quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

[ Au Revoir ]

É amigo(a), eu sabia que mais cedo ou mais tarde esse momento chegaria...
Esse blog está com os dias contados. Eu só estou aguardando o e-mail com a confirmação do novo espaço que acabo de comprar.

Eu pensei que ficaria muito triste por estar deixando esse serviço, porque o meu passado de agosto de 2002 até agora está aqui. Em cada linha minha. Em cada comentário seu. Em cada riso e em cada ruga de preocupação e não entendimento dado por nós. Mas preciso virar mais essa página do livro da vida, como já virei várias de um ano e meio para cá. Tentarei levar o máximo que puder daqui. E arrumar melhor os meus textos antigos, as minhas poesias, as minhas fotos, os comentários e os meus trabalhos que a maioria não conhece.

Vou aproveitar essa folga do carnaval e tentar arrumar algumas coisas. Como eu já ia trabalhar mesmo, umas coisinhas a mais ou a menos, não farão diferença. Vou ficar em casa colocando tudo em ordem. Espero contar com alguma ajuda...

[ Da Série: Saudades da Axé Music de Qualidade ]

Eu seria hipócrita se eu não admitisse que curtia e dançava essa música na minha infância e no início da minha adolescência. Em homenagem ao carnaval de Salvador que começa hoje, segue um dos clássicos da música baiana:

We Are The World of Carnaval

Ah, que bom você chegou

Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio

Vai compreender que o baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
Eo diabo no quadril

We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia.

Todo o CD: The Flaming Lips - Yoshimi Battles The Pink Robots.

Musa Louca 15:48:12. Vai me condenar? [45]

Pra mim chega! Não fico mais nenhum dia no Weblogger.
Hoje mesmo vou comprar o meu espaço em outro servidor e registrar um domínio.
Cansei de sentir como se as minhas asas estivessem sendo podadas. Argh.

Musa Louca 10:32:53. Vai me condenar? [9]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004

Ele tenta ler a minha alma enquanto percorre a sala de um lado para o outro. Observa as minhas reações enquanto explica exemplificando o que deseja de todos. Não segue as estruturas impostas pela teoria. E odeia pessoas preconceituosas, falsos moralistas e aquelas que não expõe suas opiniões. Gosto quando debatemos sobre temas polêmicos. Cada arquitetura citada em suas aulas embaralha e une os vários tipos de informações que eu transformarei em um imenso projeto até o final do semestre. Presto bastante atenção nas explicações sobre personagens. Sobre roteiros. Sobre direção e filmagem. Eu só acabo me perdendo quando ele começa com essa insistência de ter os olhos fixos nos meus. Eu me forço a ficar num alerta constante. Não permitindo que ele perceba o quanto isso me incomoda. Fico prevenida a cada movimento do seu rosto em minha direção. Torno o meu corpo fechado por uma vontade muito maior do que a dele. E no término de cada período em que tenta desvendar-me, vencido, porém não derrotado, ele parte com uma promessa silenciosa de que a disputa ainda não chegou ao fim.
Musa Louca 13:06:08. Vai me condenar? [17]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004


[ A Esfinge ]
(decifra-me ou devoro-te)

Revesti-me de pele e aço. Por ser frágil e eloqüente. Em cada pedaço de pensamento desenhado e materializado pela mente cresce a vontade de me manter sã e protegida. Longe das mãos dos fantasmas expurgados. Longe da busca incessante daqueles cujo desejo é dominar o meu destino.
Decifrar-me é o mesmo que me destruir. Não importa os riscos os quais eu enfrento. Não importa se me distancio das pessoas queridas. Não importa também os enigmas que proponho. Eu sempre escolho com cuidado calculado qual será o primeiro e o mais adequado ao caso.
Sou uma mulher. Imponente. Firme. Sensível. Mesmo com as minhas cicatrizes expostas. Adoço a minha feminilidade através de suaves mordidas na fruta do pecado. Graças as minhas asas, eu ganho rápido velocidade e liberdade pelos céus. Faço longos passeios noturnos. Beijo estrelas. Persigo as cadentes e os cometas. E como alguns pássaros, vôo para o norte no inverno. As garras nas patas servem para lembrar-me o quanto sou poderosa. Uma leoa. Com meu forte instinto de luta e de preservação. Pertence exclusivamente a mim o direito de governar o meu universo particular.
Espanto e apavoro os inimigos. Grito na beirada do abismo, e espero que os ecos os atordoem e os assustem. Recolho os meus disfarces. E continuo na espreita, só observando os próximos movimentos.
Mas não me exalto. Permaneço calma. Clara. Altiva. Desarmada. Profetizo-me assim até o dia da última chave: a morte. E reservo um prazer especial ao possuir as vítimas que estraçalho. Dependuro as víceras de cada uma delas no varal das emoções adivinhadas. Então a minha alma se torna ainda mais cravejada de novos sabores e de novas descobertas.

