o vento cruzando os nossos sussurros.
Em um terraço iluminado por luz de velas e de frente para o mar. Ah, e um céu estrelado fazendo parte de todo esse cenário.
Musa
Louca
13:27:39. Vai
me condenar? [30]
quinta-feira, 16 de outubro de 2003
[ Civilização ]
Estava sentado e o outro veio sentar-se ao seu lado. O banco
da praça foi feito para pessoas sentarem. Mas o outro sentado aproxima-se e
chegando sempre, sempre mais, o obriga a levantar-se. Muda para a outra borda e
nada reclama. Já sentado neste outro lado, o outro repete o procedimento e bem
comportado volta a trocar de posição. Só que agora, diante de seu silêncio, o
outro retorna bruscamente e sem deixá-lo mais levantar-se, derruba-o.
[ Procura-se ]
Procuro emprego.
Se há uma vaga, em algum canto do mundo, não coordenada por
mulheres mal-comidas, favor avisar-me. Eu, sinceramente, não estou agüentando
mais conviver com essas criaturas. É como se eu estivesse lutando contra o
invisível. Arf.
Vou tomar um café e já volto.
[ Recado Direcionado ]
Não há nada que me impeça de ir ao show. Without you, I'm nothing.
Musa
Louca
14:17:43. Vai
me condenar? [19]
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
[ Ajude-me a fazer você crescer ]
Menino abandonado. Sexo frágil. Não aprende a viver. Deixe que lhe acaricie a face e encontre o sorriso. E, mesmo assim, se mal uma lágrima disfarce, deixe que eu mesma lhe sirva de abrigo. Aprenda a ver nos meus olhos a força que necessita. Ou então, deixe que eu não faça das tuas fraquezas, a minha fortaleza. E não zombe dos meus erros. Ao invés, corrija-os. E dê-os como exemplo para não mais repetí-los. Nem tu e nem eu.
Na mistura entre nós dois, eu lhe perco e me acho dependo do seu abraço.
Deixe que eu seja um riso, um grito, um pranto, ou um poço de sonhos. Mas que o deixe crescer. E, quando por acaso caia, ajude-o e levante-o.
Torne o meu sentimento a tua companhia. E as minhas palavras, um bálsamo.
Deixe que eu seja um símbolo da humanidade, faça a minha onipotência. E, quando fale, seja mais para elogiar do que ferir. E mesmo criticando, corrigindo ou repreendendo, seja sábia e humana; E coloque-me no lugar de qualquer tolo, pobre e vazio que nunca ouviu o ruído da sua criança interior, e nem sequer o tilintar da esperança!
[ Recado Direcionado ]
Obrigada pelos posts dirigidos a minha pessoa. :o)
Musa
Louca
15:39:50. Vai
me condenar? [21]
terça-feira, 14 de outubro de 2003
Gostaria de poder sair daqui.
Queria ser capaz, ter forças para fazer essa parede de pedras e cimento
sucumbir à ação de minhas mãos trabalhando com fúria. Escavando, cavoucando,
preenchendo as unhas com sujeira e fragmentos de pedras e cimento. Acabar o dia
coberta de cimento nas roupas, nos olhos, nos cabelos. Reduzir o cimento a pó e
atravessar a fronteira.
Gostaria de poder sair daqui.
Serrar essas barras de metal maciço sujas de tinta bege escura e cinza.
Acabar com as barreiras que nos separam e nos fazem pensar porque ficas aí, tão
longe e branca a me iluminar e me assistir morrer nas noites frias.
Gostaria de poder sair daqui.
Minha casa é tão sem graça. Um colchão fino e úmido, travesseiros mofados e o
espelho que me dá recados de que ainda estou viva, às vezes. Copos de água suja
me aparecem uma vez por dia, junto com pães de sabores salgados que jamais
identifiquei a origem.
Gostaria de poder sair daqui.
Meu único amigo é o carcereiro, que passa me olhando com pena todas as noites,
antes de sair para ouvir o que a lua tem para lhe dizer. A lua, branca e linda,
chora no céu perdida, sem poder me acalentar. A luz que sai de lá não é
suficiente para me aquecer, me libertar.
Gostaria de poder sair daqui.
Entrar em um foguete e ir pra perto de ti, descer da nave e ficar correndo em
tuas planícies até me cansar, dormir em teus vales e esquecer que estou a
quilômetros de casa, que estou no céu, junto dos passarinhos.
