sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Vestia-se toda manhã com sua insegurança e saia por aí, a
fazer geometrias em fins de tarde, com medo de virar vulto e transbordar-se
para o esquecimento. Por isso, quando estava dispersa, sem seus cálculos, ela
vivia a degolar pessoas à la Vieira, sabendo o maior poder do estado é (além da
peste, da guerra e da fome) a inquisição. Com isso ia vivendo em seus
precipícios, como se toda a vida fosse um domingo, domingo sem fim nem começo
dentro da sua ira ciumenta, labor desgraçado. Em suma, mal-amada.
Musa
Louca
12:34:42. Vai
me condenar? [32]
quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
[ So Kiss Me ]
Beije-me de madrugada na frente do meu portão. Sob solo enluarado e inundado
também pela claridade do poste ao lado. Estarei quietinha com os olhos
fechados, as mãos geladas e o coração palpitando.
Beije-me e faça a minha alma deste cinza escuro virar arco-íris. O céu estará
coberto por estrelas. O tempo nublado já terá se desfeito em chuva passageira.
Beije-me e meus ouvidos ensurdecerão pela ansiedade do momento. Uma melodia
interna começará a tocar. Será "Kiss Me" da Sixpence? Você tem o poder de
acionar essa banda.
Beije-me e meu corpo se juntará ao teu
e ofuscará tudo ao nosso redor. Não me importa se haverá ou não platéia. Se a
cadela irá latir e acordar a casa inteira.
Beije-me e meu corpo esquecerá o sono e o cansaço.
Beije-me e meus olhos se fecharão e, como numa tela de cinema, enxergarão
Paris. Eu e você na cidade dos apaixonados. Ou num romance entre filmes e
livros já publicados.
Beije-me e minha língua dançará freneticamente ao som da melhor música que
jamais poderia existir: o suspirar de tua respiração. Suave e constante no meu
rosto.
Beije-me e sentirei o gosto de uma receita que nunca satisfaz. E que dará
vontade de experimentar sempre mais e mais.
Beije-me e tremerei. Não será de frio. Os arrepios serão de puro desejo e
expectativa.
Beije-me e já sentirei saudades tuas mesmo antes de me despedir. Eu o acolherei
num abraço eterno. Manterei a minha cabeça apoiada no seu ombro mordendo-o
devagar.
Beije-me e deixe-me conhecer o significado exato da palavra carinho. Através do
seu fechar os olhos. Das suas mãos nos meus cabelos. E no seu cuidado ao me
tocar.
Beije-me e eu, que sou tão cética, acreditarei em destino. Em discos voadores.
Em amor igual ao da Bíblia.
Beije-me e a minha boca inflará de felicidade, os meus lábios farão uma curva
como em um fecha parênteses e esquecerei tudo: poderia deixar para trás
emprego, família, cds e desaparecer dentro de tua boca.
Porque tocar tua boca nunca será suficiente. Será plantar uma semente em minha
própria boca. E mergulhar em uma vontade louca de colocar minha vida somente
entre teus dentes.
Então, beije-me...
[ Sobre os Shows ]
Tenho algo muito importante a declarar: EU AMO BANDAS MINEIRAS.
A noite foi sensacional. Cheguei cedo. Dancei naquelas máquinas de dançar (para
variar) para esquentar. Colei uma daquelas tatuagens do Festival no busto. Dei
muitas risadas por estar sendo filmada cantando LSJack. Creia. Eu não minto. Eu
fiquei horrorizada na hora também. Mas desencanei depois. É muito divertido
aprender as músicas por osmose. E soltar a voz num coro com milhares de
pessoas. A maioria não te conhece. Exceto ele. De primeira. Encontrei o
professor de design. Risos. Parado. E com um sorriso no rosto. Ouvi ele
exclamar vindo ao meu encontro: "A garota do único blog que eu visito". Mas não
pense você que é pelo conteúdo. Ele é apaixonado pelo design clean daqui. Ele
passava todas as aulas entrando e mostrando o visual do Sin To Win. Queria
fazer eu usar a logo do Sin que fiz para sua matéria. No próximo layout, eu
penso se vou ou não utilizá-la. Ele me deu acesso até o camarote principal. Fiquei
só um pouquinho. Muito sem graça ficar naquele espaço confinada.
Também me diverti bastante no show do Jota Quest. Adorei as animações no telão.
E a rave inusitada. Dei meus gritos com as mãos para cima: "Quero um amor
maior... Amor maior que eu....". Foi quando um dos trechos dessa música me
tocou. Deixou-me meio pra baixo. O importante é que eu jamais poderei dizer:
"não tentei". Porque eu fui até o fim para saber se era amor mesmo o que eu
sentia. Morri de dor no final. Mas, estou tão bem agora. E com a consciência
super tranquila.
Sim, o momento de grande emoção foi com o Skank. Fui para bem perto do palco. O
Samuel tocou a minha mão. Cantou "Supernova" e "Formato Mínimo". Cantei junto.
Sabia todas. Mas especial mesmo foi quando começou uma das minhas duas canções
esperadas. Assim que se iniciou "Acima do Sol" começou a chover. A chover
grosso. Nesse momento eu expurguei toda a tristeza e mágoa. Cantei bem alto.
Como se tudo de ruim estivesse indo embora e sendo banhado pela paz. E chorei,
chorei tanto durante as músicas seguidas "Dois Rios" e "Resposta". Nem me
pergunte o por quê. Deixa quietinho aqui dentro. Ahn, tenho algo a confessar.
Algo muito feio. Não banquei a "pacata cidadã". O show do Skank foi bem
agitado. Então foi um tal de toma-lá-da-cá, empurrões e murros. Hummm...