Esfinge: Monstro fabuloso, leão alado com cabeça e busto humanos, que matava os viajantes quando não decifravam o enigma que ele lhes propunha. Na arte egípcia, estatua de leão deitada com cabeça de homem, de carneiro ou ave de rapina, e que representa uma divindade. Fig: Pessoa calada, misteriosa, enigmática. Certa borboleta noturna.

Ganhei um lindo presente.
Musa Louca 00:35:59. Vai me condenar? [24]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

[ Bochechinha Amarela ]


Um pedacinho imenso do meu coração.

Musa Louca 01:16:54. Vai me condenar? [26]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

[ Questão ]

Será que só ferindo os lobos dispersarei o pastor?

Musa Louca 14:32:28. Vai me condenar? [16]

[ Chocada ]

Eu gostaria de saber quem desvendou isto.
Como se diz por aí: "Nada se cria, tudo se copia".

[ Isso Acontece em Todos os Lugares ]

E, claro, ocorreu comigo:
Eu encontrei nesse blog, uma publicação não autorizada de um dos meus poemas. Além de estar sem os devidos créditos. E também a imagem que eu utilizo quando cito uma música.
Não estou esperneando, apenas aproveitando o ensejo.

[ Prometo ]

Prometo pensar no vento apenas como um elemento essencial para a natureza. Para mim, acabou a nossa ligação.

Musa Louca 11:06:22. Vai me condenar? [21]

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

[ Fabricar Tristeza ]

E o que fazer em dias como estes, quando se é atropelada, varrida, ofendida por constante pressão interna e externa? Nada. Atrás de você apenas há árvores secas e micos atravessando a estrada. Tem instantes em que tudo, o mundo inteiro, parece calar-se enquanto você passa também em silêncio, a alma partida em milhares de cacos pontiagudos, você lutando com seus humores e virando o rosto para qualquer pessoa que porventura cruze o seu caminho.

Caminhei para a portaria, com o olhar baixo, evitando cruzar com os dois outros passantes. Meu destino não era esse - havia algum? Não entendi o que estava fazendo, mas a necessidade de andar, andar, andar, é imperiosa, ao mesmo tempo em que morrer, ou pelo menos adormecer com os cães, também tem a sua força nesse cabo-de-guerra. Todos são antipáticos, até os que me tratam com delicadeza.

E a dor vazia e funda instalou-se com muita energia. Eu estou caminhando sob o sol, sabendo-me triste. Não gosto quando paro de andar. Quero ir embora, quero permanecer andando. Quero que alguém venha me salvar.

Creio que álcool, hoje à noite, não servirá para aplacar o incômodo. Tenho a certeza de que nada, a não ser um gesto grandiloqüente - o qual eu não faço a menor intenção de engendrar - , adiantaria.

Posso dizer que me sinto só. Posso dizer que nenhuma companhia será bem-vinda, mas ao mesmo tempo anseio por companhia. Em um segundo desejo e no outro descarto. Hoje estou miseravelmente traída, abandonada, enxovalhada, infecunda - por mim mesmo, na minha auto-avaliação. Um terror. Ou mato-me. Ou destruo meu coração.

