[ A Esfinge ]
(decifra-me ou devoro-te)
Revesti-me de pele e aço. Por ser frágil e eloqüente. Em cada pedaço de pensamento desenhado e materializado pela mente cresce a vontade de me manter sã e protegida. Longe das mãos dos fantasmas expurgados. Longe da busca incessante daqueles cujo desejo é dominar o meu destino.
Decifrar-me é o mesmo que me destruir. Não importa os riscos os quais eu enfrento. Não importa se me distancio das pessoas queridas. Não importa também os enigmas que proponho. Eu sempre escolho com cuidado calculado qual será o primeiro e o mais adequado ao caso.
Sou uma mulher. Imponente. Firme. Sensível. Mesmo com as minhas cicatrizes expostas. Adoço a minha feminilidade através de suaves mordidas na fruta do pecado. Graças as minhas asas, eu ganho rápido velocidade e liberdade pelos céus. Faço longos passeios noturnos. Beijo estrelas. Persigo as cadentes e os cometas. E como alguns pássaros, vôo para o norte no inverno. As garras nas patas servem para lembrar-me o quanto sou poderosa. Uma leoa. Com meu forte instinto de luta e de preservação. Pertence exclusivamente a mim o direito de governar o meu universo particular.
Espanto e apavoro os inimigos. Grito na beirada do abismo, e espero que os ecos os atordoem e os assustem. Recolho os meus disfarces. E continuo na espreita, só observando os próximos movimentos.
Mas não me exalto. Permaneço calma. Clara. Altiva. Desarmada. Profetizo-me assim até o dia da última chave: a morte. E reservo um prazer especial ao possuir as vítimas que estraçalho. Dependuro as víceras de cada uma delas no varal das emoções adivinhadas. Então a minha alma se torna ainda mais cravejada de novos sabores e de novas descobertas.
Esfinge: Monstro fabuloso, leão alado com cabeça e busto humanos, que matava os viajantes quando não decifravam o enigma que ele lhes propunha. Na arte egípcia, estatua de leão deitada com cabeça de homem, de carneiro ou ave de rapina, e que representa uma divindade. Fig: Pessoa calada, misteriosa, enigmática. Certa borboleta noturna.
Ganhei um lindo presente.
Musa
Louca segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
[ Bochechinha Amarela ] sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004 [ Questão ] [ Chocada ] quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004 [ Fabricar Tristeza ]
ai. que porre. quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004 terça-feira, 10 de fevereiro de 2004 [ Fluoxetina-me ] segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004 Enquanto o futuro se aproxima, eu continuo fazendo
experiências com as matérias e os sentimentos que se encontram a minha
mão. A minha mercê. Amasso com força a massa do pão. O difícil é esperar todo
aquele tempo. Até que ela cresça. Floresça. E crie vários formatos inusitados.
Isso só me lembra de quem me deu a receita. Abre-se um sorriso de lado a lado do rosto.
Apago a luz do quarto. Coloco o som nas alturas. Continuo a mover as minhas
mãos pelo espaço ilusório que nos separa. Ainda sinto aquele perfume. O que
você pingou no pescoço antes de sair para outras bandas em busca de magia.
Escuto com imenso prazer todos os cds que gravei de ti. Sou sua escrava da
alma. Sempre padeço da troca de sons, textos e poesias com você. Porque sem você, eu não sou
nada. Quando irei cansar de te dizer isso? Nunca. Nunca é a resposta. Os nossos
sons alimentam minha alma atolada de farinha de trigo e carinho. Brinco com
todo o nosso passado. Aquele que me contou durante a curta madrugada de sexta
para sábado. Aquela que rimos como se nos conhecêssemos e tivéssemos uma
amizade de anos. As horas passaram e nem percebemos o que acontecia. Vi o
amanhecer do dia dando risadas. Trocando figurinhas. E achando que sou tão
vampira-coruja quanto os outros componentes do trio. sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004 [ Conflitos Entre O que Sinto e O que Penso ]
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004 Estou caindo fora. Deixe-me em paz. Não leia mais. Só noto o meu próprio umbigo. Vá
tomar conta da sua vida que eu farei o mesmo. Com um prazer incrível. (Aos
panaquismos, pequenismos, idiotismos e coisas do tipo mini). "Vivesse Hilda Hilst num país civilizado, a história
seria diferente. quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004 [ No Escuro do Tempo ] terça-feira, 3 de fevereiro de 2004 Aos meus momentos reflexivos dessas últimas semanas... segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004 [ Dia 02 de Fevereiro, Dia de Festa no Mar ]

Musa
Louca
01:16:54. Vai
me condenar? [26]
Será que só ferindo os lobos dispersarei o pastor?