Aproveitei bastante e descarreguei um dos meus maiores pecados: a ira. ;o)
Kiss Me - Sixpence None The Ritcher.
Musa
Louca
14:02:26. Vai
me condenar? [24]
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
[ Egos II ]
Também acordo cedo. Junto os meus papéis na cômoda, coloco-os na pasta de
maneira automática. Nem me dou ao trabalho de lê-los. Verificar as pautas.
Quero sair correndo para receber o ar fresco na cara. Tenho várias idéias na
cabeça. E um coração cheio de sentimentos-coloridos. Busco inspiração no que
está a minha volta. E em textos, principalmente, quando são escritos por almas
que desvendo com sorrisos. Saio de casa cantarolando canções bem baixinho.
Músicas novas. Músicas antigas. Tanto faz. O que importa é o quanto elas
despertam a menina birrenta-sonhadora-romântica . Ela adora dar língua e bom
dia ao rapaz da portaria. Mas, às vezes, ela adormece assim que senta atrás da
sua janela cibernética. Por isso tenho mania de sempre visitar e comprar
despertadores em todas as lojas de 1,99.
Qualquer motivo vira alegria em volta desse meu espírito
triste e encabulado. Ele quer ser feliz, só que prefere ficar trancado. Em uma
linda torre de Paris. É verdade... tenho viajado bastante. Enfrentado montanhas
e planícies, bons e maus tempos, beleza/destruição e riqueza/pobreza nas
paisagens. Trilho vários caminhos quando retorno para casa. Dia-a-dia eu
desenvolvo listas de atividades para não pensar em você. Assim que são
concluídas, as folhas vão caindo ao chão. Jogadas ao relento. Não me preocupo
de limpar. O vento se encarrega de levá-las até você. Para que saiba das minhas
horas e se encante por eu ser tão comum e singular como nenhuma outra que
conhecestes.
Sou tantas. Você não vai acreditar. Depende da melodia que
eu toque no piano. Do cheiro nos meus cabelos. Do brilho no olhar. Ou do quanto
me pinte, e saia para a guerra do cotidiano.
[ Festival de Verão 2004 ]
Hoje:
Eu (com certeza),
Você (não sei),
Todo mundo (Ai ai. Esse oba-oba sem graça) lá.
Musa
Louca
11:17:17. Vai
me condenar? [23]
terça-feira, 27 de janeiro de 2004
"I want to know
Have you ever seen the rain?
I want to know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?" - Creedence Clearwater Revival
Essa música não me faz mais chorar. Nem pensar em coisas tristes. Nem lembrar
de sentimentos torpes. É uma música pra cima, pronto. Isso é o que preciso
pensar dela. Comecei a cantarolá-la após chegar no trabalho e ser recebida por
gotinhas de chuva. De uma nuvem passageira, talvez. De uma nuvem brincalhona,
isso é quase certo.
Antigamente eu pensava que o tempo refletia o meu estado de espírito. Eu podia
defini-lo de acordo com o meu humor. Ou com aqueles pensamentos canalizados de
determinadas situações. Várias vezes já me peguei parada olhando para as nuvens
e tentando controlá-las. Elas se mexiam para um lado. Para o outro. E pareciam
parar exatamente onde eu queria. Risos. Meio infantil. Muito infantil. Mas
esses simples momentos tinham o poder de me fazer acreditar que não era uma
mera criatura nesse imenso universo.
*****
Ai. Estou ficando bêbada.
E nem bebi.
Malditos anti-alérgicos!
Musa
Louca
14:47:10. Vai
me condenar? [16]
segunda-feira, 26 de janeiro de 2004
[ Cansei de Ser E-Moderna ]
Cansei dessa conversa de casal e-moderno. Dessa conexão via modem. Desse
lenga-lenga em e-mails. Desses comentários em blog. Chega de papo furado,
hipocrisia, máscaras. Sou sua mulher e ponto final. Quer que eu repita? Vem pra
cá, então, vem pra perto, coloque o seu ouvido perto da minha boca. Sou a sua
mulher. Isso, a sua mulher em letras maiúsculas. E bem bem feminina e ardente.
Simples assim. E você, você é o meu homem. Que fique bem
claro isso. Cada um tem o seu papel. E o seu é ficar assim, do jeito que gosto,
que desejo, que me dá tesão. Algo bem primitivo e animal. Não quero nem saber
de machismo, feminismo, sexismo. Você é o meu homem, está entendendo? E é este
o seu dever. Ficar ao meu lado. Envolvendo-me em seus braços. Expondo-me a sua
paixão, o seu amor e o seu dengo. E encarando feio os olhares abusados na minha
direção. Eu tenho me preparado todos os dias para você. Com unhas
pintadas, pernas depiladas, cabelos bem cuidados. Caminho/corro todas as manhãs
e danço no quarto a partir do anoitecer. Você vai sentir a minha pele macia,
cheirosa, essas coisas.
E eu só peço alguns cuidados seus. Como me ligar quando tiver saudades. Beijos
na boca a toda hora. Colo. Admirar e entender o meu trabalho. Abraços. Criticar
o que eu escrevo. Sorrisos. E seus olhos nos meus enquanto estivermos
conversando. Mordidas. Respeitar os meus sentimentos e ser sincero quanto a sua
vida. É pedir demais? Não me importa o que você acha. Você não tem que achar
nada. Tem é que fazer o que eu mando. Sim, porque não sei se alguém lhe avisou,
mas quem dá as cartas aqui sou eu. Eu. A sua mulher.
E eu digo pra você dançar agora pra mim. Isso. Dance, assim. Encosta o seu quadril no meu. Isso. Rebola. Rebola comigo.