Outro daqueles horrorosos debates teve inicio, e o que é pior, perdi a parada para mim mesma. Um carrossel, alguns cavalinhos e em cada um deles uma criança sorrindo e pedindo atenção: olha eu aqui! Acenando e gritando...Cada uma trazia no peito um nome feio: Ódio, Dor, Solidão, Assombro, Cansaço, Histeria, Confusão, Lamento - pequenos cadáveres insepultos sob a fornalha que se tornou meu coração, fornalha esta que foi apagada por um rio de águas escuras e pesadas.

Seria bom viver de fabricar tristeza, de fingir tristeza, de brincar de tristeza. Seria bom e fácil, e com toda certeza conveniente.

Musa Louca 15:14:18. Vai me condenar? [21]

ai. que porre.
hoje eu tô cansada dessa gente que não vive e nem fode.
só faz encher o saco.

Musa Louca 13:56:50. Vai me condenar? [6]

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004



[ Bailando no Vento e no Cosmo ]

Eu sou essa música
que ouves em surdina
nas máquinas do tempo.
Eu sou esse perfume
finado, mas vivo
que o vento trouxe
para reanimar a tua memória.
Sou a beleza sonhada
da nossa história
que não foi vivenciada
pelos nossos sentidos.
Eu sou essa alma sozinha
que baila no vento
à espera de abraços...
Sou música em surdina,
sou perfume e beleza no espaço,
sou teu sonho mais lindo de outrora
que agora te chama
em forma de rima...
Vem comigo, o sonho recordar
e se a música te anima,
o vento te ensina:
- Aprende a amar!

Musa Louca 09:41:03. Vai me condenar? [35]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

[ Fluoxetina-me ]

Faz quase dois meses que eu não tenho notícias suas... Então, hoje, ao escutar uma música, me lembrei de você. Do seu sorriso. Do seu olhar. E de como eu amava ficar ao seu lado no Forte de Mont Serrat, cantando contigo enquanto você tocava violão.  Tocava os meus ombros. Tocava o meu rosto com o seu.

Deve ser o possível uso de novas drogas que andam me causando essas lembranças. Essa angústia no peito. Fluoxetina-me. Até eu apagar de vez todos os momentos felizes e tristes com você.

De volta as portas do inferno, eu as olho como se não as enxergasse. Fazia tempo que eu não ficava triste desse jeito. Que não vasculhava por um sinal seu. Que não sentia vontade de escutar sua voz.
Tenho medo. Muito medo. Medo de não conseguir te esquecer. E nem tirar você daqui de dentro.

Devo confessar: gostaria que você nunca tivesse existido na minha vida.

Ego Tripping at The Gates of The Hell - Flaming Lips

[ Importante ]

Eu não posso FALTAR.
Você não pode deixar de ASSISTIR.

Musa Louca 12:44:30. Vai me condenar? [34]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Enquanto o futuro se aproxima, eu continuo fazendo experiências com as matérias e os sentimentos que se encontram a minha mão. A minha mercê. Amasso com força a massa do pão. O difícil é esperar todo aquele tempo. Até que ela cresça. Floresça. E crie vários formatos inusitados. Isso só me lembra de quem me deu a receita. Abre-se um sorriso de lado a lado do rosto. Apago a luz do quarto. Coloco o som nas alturas. Continuo a mover as minhas mãos pelo espaço ilusório que nos separa. Ainda sinto aquele perfume. O que você pingou no pescoço antes de sair para outras bandas em busca de magia. Escuto com imenso prazer todos os cds que gravei de ti. Sou sua escrava da alma. Sempre padeço da troca de sons, textos e poesias com você. Porque sem você, eu não sou nada. Quando irei cansar de te dizer isso? Nunca. Nunca é a resposta. Os nossos sons alimentam minha alma atolada de farinha de trigo e carinho. Brinco com todo o nosso passado. Aquele que me contou durante a curta madrugada de sexta para sábado. Aquela que rimos como se nos conhecêssemos e tivéssemos uma amizade de anos. As horas passaram e nem percebemos o que acontecia. Vi o amanhecer do dia dando risadas. Trocando figurinhas. E achando que sou tão vampira-coruja quanto os outros componentes do trio.
Ainda sonho com você me perguntando quando eu devo ir a São Paulo. A sua insistência sempre foi o meu vício. E eu nunca imaginei que a gente fosse envelhecer. Que você pudesse encontrar um outro alguém para ouvir Suede agarrada contigo no sofá vermelho. Nunca imaginei outra pessoa que pudesse me substituir quando você chamasse para dormir. Será sempre assim? Você aparece e eu tremo por dentro? Nem sabia que continuava me rondando e o quanto tinha se tornado cínico. Os seus charutos continuam na caixa, esperando por músicas ou uma carta. Endereçada a mim: uma moça de família e uma moça que ainda é importante na sua vida. Uma fã ainda, talvez.
Mas, o mais importante, é você estar comigo. Alimentando ainda mais o nosso amor. Envolvendo o meu corpo com seus braços e os seus cabelos. Conversando e brincando enquanto cada track termina. A única melodia no quarto que sobressai aos meus ouvidos é a nossa troca de juras e suspiros.