Musa
Louca
14:32:28. Vai
me condenar? [16]
Eu gostaria de saber quem desvendou
isto.
Como se diz por aí: "Nada se cria, tudo se copia".
[ Isso Acontece em Todos os Lugares ]
E, claro, ocorreu comigo:
Eu encontrei nesse blog, uma publicação não autorizada de um dos meus poemas. Além de estar sem os devidos créditos. E também a imagem que eu utilizo quando cito uma música.
Não estou esperneando, apenas aproveitando o ensejo.
[ Prometo ]
Prometo pensar no vento apenas como um elemento essencial para a natureza. Para mim, acabou a nossa ligação.
Musa
Louca
11:06:22. Vai
me condenar? [21]
E o que fazer em dias como estes, quando se é atropelada, varrida, ofendida por constante pressão interna e externa? Nada. Atrás de você apenas há árvores secas e micos atravessando a estrada. Tem instantes em que tudo, o mundo inteiro, parece calar-se enquanto você passa também em silêncio, a alma partida em milhares de cacos pontiagudos, você lutando com seus humores e virando o rosto para qualquer pessoa que porventura cruze o seu caminho.
Caminhei para a portaria, com o olhar baixo, evitando cruzar com os dois outros passantes. Meu destino não era esse - havia algum? Não entendi o que estava fazendo, mas a necessidade de andar, andar, andar, é imperiosa, ao mesmo tempo em que morrer, ou pelo menos adormecer com os cães, também tem a sua força nesse cabo-de-guerra. Todos são antipáticos, até os que me tratam com delicadeza.
E a dor vazia e funda instalou-se com muita energia. Eu estou caminhando sob o sol, sabendo-me triste. Não gosto quando paro de andar. Quero ir embora, quero permanecer andando. Quero que alguém venha me salvar.
Creio que álcool, hoje à noite, não servirá para aplacar o incômodo. Tenho a certeza de que nada, a não ser um gesto grandiloqüente - o qual eu não faço a menor intenção de engendrar - , adiantaria.
Posso dizer que me sinto só. Posso dizer que nenhuma companhia será bem-vinda, mas ao mesmo tempo anseio por companhia. Em um segundo desejo e no outro descarto. Hoje estou miseravelmente traída, abandonada, enxovalhada, infecunda - por mim mesmo, na minha auto-avaliação. Um terror. Ou mato-me. Ou destruo meu coração.
Outro daqueles horrorosos debates teve inicio, e o que é pior, perdi a parada para mim mesma. Um carrossel, alguns cavalinhos e em cada um deles uma criança sorrindo e pedindo atenção: olha eu aqui! Acenando e gritando...Cada uma trazia no peito um nome feio: Ódio, Dor, Solidão, Assombro, Cansaço, Histeria, Confusão, Lamento - pequenos cadáveres insepultos sob a fornalha que se tornou meu coração, fornalha esta que foi apagada por um rio de águas escuras e pesadas.
Seria bom viver de fabricar tristeza, de fingir tristeza, de brincar de tristeza. Seria bom e fácil, e com toda certeza conveniente.
Musa
Louca
15:14:18. Vai
me condenar? [21]
hoje eu tô cansada dessa gente que não vive e nem fode.
só faz encher o saco.
Musa
Louca
13:56:50. Vai
me condenar? [6]
Eu sou essa música
que ouves em surdina
nas máquinas do tempo.
Eu sou esse perfume
finado, mas vivo
que o vento trouxe
para reanimar a tua memória.
Sou a beleza sonhada
da nossa história
que não foi vivenciada
pelos nossos sentidos.
Eu sou essa alma sozinha
que baila no vento
à espera de abraços...
Sou música em surdina,
sou perfume e beleza no espaço,
sou teu sonho mais lindo de outrora
que agora te chama
em forma de rima...
Vem comigo, o sonho recordar
e se a música te anima,
o vento te ensina:
- Aprende a amar!
Musa
Louca
09:41:03. Vai
me condenar? [35]
Faz quase dois meses que eu não tenho notícias suas... Então, hoje, ao escutar
uma música, me lembrei de você. Do seu sorriso. Do seu olhar. E de como eu
amava ficar ao seu lado no Forte de Mont Serrat, cantando contigo enquanto você
tocava violão. Tocava os meus ombros.
Tocava o meu rosto com o seu.
Deve ser o possível uso de novas drogas que andam me causando essas lembranças.
Essa angústia no peito. Fluoxetina-me. Até eu apagar de vez todos os momentos
felizes e tristes com você.