Provoque. Como eu te provoco. Coloca as suas coxas entre as minhas. E as mãos
na minha cintura. Puxe-me para bem perto.
Sussurro o nosso código de amor. E vou deslizando pelo seu corpo... Mordo de
leve o seu peito, ombros e rosto. Como eu adoro brincar com o seu peito. Fixo
os meus olhos nos seus para que você veja como lhe quero. Passo a língua nos
lábios, deixando a boca rosada pronta pro seu beijo. Porque daqui a pouco não
vou resistir.
Quero que me pegue de jeito. Pegue com força. Sem piedade. Sem pena. Sem
pudores. Marque os meus braços com as linhas das suas mãos. Puxe os meus
cabelos.
Enquanto vou despindo você com os dentes. Você é meu e sabe disso. Eu percebo.
E fico mais louca. Adoro o seu-meu corpo, sabia? É. Eu sei que você sabe.
Pronto. Agora é a sua vez. Sou sua mulher, lembra? Sua, apenas sua. Vem fazer o
que quiser comigo. Meu-seu corpo está pronto para obedecer aos seus desejos.
Não seja bomzinho. Vem logo. Afinal de contas, cansei dessa conversa de casal e-moderno.
Musa
Louca
14:06:59. Vai
me condenar? [34]
sábado, 24 de janeiro de 2004
[ Alone ]

I wanna be the light that burns out your eyes
`cause I know there's little things about me
that would sing in the silence of so much rejection
in every connection I make
I can't find nobody home.
Catapult - C.C.
 Se quiser olhar mais...
Musa
Louca
22:13:48. Vai
me condenar? [16]
sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
[ A Música em Mim ]
Não consigo imaginar a vida sem música. Não consigo imaginar minha vida sem
música. A música faz parte de mim, é como que um sexto sentido. Difícil
explicar com palavras. Algo que me completa e me satisfaz. Alimenta meus
sonhos. Me faz sorrir quando tenho todos os motivos para chorar. Me ajuda a
desabafar. Me dá mais paz, menos ansiedade, mais coragem, menos medo, mais
segurança. Menos superficialidade. Mais equilíbrio. As situações têm outra cara
quando há música.
Se eu quiser viajar sem sair do lugar, não preciso usar drogas, basta escutar
os cds ideais. Eu saio espalhando as minhas músicas preferidas, como drogas, e é impressionante o quanto as pessoas se contagiam. Até aqueles
que antes retorciam o nariz de desprezo a determinado gênero. Mas, o melhor mesmo é quando se possui amizades que gostam do seu estilo. Os olhos brilham quando há trocas de informações, de letras, de opiniões, de faixas.
A cidade fica mais bonita. O trabalho fica mais alegre. A
refeição mais saborosa. O sono mais tranqüilo. Quando há música. Há mais vida
quando há música. Há mais música quando há música.
Kurt Cobain, Anthony Kiedis, Eddie Vedder, Neil Young, Ozzy,
Coverdale, Adam Duritz, James Walsh, Damon (BDB) e Brian Molko. O ser voz. O
estar voz. A proximidade da perfeição. O distanciamento da realidade. O
encantamento. O viver Lithium. O sentir Soul to Squeeze. O ser Black. A vida
passa e elas ficam. Canções que ao longo do tempo contam histórias. Time of
Your Life. Ganham outros significados. Even Angels Fall. Meus, seus, nossos. Do
mocinho. Do bandido. De Deus. De tudo. A trilha sonora da vida toca e eu posso
ouvi-la. Eric Clapton. Angus Young. John Frusciante. Tantos outros que valeria
a pena citar, mas estes foram os primeiros que me vieram à mente agora Tantos
acordes. A guitarra fala, o homem cala, chora, se emociona. É lindo. A música
se cria, procria. Nasce, renasce. Transforma. Das mãos de quem toca, sai uma
nota, uma melodia, uma nova vida. Passa de uma dimensão a outra, again, and
again, and again. Para sempre. É difícil expressar. Quem ama a música como eu
sabe do que eu estou falando, não sabe o que eu sinto, mas sabe que se
sente. Se já vivi antes, se já fui
outra, em outro tempo, em outra vida, nessa vida, tenho certeza, sou música. Eu
estou nela e ela está em mim.
Music
Was Saved - Starsailor. E a foto do meu cd "Silence is Easy -
Love is Here".
Obs. Impertinente: Ai ai... Não pensaria duas vezes em dizer "sim", se um dos
dois James da Starsailor me pedisse em casamento.
Obs. Curiosa: Mal eu terminei de postar, estava olhando o UOL e encontrei essa matéria: Novo celular transmite sons pelos ossos do crânio. Legal. ;o)
Musa
Louca
11:39:48. Vai
me condenar? [29]
quinta-feira, 22 de janeiro de 2004
[ Há Flores Em Tudo Que Eu Vejo ]
Ao abrir a porta de casa, uma rajada de vento frio somada a uma chuva de flores
cor de pêssego eram despejadas em cima dos meus poros. Como a sombrinha é
automática, ainda pude evitar que certas flores enchessem o meu casaco de
volume e perfume. Quando cheguei ao trabalho, o sol se mostrava por algumas
brechas das folhas nas árvores.
Às vezes, o lado da minha mesa parecia ser o mais frio da sala. Nem a cor
laranja do layout me entusiasmava a olhar pela janela. Só conseguia me distrair
pensando o quanto é prazeroso ouvir Badly Drawn Boy agora. Depois de duas aulas
de piano, já reconhecia um pouco da técnica... Tudo tão doce. Tão leve e mágico
quanto imaginava que seria os seus dedos deslizando pela minha pele.