Hoje me deram a chave.
Limpei-me, troquei de roupa e fui-me.
Cheguei em tua casa e portas fechadas, luzes apagadas. A lua ainda iluminava
mas a mesa posta na casa escura não me saía da cabeça. Passei a noite do lado
de fora da janela, olhando para dentro.
A lua tentou me fazer sorrir, mas o sol chegou logo pedindo espaço e tive que
sair de perto. Quis entrar mas bati e ninguém abriu. Insisti e ninguém abriu.
Chorei e sentei na calçada, e alguém me convidou para entrar.
Mas quando a lua saiu novamente e fui admirá-la, a porta se trancou às minhas
costas. Voltei para minha prisão.
Não tenho paz.
Não tenho amor.
Mas ao menos tenho água e tenho pão.
- Tudo o que eu quero é te fazer sair da tua prisão. Me ajuda?
- Não.
Foi a primeira vez que um texto meu marcou a vida de alguém. Quando eu o
escrevi tinha 19 anos... Quantos anos você tinha em 1998? O queijo-de-minas já me
inspirou várias poesias e rege o meu signo. Sou de lua. Sou de câncer. Sou
louca. Sou pecadora. Estou cansada de avisar. E quem não gosta de mim do jeito
que eu sou, por favor, vá embora.
[ Recado Direcionado ]
Anderson-Teresina-PI, por favor, deixe seu endereço de e-mail ou weblog para que eu possa responder aos seus comentários. Obrigada pelo carinho e pela confiança em desabafar neste cantinho.
Musa
Louca
10:15:10. Vai
me condenar? [33]
segunda-feira, 13 de outubro de 2003
[ Dia das Crianças ]
Para os pais os filhos nunca crescem.
Mamãe me deu presente.
Papai me ligou e mandou muitos beijinhos por este dia. ;o)
Musa
Louca
14:58:27. Vai
me condenar? [13]
[ A Little Bit of Me, a Little Bit of You ]
Apesar de todos os amigos que possamos ter no mundo, algumas vezes cenas
marcantes não são catalogadas devido a eles. Sabe, estou com uma sensação
incrível de ver o filme retroceder para o ano passado. Como se eu tivesse
novamente encontrado com Kruel depois de longos meses separados, ele me olhasse
nos olhos e ambos pensássemos a mesma coisa: "we're alone again". Isso
determina uma das memórias em que, vistos corações vazios, a reflexão é dada entre
uma cara fechada ou um brilho de lágrimas - algo que representaria nós mesmos
se em propensas horas nossas vidas fossem catalogadas em arquivos de vídeo.
Há vários clichês da vida real que podem ser utilizados. Nossas lembranças são sempre
lembranças de uma aglutinação formada por tendências culturais consumidas e,
flexíveis à mente, guardadas por nós.
Quando o tempo ou a fase nos apresenta nós mesmos e nossos conhecidos separados
de seus objetos de afeto, lembranças de momentos em que estivemos unidos
poderia encadear reflexões solidárias.
Cada relacionamento possui seu próprio glossário. São apelidos dados, são
atividades comuns que ganham nomes diferentes, são metáforas que ganham vida às
analogias construídas pelo conseqüente afeto entre duas pessoas.
Apesar de todos os filmes ou seriados ou programas que possamos assistir,
algumas vezes idéias marcantes não são catalogadas devido a eles. Há alguns
anos atrás, um amigo meu me passou a receita de seu projeto colheirinha: todo
dia uma colher de açúcar deve ser inserida no relacionamento entre dois
corações, onde coração I coloca uma colherinha no coração II e coração II
coloca uma colherinha no coração I - atingindo o plano par pertencente ao nome
"relação afetiva que dá certo". Às vezes um dos corações pára de inserir açúcar
e o troca por sal. Às vezes isso deveria bastar para colocarmos de lado, nossas
colheirinhas.
Em repeat no Winamp - A Little Bit of Me, A Little Bit of You - Monkees.
Musa
Louca
10:20:34. Vai
me condenar? [13]
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
[ Desperdício ]
Quanto desperdício de energia. Por tão pouco.
Quanto tempo jogado fora. Por tanto tempo.
Que demora para aprender e perceber o sentido das coisas.