Meu querido Kruel Pão-Zen
O tempo incerto lá fora não combina com a minha alegria interna. Tenho amigos maravilhosos espalhados pelo mundo. Isso me mantém com um sorriso constante no rosto e um calorzinho bem gostoso no peito. Eles são especiais. Reais. Virtuais. Dão-me o prazer de preencher as horas com muito carinho. Esse post não tem ordem, sequência, início, meio ou fim. Espero, apenas, que cada um deles se encaixe em determinadas frases e trechos. Que se percam na provável certeza de que cada um foi citado. Se é que existe certeza para algo nessa vida...

As aulas comunicativas e espirituosas começam hoje. Para uns, eu tenho certeza disso. Para mim, ahn, não sei. Depois desse final de semana cheio de surpresas, talvez quem se surpreenda seja Oh e Doris com a minha presença na primeira semana do ano letivo. Um caso inusitado. Já que eu só apareço dias depois... Risos.

Placebo and David Bowie - Without You, I'm Nothing.
Placebo - Johnny & Mary.

Musa Louca 12:43:18. Vai me condenar? [23]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

[ Conflitos Entre O que Sinto e O que Penso ]

Estou chegando aí.
Não venha.
Como?
Eu não te quero aqui, vou ficar vazia, sozinha de costas viradas.
Mas eu não consigo mais.
Nem eu.
O que faremos?
Me deixe ir. Senão eu viro as costas.
Somos dois fudidos (fundidos?).
Somos, mas nunca ninguém sorriu tão lindo enquanto cantava pra mim no telefone.
Isso dará certo?
A Maria diz que sim, a Alice está quieta, o Paulo acha que não, você sabe como eles são.
Sim, macarrão, xinxim e caipirinha.
Eu não te amo hoje.
Que pena, eu te amo desde ontem.

[ Saudade do Cão ]


Musa Louca 11:55:24. Vai me condenar? [39]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004

Estou caindo fora. Deixe-me em paz. Não leia mais. Só noto o meu próprio umbigo. Vá tomar conta da sua vida que eu farei o mesmo. Com um prazer incrível. (Aos panaquismos, pequenismos, idiotismos e coisas do tipo mini).

Então, eu não quero nem saber, vai-se-foder, você aí pequeno, sentado em sua miséria egoistificada. Na tua casa. Na tua bunda. A tua vadia estadia em minha vida deve ser despachada. Amaldiçoada. Sacrificada. Toda a merda mal lavada, à tudo que vai pra debaixo do tapete, eu repito; meu leite não amamenta boiada nem comboios de gente-mesma-pessoa. Gente que não faz nada pra mudar a rotina ordinária do ônibus e da história. Gente de merreca, sem vida, sem atividade, sem persona, sem paixão. Gente que copia, se esfrega em suas palavras e concorda com tudo dito. Todos esses pra mim vão - dar a bunda na lama. Moer a língua. Dar o cu na neve. Ou qualquer coisa que se assemelhe a sujeira e que cause dor. Muita dor.