Com pensamentos inusitados ao seu respeito. Fui ao banheiro lavar o rosto. E, ao
abrir a torneira, novamente fui atingida. Agora, por um jato de flores cor de
maçã (vermelha). Expulsas pelo utilíssimo mecanismo. Como a torneira não é
automática, este jato prosseguia até que fosse tomada alguma providência, o que
não iria acontecer. Estava envolvida demais com esse fenômeno. Portanto, as flores
continuavam descendo, vindas não se sabe de onde, até que tomaram toda a pia e
escorreram para o chão, tomando-o também, com surpreendente velocidade. Em
poucos segundos, estava completamente impossibilitada de encontrar a maçaneta
da porta. Uma vez que havia ficado coberta por flores e mais flores da cor do
pecado.
[ Souvenir ]
"Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se
cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderam essa nuance de vício
e esse refinamento da vida."
Clarice, para meu amigo Lucas.
Musa
Louca
12:01:18. Vai
me condenar? [33]
quarta-feira, 21 de janeiro de 2004
[ Amado ou Amante? ]
Se você é o amado, você se acomoda.
Se você é o amante, você faz vibrar.
De noite na cama o amado se cala.
De dia na mesa o amante te beija.
Andar abraçado não é coisa do amado.
O amante ao teu lado só fica agarrado.
Tua roupa mais linda o amado não olha.
Tuas mínimas coisas o outro nota.
Numa noite de frio, o amado te esquece.
Em todas as noites o amante te aquece.
O amado, em casa, não fala de amor.
O amante, lá fora, só lembra dos momentos que a ti dedicou.
O amado é o certo e por causa disto, só faz incompleto.
O amante é o errado, que esquece do mundo se estás ao teu lado.
Um amado amante é o que todas as mulheres gostariam de ter.
Um amante amado é coisa demais para um só bem-querer.
Depois de passar horas com Vivi no telefone. Uma fonte de inspiração, diga-se
de passagem... Ele odeia quando eu falo no telefone e digito os meus poemas ao mesmo tempo. Conhece-me desde os dezessete anos, perturba-me tanto e adora estacionar na frente da minha casa. Ai ai.
Musa
Louca
00:19:57. Vai
me condenar? [31]
terça-feira, 20 de janeiro de 2004
[ Calor ]

Mesmo com o tempo nublado, a correria do dia me deixou cansada e suada.
Musa
Louca
20:33:27. Vai
me condenar? [13]
segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
[ Momento Fútil ]

Meus perfurmes prediletos. Roubei as imagens do blog do Rafinha. Comprei alguns vidrinhos no Uruguai nessa minha última viagem ao sul. Optei pelo Chic com uma dupla embalagem vermelha e roxinha, o Noa e também um outro perfume delicioso o Jadore... O Noa e o Jadore ainda vinheram com loção para o corpo. Sensacionais. Eles já estão enfeitando a minha cômoda.
Musa
Louca
18:28:18. Vai
me condenar? [23]
[ Rosa Vermelha ]
Era um quase sufocar. Por mais que nem sempre tudo estivesse
ao controle, acordava e já planejava parte do dia. Nem sempre cumpria os
planos, mas preenchia todas as planilhas de atividades cuidadosamente, tendo um
saldo sempre positivo no final da semana. Acessava o Project para saber como
caminhavam os sistemas. Talvez, assim, suprisse um pouco o que não conseguia
cumprir na vida pessoal.
Passava horas atrás de uma mesa de escritório. Monitor e teclados à frente. Digitava alguns procedimentos sem
notar. O usuário solicitava a manutenção evolutiva/reparadora . Concluía sem
notar quanto minutos gastava. Sorrisos para os clientes. Sorrisos e conversas
com os colegas. Bons dias, boas tardes. Alguns eram ditos com aquela falsa
cordialidade que o trabalho e a sociedade exigem. Estava tão acostumada ao
serviço, digitar códigos, preencher regulamentos, enviar justificativas que
enquanto vêm clientes e mais clientes, o pensamento seguia longe. Às vezes
pensava que seria melhor se não pensasse tanto, às vezes sentia-se quase
sufocada pelas idéias, sentimentos, culpas, dúvidas e mais dúvidas.
Quando tinha algum tempo livre, pensava em ser jardineira e pianista. Sim,
jardineira. Passar horas a cuidar de flores e mais flores. Rosas, hortênsias,
margaridas e tantas mais que poderia conhecer. As flores eram mais fáceis de
lidar do que os homens, acreditava. Às vezes, necessitava de solidão, gostava
de ficar só, introspectiva. Solidão calma a que vinha do jardim e da leveza que
sentia ao ficar horas e horas cuidando das plantas e das flores. O mesmo acontecia quando as mãos
deslizavam pelas teclas do piano. A professora sorria, porque cada melodia
descoberta era sinônimo de felicidade. Ficava horas estudando as notas. E
voltava para dentro de casa toda suja de terra depois de mexer no jardim do
quintal. Ainda mais nos dias de chuva.
No final de semana, simplesmente, ficava contemplando a chuva cair sobre o
jardim, outras vezes saía impulsivamente correndo pela chuva, braços abertos,
cabeça ao céu e girando, girando, sentindo as gotas d'água. Muitas vezes, via a
chuva cair através da janela de vidro do quarto, e sentia uma vontade enorme de
correr, mas não podia. Estava com uma dor de cabeça insuportável.
Quando saia do mercado no sábado, ainda caiam alguns pingos de chuva. Uma chuva calma, quase inexistente. Mas só de sentir a água na sua
pele, ela já se sentiu feliz, como nos tempos em que era livre, sua alma era
livre. Agora, sentia-se escrava de si mesma, e não sabia como se libertar.