De volta as portas do inferno, eu as olho como se não as enxergasse. Fazia
tempo que eu não ficava triste desse jeito. Que não vasculhava por um sinal
seu. Que não sentia vontade de escutar sua voz.
Tenho medo. Muito medo. Medo de não conseguir te esquecer. E nem tirar você
daqui de dentro.
Devo confessar: gostaria que você nunca tivesse existido na minha vida.
Ego
Tripping at The Gates of The Hell - Flaming Lips
[ Importante ]
Eu não posso FALTAR.
Você não pode deixar de ASSISTIR.
Musa
Louca
12:44:30. Vai
me condenar? [34]
Ainda sonho com você me perguntando quando eu devo ir a São
Paulo. A sua insistência sempre foi o meu vício. E eu nunca imaginei que a
gente fosse envelhecer. Que você pudesse encontrar um outro alguém para ouvir
Suede agarrada contigo no sofá vermelho. Nunca imaginei outra pessoa que
pudesse me substituir quando você chamasse para dormir. Será sempre
assim? Você aparece e eu tremo por dentro? Nem sabia que continuava me rondando
e o quanto tinha se tornado cínico. Os seus charutos continuam na caixa,
esperando por músicas ou uma carta. Endereçada a mim: uma moça de família e uma
moça que ainda é importante na sua vida. Uma fã ainda, talvez.
Mas, o mais importante, é você estar comigo. Alimentando ainda mais o nosso
amor. Envolvendo o meu corpo com seus braços e os seus cabelos. Conversando e
brincando enquanto cada track termina. A única melodia no quarto que sobressai aos meus ouvidos é a nossa troca de juras e suspiros.

As aulas comunicativas e espirituosas começam hoje. Para
uns, eu tenho certeza disso. Para mim, ahn, não sei. Depois desse final de
semana cheio de surpresas, talvez quem se surpreenda seja Oh e Doris com a
minha presença na primeira semana do ano letivo. Um caso inusitado. Já que eu
só apareço dias depois... Risos.
Placebo and David Bowie - Without You, I'm Nothing.
Placebo - Johnny & Mary.
Musa
Louca
12:43:18. Vai
me condenar? [23]
Estou chegando aí.
Não venha.
Como?
Eu não te quero aqui, vou ficar vazia, sozinha de costas
viradas.
Mas eu não consigo mais.
Nem eu.
O que faremos?
Me deixe ir. Senão eu viro as costas.
Somos dois fudidos (fundidos?).
Somos, mas nunca ninguém sorriu tão lindo enquanto cantava
pra mim no telefone.
Isso dará certo?
A Maria diz que sim, a Alice está quieta, o Paulo acha que não,
você sabe como eles são.
Sim, macarrão, xinxim e caipirinha.
Eu não te amo hoje.
Que pena, eu te amo desde ontem.
[ Saudade do Cão ]
Musa
Louca
11:55:24. Vai
me condenar? [39]
Então, eu não quero nem saber, vai-se-foder, você aí pequeno, sentado em sua miséria egoistificada. Na
tua casa. Na tua bunda. A tua vadia estadia em minha vida deve ser despachada.
Amaldiçoada. Sacrificada. Toda a merda mal lavada, à tudo que vai pra debaixo
do tapete, eu repito; meu leite não amamenta boiada nem comboios de
gente-mesma-pessoa. Gente que não faz nada pra mudar a rotina ordinária do
ônibus e da história. Gente de merreca, sem vida, sem atividade, sem persona,
sem paixão. Gente que copia, se esfrega em suas palavras e concorda com tudo
dito. Todos esses pra mim vão - dar a bunda na lama. Moer a língua. Dar o
cu na neve. Ou qualquer coisa que se assemelhe a sujeira e que cause dor. Muita
dor.
A dor é doce. A porra é doce também. Basta saber provar. Doce de sal. Do doce e
do amargo. Prove. Engula. E se puder, se houver forças suficiente, se houver
grandeza - não vomite. E viva bem.
Salve-se quem puder! É feliz - o segundo, o minuto que vem ou o próximo dia.
Ingredientes:
- Doce de sal (poema; Paulo Leminski);
- O doce e o amargo (música; secos e molhados).
Não há preparo. Apenas feeling de saber o que misturar.
Musa
Louca
12:54:03. Vai
me condenar? [28]
Os olhos dela são iluminados.
O rosto é iluminado.
Mãos delicadas, ela desenha no ar gestos brancos, desse branco que não há mais.
Hilda Hilst é uma mulher.
Uma mulher que se observa no espelho do quarto, nota as cicatrizes e sorri.
Chega um tempo em que a ordem é sorrir."
Morre uma das minhas escritoras favoritas: Hilda Hilst; enterro será às 16h em Campinas.