A dor é doce. A porra é doce também. Basta saber provar. Doce de sal. Do doce e do amargo. Prove. Engula. E se puder, se houver forças suficiente, se houver grandeza - não vomite. E viva bem.

Salve-se quem puder! É feliz - o segundo, o minuto que vem ou o próximo dia.

Ingredientes:
- Doce de sal (poema; Paulo Leminski);
- O doce e o amargo (música; secos e molhados).
Não há preparo. Apenas feeling de saber o que misturar.

Musa Louca 12:54:03. Vai me condenar? [28]

"Vivesse Hilda Hilst num país civilizado, a história seria diferente.
Os olhos dela são iluminados.
O rosto é iluminado.
Mãos delicadas, ela desenha no ar gestos brancos, desse branco que não há mais.
Hilda Hilst é uma mulher.
Uma mulher que se observa no espelho do quarto, nota as cicatrizes e sorri.

Chega um tempo em que a ordem é sorrir."

Morre uma das minhas escritoras favoritas: Hilda Hilst; enterro será às 16h em Campinas.

"Fosse hoje, com os cientistas buscando novos paradigmas, eu não passaria por louca" - Hilda Hilst.

Musa Louca 11:58:17. Vai me condenar? [5]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004

[ No Escuro do Tempo ]

Apago a luz do quarto. Aquele breu me domina. Não é que eu tenha medo do escuro, mas quando formas, cores e contornos desaparecem eu me sinto misturada a esse tudo negro. A esse nada. Como se derretesse e me perdesse no escuro que olho e não vejo. Esqueço das estrelas coladas nas paredes.
Ouço sons ao longe, outras vozes, outras vidas que não a minha. Como eu gostaria que. Ouço minha própria respiração, acho que sinto as batidas do coração quase saírem pela boca, soluços assustados pela proximidade desse mergulho no buraco negro. Olhos vidrados, como uma louca, nem pisco, nem penso, apenas escuto aquele cão que late e aquela velha risada que às vezes me acorda. Não durmo.
Como eu gostaria que fosse possível congelar esse momento, me sentir suspensa nesse agora, tudo pára, o mundo pára, você pára, o tempo pára para eu poder seguir assim, sorrindo.
É que estou feliz, sabe, quando tudo parece ser apenas figuração: as pessoas pegam o ônibus, as meninas entregam panfletos na sinaleira, as crianças gritam gol, o coelho sai da toca para os meus braços, o Beto me surpreende de madrugada, mas nada, na verdade, é real, tudo faz parte dessa grande encenação na qual o holofote recai em mim. Simplesmente não quero que o filme acabe. Não quero que as coisas mudem, quero respirar esse mesmo ar, não quero apagar a luz, talvez meu momento se perca. Concentro.
Mas o dia termina e somos forçados a essa nossa rotineira hibernação, esse desperdício consentido, essa entrega ao abandono, nossa perda diária de lucidez enquanto dormimos e vivemos sonhos impossíveis que nunca acabam porque sempre interrompidos por esse alarme e pelo cheiro de café que invade as frestas da minha janela. Não durmo.
Resisto a esse exílio noturno. Quero estar viva, ficar alerta, olhos bem abertos, todas as cores ali. Tudo.
Não quero que minhas pequenas dores acordem, faça silêncio, respeite essa minha vontade. Descanse.
Eu fico atenta, zelando por esses nossos preciosos minutos. Segundos. Eu quero todos.

[ Aniversariante do Dia ]

É maravilhoso acessar o seu blog nesse dia tão especial.
É maravilhoso poder conhecer mais um pouquinho de uma pessoa doce e amiga. Uma mulher apaixonante cheia de borboletas no estômago, de magia em torno do corpo e poesia na alma.
É maravilhoso ter a certeza de que há pessoas fantásticas como você habitando o planeta.
É maravilhoso poder te escrever e-inteiros e comentários. Mas, com certeza, é melhor ainda te ler.
É maravilhoso acreditar que a nossa amizade só tende a crescer e se fortificar.
E é maravilhoso desejar toda a felicidade e o amor do mundo para uma pessoa que novamente verá o mar.
Parabéns Paty!