Poderia se sentir angustiada e minutos depois poderia se sentir mais leve. Ela
era assim e tinha horas que não se suportava. Fechava os olhos e caminhava sem
destino. Os pés molhados de chuva. E o pensamento... na rosa vermelha do
jardim. Linda, presa a raízes, balançando ao vento, gotas de chuva escorrendo
por suas pétalas. Vermelhas. Rosa livre. Rosa presa. Rosa viva. E o pensamento
longe, longe...livres...
Musa
Louca
13:02:21. Vai
me condenar? [15]
sábado, 17 de janeiro de 2004
Alegria. Sozinha. Quarto. Dança. Leitura. Fantasia.
Sorrisos. De fora. Para dentro. Momento. Introspecção. Caminhar. Correr.
Esquecer. Turistas. Verão. Pingos. Olhares. Carros. Desligada. Desligo. Mente.
Imponente. Desejo. De viver. De Amar. Novamente.
Não resisti a insistência do meu corpo em querer sentir/ouvir o show do Skank.
Consegui esperar bravamente até o próximo em outro lugar, porque não tinha a
menor vocação de ser tia no Píer Bahia ou agüentar mais uma "festa" da sem-galo
na cabeça. Comprei hoje os ingressos para o Festival de Verão da quarta-feira
(dia 28).
Quando eles começarem a tocar Dois Rios, eu vou lembrar m. m. m. mesmo do Picles. ;o)
Espero que Acima do Sol esteja no repertório, quero cantar bem alto: "Assim ela já vai
achar o cara que lhe queira como você não quis fazer. Sim, eu sei que ela só
vai achar alguém pra vida inteira como você não quis". U-uhhhhhh.
Musa
Louca
23:49:55. Vai
me condenar? [16]
sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
[ Bem Feliz ]
Eu acho que você poderia me deixar sossegada ouvindo o barulho do mar bater nas
rochas. Cabelos ao vento. Roupas coladas. Mente ao relento. Sem ligar para os
moleques jogando bola na quadra. Atrás do ponto de ônibus. Do outro lado da
rua. Perto da ladeira na qual chega até minha casa. As estrelas não enfeitam a
imensidão desse céu azul-escuro-fumaça. Porque a cidade o tornou mais claro em
comparação ao do interior. Ou, talvez, porque choverá daqui há algumas horas.
Enquanto os pingos caem deliciosamente frios e grossos molhando o meu corpo.
Leva de vez o suor do dia inteiro embora. Relembra passados distantes. Outros
banhos de chuva. Outras vidas. Tive tantas vidas em uma só. Tantas lembranças
retiradas de um baú imenso e guardado no sótão da alma. Estou tentando agir
diferente. Não esperando mais por ligações. Não criando mais expectativas. Não
desejando mais despertar amor em ninguém. Prefiro perder a vista no horizonte
do que notar sentimentos torpes e desconexos ao meu respeito. Quero dedicar
meus momentos: a leitura, a música e a dança.
Depois de minutos debaixo do chuveiro, me arrumo correndo. Solto os cabelos.
Coloco um dos meus novos perfumes. Visto a calcinha e a segunda pele. Ponho
também uma nova saia. Danço pelo meio do quarto. Fico a girar com ela. Tecido
leve. Mal toca a pele. Parece que vou flutuar. Voar. Subir. Paro bem distante.
Entre o céu e o inferno. O inferno astral, dessa vez, não vai me alcançar.
Manterei o equilíbrio mesmo com os pés descalços e pro alto. Para um lado e para
o outro as pernas vão se movimentar. Movimentos livre. Sem âncoras. Sem
cicatrizes. Uma vida bem feliz.
[ Recado Direcionado ]
Cuidado com toda essa ansiedade. Eu também pensei muito no dia de hoje. E sei da importância dele. Estou aqui torcendo e tenho certeza do resultado. Gostaria de estar na porta assim que você saisse com um sorriso. Eu iria te abraçar forte e deixar correr de vez as lágrimas que com certeza cairão no dia em que eu encontrar você.
Musa
Louca
10:51:11. Vai
me condenar? [27]
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
[ Túnel do Tempo ]

Biiiiiiiiiiii biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
 St. Robinson In His Cadillac Dream - Counting Crows.
Musa
Louca
14:21:37. Vai
me condenar? [18]
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
[ Tô com Frio ]
Será que se eu tomar picolé, eu esfrio por dentro e esquento por fora? Tóin.
Musa
Louca
12:26:41. Vai
me condenar? [24]
Eu queria morar, às vezes, na noite, num pomar de jovens pés de pêssegos, nectarinas e macieiras e crescer no primeiro cair das frutas. Crescer como um campo inteiro em dia a dia cresce. E eu não seria tão sozinha entre os nós sós, eu seria de mim uma junta na terra, na manhã, debaixo do pé de Sol. Às vezes na noite Jequitibá, na cerca que me separa da estrada onde os carros e os caminhões passam bem devagar, Pai eu sinto saudades.
Musa
Louca
11:10:48. Vai
me condenar? [8]
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
[ Por Falar ]
Por falar em pecados, há pecados disfarçados de amor. Da probabilidade de eu
escorrer sentimentos-palavras para você. Via e-mail. Via telefone. Via olhar.
Verdadeiros cartões postais recheados de momentos vazios (talvez) ou repletos
de saudade. É tão legal ver os pensamentos ricocheteando através de
posts-poesias-e-mails. Por isso sinto falta quando não sento na frente do micro
e não lhe escrevo pelo menos duas linhas. Tenho me mantido trancada no meu
esconderijo secreto. Em um deserto de pilhas de livros, dvds e cds. Assim posso
terminar de ler, assistir e ouvir a todos os últimos que ganhei. Estudar melhor
as possibilidades de mudar a vida. Para depois sair por aí com a mente livre de
qualquer coisa ruim.