Quanta migalha disputada. Por quem tem muito.
Quanta pobreza a persistir entre eles.
[ Irrelevância ]
Caiu de minhas mãos o livro
E, o chão atingindo, lá ficou,
Aberto, na página vinte e três.
[ Um Presente do Passado ]
Antes, Benny The Dog. Agora, Sérgio.
Antes, Love Letters. Agora, Musa Louca.
Aqui está um presente seu que eu guardei com imenso carinho. ;o)
Isso é para você perceber que não te esqueço!
Musa
Louca
13:11:12. Vai
me condenar? [28]
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
[ You should do it now while it's on mind ]
Quando ele olhava pra mim sem piscar, era porque ele estava me paquerando. De-li-be-ra-da-men-te. Então, seu olhar ia se desviando em direção a minha boca. E estacionava lá, me deixando embaraçada. Ele costumava dizer que eu fazia caretas quando o paquerava, mas acho que ele nunca descobriu qual era o meu verdadeiro rosto de amor. Fiquei me lembrando disso no retorno da minha caminhada matinal. Resolvi de uma vez por todas esquecer a academia. Musculação e aulas de swing baiano não são para mim, ainda mais às 7 horas da manhã. Era crueldade demais comigo mesmo: agüentar músicas de axé duas vezes por semana. Faz algumas semanas que sai e juro, quase nem acreditei que tive coragem de conviver com pessoas de uma diferente realidade. O que era para ser prazer, estava virando tortura.
Acho que estamos nos dando bem apesar de nos mantermos quase a semana inteira a distância. Pela primeira vez na vida, não estou tendo crises de carência afetiva absurda. O trabalho e os projetos de faculdade me consomem. Vejo os dias passarem como se fossem sonhos. Os eventos acontecendo rápidos demais. As horas me destruindo. Várias ondulações das minhas ondas cerebrais e do meu humor. Mas carência, não. Só saudades. Saudades movendo meus batimentos cardíacos para acelerados quando penso nele. A qualquer momento. Todas as noites. Ainda não consigo aceitar deixá-lo solto pela cidade sem lhe dar um beijo no rosto ou coçar as suas costas.
Durante essa noite, depois que desliguei o telefone à toa, resolvi dar uma "ajeitada" no quarto e dar uma olhada nas coisinhas que ficam espalhadas e encaixotadas. Materiais escolares (risos), livros da puberdade e da adolescência - De onde nós viemos (já leu?) e a coleção Vagalume completa (com certeza algum desses você já leu), fitas de vídeo com gravações de filmes da sessão da tarde, clips e shows, coleções de adesivos (um monte de cartelinhas), cartas e boletins, cartões de aniversários e fotos de antigos amigos, agendas de poesias, fitas cassetes e vinis não vendidos em cebos, badulaques jamais
jogados fora e dezenas de quinquilharias que fizeram parte daqueles anos que vivi "in la vida loca" (será que já sai dessa fase?). Eventualmente um de nós se lembra de alguma coisa legal guardada dentro das caixas e se pergunta se alguém um dia vai querer ver. É sempre uma diversão a parte porque várias coisas descobertas levam a outras num ciclo vicioso sem fim. Fiquei triste por ter dado aos meus primos uns gibis do Homem Aranha que durante anos colecionei. Também por ver as várias fotografias que Tio Bené tirou em suas viagens pelo mundo. Os bibelôs da minha vovó gaúcha. E fotos de alguns dos verões em Mutá de férias, lembro que gostava de jogar banco imobiliário e que adorava usar preto e roupa rasgada quando era aborrecente. E um ato heróico: tirei o meu primeiro dentinho de leite sozinha, escondida do meu pai que queria ajudar. Fiquei
sentada nos pés da cama - abrindo o bocão e puxando-o até arrancá-lo.
Mas foi abraçada a uma foto minha com meu pai na casa de Piratini no carnaval deste ano que eu literalmente "apaguei" recostada nas margaridas-almofadas. A arrumação vai ficar para outro dia. E ele (não o meu pai) na minha mente assim
que amanhecer.
Em repeat no Winamp: You should do it now while it's on mind - Mike Kinsella. OWEN é o nome do disco, e supostamente o apelido de seu carro.