[ Recado Direcionado ]

Obrigada pelo post-poesia. Mais outra surpresa! ;o)

Musa Louca 12:24:37. Vai me condenar? [20]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

Aos meus momentos reflexivos dessas últimas semanas...

[ Um dia Sozinha ]

Será que é querer demais
Que todos os dias sejam assim
Como aqueles em que você, perto de mim,
Mostrou-me um mundo diferente,
Em que eu não desejava mais
Nunca mais tê-lo ausente?
Viver sem você não é nada
Além um eterno inconveniente
De querer desviar da estrada
Para viver no seu mundo somente.
Não sei se sou inconseqüente,
Mas eu não seria eu, enfim,
Se de mim mesmo eu não quisesse o fim,
Para com você começar novamente.

No Rain - Blind Melon.

Musa Louca 16:51:54. Vai me condenar? [23]

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

[ Dia 02 de Fevereiro, Dia de Festa no Mar ]

Yemanjá, cujo nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá estabelecida outrora na região onde passa o rio Yemanjá, e obrigada a emigrar para o oeste, por causa da guerra entre nações.
Yemanjá teria sido filha de Olokun, deusa do mar. Seu Axé é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de porcelana azul. Considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma matrona , de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.
Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, é no dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada com Oxun, que se organiza um solene presente para Yemanjá. O que mostra que o sincretismo não é de uma rigidez absoluta.
A festa do dia 2 de fevereiro, uma das mais populares do ano, atrai à praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis, que vêm trazer presentes para a Rainha do Mar. Flores, perfumes e outros presentes agradáveis à uma mulher bonita, além de pedidos e súplicas, enchem as cestas, que são levadas por embarcações para alto mar, onde são depositadas sobre as ondas. Levei três rosas para ela. Uma vermelha (amor). Uma amarela (prosperidade). Uma branca (paz).
E é por isso que todo o dia 2 ao redor da minha casa vira um inferno. Uma multidão de gente ao redor do meu canto. Carros-trios-elétricos fazendo a maior bagunça. Ou o povo a pé, em busca de diversão nas barracas. Algumas são para vender bebidas e comidas típicas (durante o dia e noite afora). A cada ano a festa está mais organizada. Shows são preparados por todo bairro. Tanto para as patricinhas e mauricinhos, como para os "cults". Se é que podemos chamar de "cults" quem curte Márcio Mello!
O dia 2 foi um dia especial para mim por um único motivo. O meu pai está aqui. Veio para uma audiência contra a empresa que ele trabalhava. E passou toda à noite ao meu lado. Conversamos. Rimos. E dei muitos beijos e abraços nele. Enquanto víamos subir e descer um mar de gente pelas ruas e ladeiras onde moro. Ah, estou louca para o amanhã chegar. Vê-lo de novo e tentar nadar contra toda a oceânica saudade que há no meu peito.

"É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô mareia, é água no mar
É água no mar é maré cheia ô mareia ô mareia
Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar
Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar
Era um peito só cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa era só
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas de Iemanjá
E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder chegar
Adeus amor, adeus meu amor não me espere porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pro veleiro
Adeus meu amor eu não vou mais voltar
Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou
Foi beira-mar ê, foi beira-mar"
- Conto de Areia, adoro na voz de Clara Nunes.

Musa Louca 23:10:56. Vai me condenar? [16]

[ A Maçã ]
[ Previsão do Tempo ]
Tô assim e daí?
[ I Believe In...]
Minha fera interior solta, gemendo a dor de um sorriso ferino que me marcou, fonte de um sorriso masculino, transposto na espada da dor. O rito que brada, suga e condena mais uma vez o chicote de ficar a margem levado pelos pássaros vigilantes do esquecimento.
[ Reflexo da Mente ]
[ O Pecado ]
[ Livro de Visitas ]
[ Contato ]
[ SoundTrack's ]
[ Na Gaveta ]
[ Leitura Global ]
[ Estimação ]
[ Gosto Não se Discute ]
[ Pecados Confessos ]

on-line
 
 

© Copyright 2003 - Loucuras Corporation S.A.
Em Meus Olhos