Por falar em coisa ruim ou mera coincidência, eu o vi parado na pracinha essa
manhã. Sentado no lugar de costume. Olhava fixamente para o portão.
Provavelmente ele não tem lugar melhor para marcar as suas caronas do que na
frente da minha casa. Gostaria de poder acessar esse tipo de mente. Só para
saber se é doença ou falta de vergonha na cara. Já passei por isso uma vez. Ser
vigiada. Mas a história era outra.
Por falar em você, eu lembro daquele pote de emoções misturadas com mel
que me entregastes. Ele é grande e de vidro. Vidro grosso e resistente. Difícil
de quebrar. Você pode tê-lo dado há muito tempo atrás, mas eu lembro como
se fosse hoje... toda a doçura que colocastes em minhas mãos. Eu o guardei bem
pertinho do peito. Nada me deixa triste depois dele. Ainda tenho medo do que
vai acontecer com a gente. Mesmo sabendo que uma ligação forte, entre nós, já
existe.
Por falar em beat acelerado, é verdade que eu costumo gostar muito fácil das pessoas e ter um carinho quase
imediato por elas. Porém, eu não saio por aí entregando o coração e jogando o
amor pela janela. Preciso dos cinco sentidos. Quero muito mesmo ter
um namorado. De verdade. Não uma ficada ou um leve "affair". Gostaria
de ter a confiança de juntar minha vida com a de alguém... esse ano ainda.
Tomara. Vou acreditar. Não procurar.
[ Cocotas ]
Eu tenho duas cocotas.
Uma, aqui, no nordeste.
Outra, acolá, no sul.
Uma tem penas verdes.
Outra, a cor dos olhos é azul.
[ Novamente Este Aviso ]
Não tornarei a repetir. Chega de tirar conclusões precipitadas. Essas que a sua
mente insisti em manter e pelos seus comentários transborda. Este blog não é
um diário. São apenas pensamentos estranhos transpostos por palavras
digitadas numa sala no meio do mato. Na maioria das vezes, pela manhã durante a
semana e de madrugada no fim dela. Eu não como ninguém de blog e ninguém
aqui me come. Não sou a rainha do borogodó. Ninguém me conhece. Não,
realmente. Vivo sossegada. Escrevo o que tenho vontade. E quem eu amo, não
interessa.
Já escrevi um post sobre isso no ano passado: "Não
Amo Ninguém" no dia 19.01.2003, um domingo. Vale a pena você ler novamente.
Por sinal, o janeiro desse post do dia 19 foi um dos meses mais inspirados da minha vida.
Musa
Louca
12:17:00. Vai
me condenar? [38]
domingo, 11 de janeiro de 2004
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Coletâneas do Cure
não são mais cura para tua dor. Teus poemas têm erros
de concordância e tua boca tem gosto de cereja. Seria melhor se
teu gosto fosse de cerveja pra eu poder me embriagar em tua saliva e fazer disso um mero recurso literário sem valor. A arte é um esforço inútil e ser útil só é útil pra quem se preocupa com os ponteiros no relógio e os números nos
calendários.
Caminho quilômetros quando tenho saúde e sais de cobre nos
dentes. |
Quero colorir meu ombro e quero que minhas calças sejam todas pretas e minhas camisetas com estampa amarela sejam vermelhas.
Quero te conhecer, preciso de tempo, tenho que conseguir mais
tempo, estou delegando tempo, compilando segundos, ampliando minutos e pensando
mais rápido e agindo mais devagar, até porque assim dá mais tempo pra divagar.
Tenho tempo, quero falar contigo, tenho que te ligar, quero
te atender, te ouvir se espreguiçar, bocejar e rolar na cama lá do outro lado,
naquela voz macia toda picotada por vento cor-de-mel. Não queria que o sol
brilhasse por um tempo na minha casa, então mantive as cortinas fechadas. Mas
teus olhos me mostram o sol e eu tenho agora que deixar a luz entrar. Eu quero
agora deixar a luz entrar.
Quero ainda poder, te dizer no ouvido improvisos que nunca
dirás a ninguém e de que eu sempre me
lembrarei, e de que tu sempre te lembrarás, e que servirá de água e alimento
para a flor que eu guardei no meu peito para ti, e para aquela que plantei em
teu sentimento com meu nome.
Quero ainda poder descansar em paz, pois, depois da chuva,
sempre sempre sempre vem o sol. Ainda que tímido e fraco, vem o sol.
Recrio-te em mundos que invento ao meu bel-prazer. Nesses
mundos eu ouço os sons verdes da minha infância e os sons azulados da minha
juventude. Penso em doze dias na semana e sete meses de inverno. Quero mais
tempo, preciso de mais tempo e de flores na minha janela. Colo, abraço e
passeios matinais. Penso nas músicas de voz doce quando penso em ti. Acalmo os
olhos no horizonte que parece infinito e penso artes pelos cantos do meu
quarto. Sorrio.
Invento-te em mundos que recrio, de meus dias de papel.
Escrevo a minha história, lembro de horas, desenho novas nas minhas nuvens.
Recebo ódio - falo, grito e tusso. Depois me camuflo e finjo que estou longe.
Visto preto para queimar no sol e saio na chuva sem agasalho pra buscar o
resfriado.
Desenho-te em pranchetas que não existem, faço cada
contorno, curva e suspiro real. Tatuo na pele nua e quente as letras do teu
nome em código de barras, para que não sei. Grito, grasno, transpiro.
Escrevo-te em poesias, quando penso que sou poeta e me
engano pensando que sou sagrada. Quase sinto teu gosto quando te vejo sorrindo.