Musa
Louca
12:09:28. Vai
me condenar? [40]
terça-feira, 7 de outubro de 2003
[ Leituras na Primavera - The End ]
A renovação e a troca. Por que deixar à mostra as flores
murchando? A venda - quem compraria - daquele jeito? Em que estavam - olhei para trás. Só para ver como estavam as
outras flores. E se foi meu humor que me fez reparar nas violetas brancas e o contraste vermelho. O(a) papagaio(a), a vizinha, Kruel e nele. Eu esqueci de manter o quarto arrumado. Mas acho que não serei condenada por isso. Ontem, sentei no batente do quintal. Olhei para as estrelas. E o peso do cansaço desceu de vez sobre os meus ombros. Não estou sabendo como coordenar o meu tempo e desenvolver tantas tarefas. Apenas escrever me relaxa. Desabafar: faz-me criar asas. Sentir. Longe. Breve. Livre. Beijei a papagaia (aceitei a condição), peguei-a com as palmas das mãos. Mesmo sonolenta. Ela adora meus carinhos. E eu, de encostar a cabeça nas asas dela. Liguei o som e fiquei ouvindo todas as mp3's de todos os cd's que eu baixei do Suede. Eu não tenho moral. Não comprei cd's da minha banda preferida. Não sei o que é varrer um quarto. Lavo a louça quando está muito quente e quero brincar com a água. Espuma, esponja, torneira, gotinhas de água saltando no peito e no rosto. Escorrendo pelos cotovelos. Refrescar-me os princípios. "e a sua vida breve é, num clarão de beleza, a realização do amor". O jardim das flores, o papagaio, ele, a não-ligação - o papagaio assobiando, falar. As hélices do ventilador girando. O novo livro - fui comprar. Parada ouvindo Suede + Ella Fitzgerald. Enquanto eu dançava fugiram todos os pensamentos. Escaparam da mente. Recaíram em você. Parado, recaído. Eu disse que precisava fazer uma tatuagem. Li que cada tatuagem é um início - eu não disse preciso, aliás, falei quero. Ele perguntando: sabe quantos eu - quero você - já disse? Quantos eu-quero. Já disse? O quanto eu quero, final de um ciclo - eu falei que cada tatuagem que eu fizesse seria um final de um ciclo. E um princípio. Conversa boba - eu quero, eu quero, eu quero. Por onde eu vejo. Escaparam dele. Ele não entende a poesia nisso tudo. Não gosta de tatuagens. De um gole só - uma caneca de café. Para escrever enquanto o vento balança meus cabelos. Breve e livre, cinco parágrafos até o café terminar. Cansada de ficar. A frase que tirei do livro. Sentada ali. Comprei um livro do Nabokov. "O céu está lavado, as nuvens são novas, o ar não contém mais os gás dos automóveis, em lugar algum se matam mais cordeiros e andorinhas. Em breve tília vai florir e receber abelhas, as rosas vão se abrir e de noite o rouxinol cantará que o mundo é uma alegria única. Tudo recomeça, com...". Mais um café e
mais um princípio, mais sonhos e mais cotidiano, mais cotidiano nos sonhos. Mais uma fuga. Mais desejos. Mais pecados. Passando de novo pelo jardim de flores, na entrada. E indo embora. "Jamais me habituarei à primavera. Ano após ano ela me maravilha. A idade em nada a altera, nem o acúmulo de dúvidas e de amarguras. (...) E eis-me de novo certo de que tudo é justo e está bem, de que nossa falta de jeito é que provocou o inverno e..." - René Barjavel.
[ Recado Direcionado ]
Fico contente que tenha gostado do cd Sleeping with Ghosts do Placebo. Para mim é o melhor cd do ano.
Musa
Louca
10:38:14. Vai
me condenar? [39]
segunda-feira, 6 de outubro de 2003
[ Leituras na Primavera - Parte 01]
"nas imensidões cultivadas ou selvagens, sobre cada
centímetro quadrado de terra não deserta, há o prodigioso desdobramento do amor
vegetal, silencioso e lento".
Chorava. Passeando pelo jardim cheio de flores - todas elas murchando. As
violetas brancas murchando - e a rosa vermelha, aberta. As outras semi-abertas.
Meu olhar se deteve nas violetas murchando e na rosa vermelha aberta, passeando
por outros tons que em pouco - por se abrir. Ah, tem flores laranjas na minha
janela também. Tempo. Por completo. Pétalas. Abri os olhos. Mas eles não
estavam abertos? "Eu estou sonhando? Encontro-me aqui ou lá? Estou delirando ou
o chão fugiu dos meus pés?" Olhei para frente.
Charada na área de serviço. De cabeça para baixo se balançando. Não seria um
morcego? Não. Charada não é menino. É menina. Não sei que nome escolher para
ela(e).
Curiosidade. A vizinha veio me perguntar como estou depois do acidente de carro
na sexta. E a gripe. Entupida. Vias respiratórias. E sangüíneas. Meu braço
violeta. Violeta roxa dolorida na janela. Como essa senhora sabe? A rua sabe.
Eu não sei como estou. Não queria estar. Aqui. Só com ele. Ele... ele está
longe. Mas por alguns momentos. Mente presente. Corpo dentro de mim.
Voltei a cozinha e tomei um gole d'água, livrando os pés das sandálias, caindo
no chão do quarto - as sandálias. Deitada na cama, abrindo um alfajor, ligando
o ventilador. A campainha tocava. Girava as hélices do ventilador. Meus pés se
mexiam, livres, tornozelos na cômoda, eu abraçando minhas margaridas, e me
mexia, livre. Kruel abraçou as margaridas com carinho, alma livre (será?). A
campainha tocava. Girando as hélices do ventilador.
O telefone tocou várias vezes no momento em que estava na melhor parte do
relaxamento: o cochilo. Acordo assustada. Vento sopra forte. Eu arrumei mesmo o
quarto. Tudo está arrumado e em ordem por algum tempo. Neste espaço. A
campainha toca. O(a) papagaio(a) assobiando. Girando as hélices. Atendo a
porta. Não é a vizinha. É ele. E o mundo retorna, só que vermelho intenso. Ele
vai embora. Tudo estaciona do nada. Não tenho moral. Nenhuma. Em lugar nenhum.
E que assim seja - eu tenho meus princípios.
Chorava. De cansaço. De impotência por não poder realizar meus trabalhos. Nada
a fazer com o micro neste estado. Não posso lutar com o invisível. Mas é o que
sempre faço. Chorava, descendo os dois batentes do quintal lendo. Uma passagem
do livro levou. Ao choro, breve, e livre. Os edifícios vão me olhar? Vão me
olhar? Breve e livre. Vão me dizer que não se chora na frente de todos? Vão
imaginar que eu estava triste? E que bobagem de entristecer por um livro - e que bobagem, transbordar
admiração. Chorei pela passagem. A intensidade da passagem. Eu vejo perfeição
na intensidade. Sinto que ela é perfeita - é essa a vida? Onde está a vida? Por
onde eu vejo.
Em repeat no Winamp: danteinferno: Soma.

Musa
Louca
10:59:11. Vai
me condenar? [23]
sexta-feira, 3 de outubro de 2003
[ Cavalgar em ti ]
chega de longe
tua voz de veludo e
me traz tua imagem
te posso tocar
meus dedos se crispam
em teus pêlos macios
me enredo em seus fios
pingentes de geada
que roçam meus seios
e os fazem empinar
aliso tuas coxas
de pele sedosa
apalpo teus ombros
tão largos tão fortes
trementes gozosos
cavalgo teu corpo
e nas tuas virilhas
se aproximam meus pés
mais dois movimentos
rápidos e certeiros
te dão cutiladas
te dilatam as narinas
te fazem arfar
deslizo meu corpo
te enrosco o pescoço
transborda meu poço
banhando teus quadris
eu me unto me molho
me drogo perfumo
no cheiro agri-doce
do teu suor
resfolegas indócil
e eu te submeto
aplacas tua ânsia
bebendo voraz o elixir
dos meus peitos
galopo audaciosa
vencendo teus montes
atiço o animal interno
tu inquieto sestroso
assanhada a melena
eu o puxo de vez
pelos seus cabelos
te domo te freio
te solto e
matreira
então abro
minhas coxas e
me tens afinal.
[ Beijo na Praça ]
Smack. O mundo vai parar apenas para ver o seu sorriso sem graça depois de um beijo caprichado na praça. Você passa várias vezes por ela e não sabe... que a qualquer momento pode me encontrar sentada por lá.