Confundo meus olhos no teu passo manso indo embora, e desisto de imagens e
ícones pelo simples prazer de te ouvir por algumas horas.
Fatio-te, me perco, de propósito, em todos os meus atos. E
minto pra mim mesmo que não é verdade. E minto que minto, pois meus atos são
sempre sinceros. E passo horas imaginando frases ou jogos de palavras com a
palavra "mentira", só pra te fazer sorrir, dormir bem, te fazer
pensar.
Como um envelope, cheio de palavras pra você.
Cheguei. Aliás, já estou lá há muito tempo. Esperando que a
porta abra. Vou pensando e do jeito que me vem os pensamentos, te escrevo essas
linhas. Penso em rosas, onças e vermelho tinto. Nada de novo. O meu dia me cansa, me diminui e me torna chata. Meus
extensos desagravos desabafos sem fim sempre me causam determinado cuidado.
Cuidado com o conteúdo, pois é raro.
Sabe, tem dias em que todo o universo faz sentido, em todas
as pequenas coisas que acontecem. Tem dias em que, voltando pra casa,
caminhando pela rua de noite, as luzes da lua e do comércio são mais fortes que
o teu desespero e tua falta de vontade. Tem dias em que teu dia se completa com
um sorriso. Tem dias que o dia acaba tão cedo, apesar de acabar tão tarde.
E eu mesmo pergunto, "Por que não?". |
Musa
Louca
01:13:18. Vai
me condenar? [36]
sexta-feira, 9 de janeiro de 2004
Ontem desabei na cama. Não pensei em saudades. Em desejo. Em
telefonemas. Em vontades. Apenas assisti a um filme no qual não tenho controle.
Inicia-se na minha mente ao fechar os olhos. E ao entrar em outro estado de
espírito (Alpha? Ou seria... zen?). Ainda pensei ter escutado algumas coisas.
Como se da sua boca tivesse saído pedidos. De não me deixa. Não se entregue a
Morpheus. Fica comigo. Logo perdi a noção de tudo. De repente o lençol que cobria
meu corpo nu eram os seus braços. Deitado, você apoiava minha cabeça no seu
peito. Cantava uma canção de ninar só sua.
Estava em seu castelo meu rei. De grandes muradas. Nada me atingiria enquanto
eu estivesse sob a sua proteção de carinho.
[ Aniversariante do Dia ]
Tio Bira: Meu tio xodó. Abusa. Perturba. Gosta de me dar carinho e
conselhos.
Nunca conheci alguém que soubesse ser tão criança e adulto de uma forma mágica quanto
ele.
Estou criando esse espaço aqui no Sin. Quero pedir a você, meu amigo, que, por favor, coloque no comentário o dia e o mês que faz aniversário para eu poder anotar na minha agenda e dedicar-lhe este espaço.
Musa
Louca
11:35:47. Vai
me condenar? [24]
[ Eu Também Quero Beijar ]
Amanheci com essa música na cabeça. Sorrisos.

A flor do desejo e do maracujá. Eu também quero beijar. Haja fogo, haja guerra,
haja guerra que há. Eu também quero beijar. Do farol da Barra ao Jardim de Alá.
Eu também quero beijar. Da pele morena, daquela acolá. Eu também quero beijar.
Beijo a flor, mas a flor que eu desejo eu não posso beijar. Ai amor. Haja fogo,
haja guerra, haja guerra que há. Teu cheiro. É o marinheiro do barco fantasma
que vai me levar. Mundo inteiro. Haja fogo, haja guerra, haja guerra que há.
Festejo... - Pepeu Gomes.
Musa
Louca
09:48:07. Vai
me condenar? [6]
quinta-feira, 8 de janeiro de 2004
[ Limpeza ]
Tem gente que limpa a casa,
o escritório e os bolsos,
logo o ano se inicia...
Eu não.
Vou ao dentista.
Musa
Louca
12:15:30. Vai
me condenar? [28]
[ Souvenir ]
The aliens
you may not believe it
but there are people
who go through life with very little
friction or
distress.
they dress well, eat
well, sleep well.
they are contented with
their family
life.
they have moments of
grief
but all in all
they are undisturbed
and often feel
very good.
and when they die
it is an easy
death, usually in their
sleep.
you may not believe
it
but such people do
exist
but I am not one of
them.
oh no, I am not one
of them,
I am not even near
to being
one of them
but they are
there
and I am
here.
Charles Bukowski
Musa
Louca
12:07:41. Vai
me condenar? [4]
quarta-feira, 7 de janeiro de 2004
[ Ladra ]
Eu tinha como alvo ser feliz. Colhia dados através da rede.
Descobria poucos segredos. Várias informações. Montava estratégias. Tudo
falhou. Precisei viajar para outro estado. E me perdi perseguindo o invisível.
Mas novas oportunidades sempre surgem. Basta ter calma...
Gosto de chegar sem aviso. Pelas costas. Gritar alto. Tuas mãos ao alto. Teus
olhos em mim. Tua boca em espanto num riso enviesado. Por essa você não
esperava. E eu vou lhe sacudir, e não o deixarei sair incólume.
O negócio é o seguinte: eu não mordo. Não peço. Não pergunto. Eu pego. Assim.
Nem quero saber se os versos serão ou não serão para mim. Não leio a assinatura
no cartão. Rasgo suas desculpas. Jogo-te no chão. No canto. Ponho o dedo sobre
teus lábios. Não falarás. Não ousarás. Nenhum gesto mais. Quero-te bem
quietinho enquanto invado e sacudo e reviro teus bolsos e pele. Roubarei o que
encontrar. Farejarei mais. Violentarei tua gentileza e teu respeito. Então o
deixarei ir.
Não haverá marcas ou pistas para que me denuncies. E fico com tudo que
encontrar sobre tua carne viva. Vai, eu direi. Será um seqüestro relâmpago. Não
há preço pelo teu resgate. Eu o saltarei. Livrarei-me de ti. Já terei na língua
o teu gosto. Tirarei tua temperatura. Se tinhas febre, será minha. Nos olhos,
prenderei o oceano azul do teu riso irônico. Não te machucarei. Será um assalto
à mão amada.
Musa
Louca
13:22:53. Vai
me condenar? [35]
terça-feira, 6 de janeiro de 2004
[ Slow Motion ]
Depois de tomar remédios contra enxaqueca, a vida parece passar devagar pelos
vidros do carro. Como se estivesse estagnada aguardando meu sinal para
continuar. Sinal vermelho. Parado. Quieto. Não quero ouvir sons. Nada. Minha
cabeça dói. O meu coração sofre. Calado. Calada. Estou. Permaneço. Várias
ligações não-atendidas. Esqueci o celular em cima da mesa. Pilhas de roupas,
agora, limpas e empilhadas pelos móveis do quarto. Sem vontade de arrumar o
guarda-roupas. Quero colocá-las de novo nas malas. Ir ao seu encontro. Deixar
ser abraçada. E ficar assim, com a cabeça encostada no seu peito. Até ter um
lugar certo para ficar com você.
Eu sei que os meus movimentos, hoje, serão em slow motion. Por isso
tenho tempo suficiente para calcular o que vou dizer, o que vou fazer e para
onde devo ir. Às vezes as paredes giram na minha volta. Mas não me preocupo. No
tempo certo elas pararão. Eu já estou quieta. Sentada. Imaginando o seu sorriso
em minha direção. O seu telefonema de noite. De madrugada. De desejo. Estalado. O seu beijo.
Sonhei com tantos momentos. Conversas. Janela do quarto com vista para
Piratini. Sonhei com você. Impossível. Falando-me sobre uma casa. Filhos.
Juntar os nossos destinos. Esquecer os nossos passados. Como? Você não me conhece.
Nem um fio do meu cabelo. Só por retrato. Distorcido. Em pedaços. Caprichados
para enganar o mar de pessoas que me procura pelas ruas onde vivo. O perigo é
você não me encontrar. Mas, um dia, eu te acho. Entrelaço as minhas pernas com
as suas. E a minha vida no seu caminho.
[ Recado Direcionado ]
Feliz 2004, Jardel. Achei essa figurinha nesse blog (espero que o
dono não se zangue com o roubo). Não resisti. Pena que o Jukebox está fora há muito tempo. Beijos.

Musa
Louca
11:22:56. Vai
me condenar? [38]
segunda-feira, 5 de janeiro de 2004
[ Luzes Todos os Dias ]
Olhei para o céu com expectativa. Em breve, seria meia-noite e os fogos de
artifício iriam botar para correr qualquer arrependimento do ano que passou. As
mágoas sairiam de mansinho, sem serem notadas. As oportunidades desperdiçadas
seriam esquecidas. Todas as possibilidades poderiam surgir novamente.
Pessoas de branco estavam contando os minutos para se abraçar. Queriam comer
lentilha, uva, figo, pêssego e torta de chocolate, colocar dinheiro no sapato e
sementes de uva na carteira, cumprir todo o ritual de fim de ano. Eu só queria
olhar para o céu. Um minuto de silêncio e um milhão de pensamentos positivos.
Com 365 manhãs pela frente, daria tempo para fazer tudo o que queria e o que
nem imaginava ainda. E eu faria tantas coisas juntas que não iria sobrar tempo
para ter medo. Iria lutar para conquistar todos os meus novos e criativos objetivos anotados na agenda. Para
cada dia de chuva, viria muitos de sol. Para cada momento de escuridão, alguém
apareceria para acender a luz. Para cada passo recuado, dez avante. Para cada
coração machucado, um amor ainda mais intenso e duradouro.
Em 2004, algumas pessoas continuariam deixando que outros guiassem suas vidas -
como algumas pessoas que só se abraçariam depois que o homem da TV anunciasse a
chegada do ano. Eu prefiria que o céu subitamente iluminado me avisasse.
[Começou, garota. Vai lá. Dorme para acordar logo. Acalma esse coração. Segura
essa ansiedade. Essas luzes que você está vendo agora não terminam, não. Seu
ano vai ser muito mais iluminado, pode apostar]
E é só isso que eu quero para 2004: soltar foguetes todos os dias.
[ Planos ]
O ano de 2004 começou repleto de mudanças. Coloridas. Animadas. Felizes. Mesmo eu
estando triste por causa da saudade. Claro, valeu à pena ter passado esse tempinho
no sul. Pude estar com meu pai e minha família paterna. Cobrí-los de beijos.
Deu para pensar direitinho nos passos que eu desejo seguir agora. Tracei vários
objetivos. Curtos. A longo prazo. Mas todos BEM possíveis de ser alcançados.
Basta perseverança e disposição. Resolvi investir ainda mais no meu futuro.
Tornei-me empresária. Pois é. Uma proposta surgiu e agarrei-a com força. Vou me
dedicar com afinco a ela. Sinto-me completamente renovada depois de todo amor
que recebi. Tanto na ida como na volta. Agradeço aos céus por esses presentes
(minha família de ambos os lados) maravilhosos e não-escolhidos.
[ Saudades ]

Tõ morrendo de saudades. Te amo Pai.
 Não posso escutar essa música que eu me lembro de você e começo a chorar: Simply
Red - You Make Me Feel Brand New.
Musa
Louca
11:30:48. Vai
me condenar? [29]
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