[ Pedido ]
Alguém tem um tylenol, please? Acho que estou novamente com febre.
Musa
Louca
12:35:56. Vai
me condenar? [25]
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
Entre um delírio e outro sentimento, eu sei que você está ao
meu lado me velando. Quietinho. Só para ouvir as nuances da minha respiração
pela boca pesada-ininterrupta. Eu me permito sentar na cama. Calada. Muda. A
espera do que irá me dizer depois de um beijo estalado. Dado há alguns segundos
atrás. Então, no silêncio sepulcral que se instala entre nós dois, uma música
toca na vitrola da minha mente.
"i will live and then decide. i don't care about my life - but i do. i've lost control. i saw the end. i've tried but you know that
dreams burn down. i wish i were the same, i wish were always the same.
saw my mother in a bed. lost my father who cares? do you? your soul leaves your body now. your spirit deserts your smile and i wish. i wish i were the same, i wonder if i could be the same. so, i still carry the blame and i am waiting for my friends,
my son, my mother. i've wasted all my time, know it can be futile. know that sing my life and that i'm not so far away from you. so, i still carry the blame and i am waiting for my friends, my son, my mother. i've wasted all my time, know it can be futile. know that sing my life and that i'm not so far. i've wasted all the time trying to change my mind. know that
i sing what i am, know what i trust you, son.". Pillow Book, a film by Peter Greenaway. Pillow Book, song
and lyrics by Messias (Brincando de deus).
Eu não estou mais aqui. O que leu já se desfez dentro de mim. Sou palavras perdidas. Um hipertexto ambulante. Sempre à procura de abraços.
Musa
Louca
14:23:20. Vai
me condenar? [25]
quarta-feira, 1 de outubro de 2003
[ I can hardly spell my name ]
Depois que desliguei o telefone ontem à noite, uma sensação de vazio se apoderou de mim. Resolvi dar uma volta na pracinha em frente à minha casa. Dei algumas voltas até sentar num banco mais isolado. A garganta doía. Mas não estava disposta a tomar nada para sarar. Queria falar com ele. Que se interessava por ecologia. Aventureiro de céus e mares. Ele tinha certeza que as joaninhas eram amigas dos besouros, mas eu disse que não acreditava, pois por ser o besouro maior, ele poderia comer a joaninha quando sentisse fome. Se lagartixas comem pernilongos, eu havia dito, por que um besouro não comeria uma joaninha? Porque o besouro é apaixonado pelo colorido da joaninha, ele disse. Imagina, eu disse sentando na cama meio inconformada, insetos não se encantam por outros insetos. Engano seu, ele nem titubeou em responder, o besouro idealiza na joaninha a besoura diferente, cheia de novos encantos e alegre e pensa que jamais encontrará em sua própria espécie. E será que a joaninha também idealiza no besouro o amor da vida dela, perguntei. Se eu te disser que sim você vai me dizer que gostaria de ser uma joaninha?, ele me perguntou risonho.
Possivelmente, respondi. Então, estou saindo daqui agora, ele disse. Onde você vai?, perguntei curiosa. Vou em um lugar aqui perto, ele respondeu. Você disse que estava cansado, achei que queria ficar deitado, falei em tom saudoso - não queria desligar. Mas eu preciso fazer uma coisa, ele disse, percebi agora. O que é?, perguntei me levantando da cama com o peito em agonia. Te mostrar que você não é inseto, Luciana, e riu. Estou indo aí te encontrar, disse e deu para ouvir ele pegar as chaves do carro. Quero que você liberte a joaninha de dentro de ti e que se entregue para o besouro de uma vez.
Mas... não aceitei o desafio... e segui o caminho mais fácil e doloroso: fugi.
Soundtrack : I Can Hardly Spell My Name - Lambchop.
[ Áton ]
Vou procurar Áton nos botões de lótus. Tentarei encontrá-lo nos jardins perdidos da imaginação. Sinto a sua falta. Minha alma se resplandece em sua companhia.
Deus do Sol em Heliópolis. Deus criador, aspecto envelhecido do Deus - Sol Rá, volta pra mim?
[ Privilegiada ]
Tenho um usuário muiiiiito fofucho. Trouxe chocolatinhos de Gramado pra mim. Hummmmmm deliciosos... quer um?
Musa
Louca
12:53:49. Vai
me condenar? [26]
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