"Fosse hoje, com os cientistas buscando novos paradigmas, eu não passaria por louca" - Hilda Hilst.
Musa
Louca
11:58:17. Vai
me condenar? [5]
Apago a luz do quarto. Aquele breu me domina. Não é que eu tenha medo do
escuro, mas quando formas, cores e contornos desaparecem eu me sinto misturada
a esse tudo negro. A esse nada. Como se derretesse e me perdesse no escuro que
olho e não vejo. Esqueço das estrelas coladas nas paredes.
Ouço sons ao longe, outras vozes, outras vidas que não a minha. Como eu
gostaria que. Ouço minha própria respiração, acho que sinto as batidas do
coração quase saírem pela boca, soluços assustados pela proximidade desse
mergulho no buraco negro. Olhos vidrados, como uma louca, nem pisco, nem penso,
apenas escuto aquele cão que late e aquela velha risada que às vezes me acorda.
Não durmo.
Como eu gostaria que fosse possível congelar esse momento, me sentir suspensa
nesse agora, tudo pára, o mundo pára, você pára, o tempo pára para eu poder
seguir assim, sorrindo.
É que estou feliz, sabe, quando tudo parece ser apenas figuração: as pessoas
pegam o ônibus, as meninas entregam panfletos na sinaleira, as crianças gritam
gol, o coelho sai da toca para os meus braços, o Beto me surpreende de
madrugada, mas nada, na verdade, é real, tudo faz parte dessa grande encenação
na qual o holofote recai em mim. Simplesmente não quero que o filme acabe. Não
quero que as coisas mudem, quero respirar esse mesmo ar, não quero apagar a
luz, talvez meu momento se perca. Concentro.
Mas o dia termina e somos forçados a essa nossa rotineira hibernação, esse
desperdício consentido, essa entrega ao abandono, nossa perda diária de lucidez
enquanto dormimos e vivemos sonhos impossíveis que nunca acabam porque sempre
interrompidos por esse alarme e pelo cheiro de café que invade as frestas da
minha janela. Não durmo.
Resisto a esse exílio noturno. Quero estar viva, ficar alerta, olhos bem
abertos, todas as cores ali. Tudo.
Não quero que minhas pequenas dores acordem, faça silêncio, respeite essa minha
vontade. Descanse.
Eu fico atenta, zelando por esses nossos preciosos minutos. Segundos. Eu quero
todos.
[ Aniversariante do Dia ]
É maravilhoso acessar o seu blog nesse dia tão especial.
É maravilhoso poder conhecer mais um pouquinho de uma pessoa doce e amiga. Uma
mulher apaixonante cheia de borboletas no estômago, de magia em torno do corpo
e poesia na alma.
É maravilhoso ter a certeza de que há pessoas fantásticas
como você habitando o planeta.
É maravilhoso poder te escrever e-inteiros e comentários.
Mas, com certeza, é melhor ainda te ler.
É maravilhoso acreditar que a nossa amizade só tende a
crescer e se fortificar.
E é maravilhoso desejar toda a felicidade e o amor do mundo
para uma pessoa que novamente verá o mar.
Parabéns Paty!
[ Recado Direcionado ]
Obrigada pelo post-poesia. Mais outra surpresa! ;o)
Musa
Louca
12:24:37. Vai
me condenar? [20]
[ Um dia Sozinha ]
Será que é querer demais
Que todos os dias sejam assim
Como aqueles em que você, perto de mim,
Mostrou-me um mundo diferente,
Em que eu não desejava mais
Nunca mais tê-lo ausente?
Viver sem você não é nada
Além um eterno inconveniente
De querer desviar da estrada
Para viver no seu mundo somente.
Não sei se sou inconseqüente,
Mas eu não seria eu, enfim,
Se de mim mesmo eu não quisesse o fim,
Para com você começar novamente.
No Rain - Blind Melon.
Musa
Louca
16:51:54. Vai
me condenar? [23]
Yemanjá, cujo nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe
cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá
estabelecida outrora na região onde passa o rio Yemanjá, e obrigada a emigrar
para o oeste, por causa da guerra entre nações.
Yemanjá teria sido filha de Olokun, deusa do mar. Seu Axé
é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de
porcelana azul. Considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma
matrona , de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.
Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada
Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas
do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, é no
dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada
com Oxun, que se organiza um solene presente para Yemanjá. O que mostra que o
sincretismo não é de uma rigidez absoluta.
A festa do dia 2 de fevereiro, uma das mais populares do
ano, atrai à praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis, que vêm
trazer presentes para a Rainha do Mar. Flores, perfumes e outros presentes
agradáveis à uma mulher bonita, além de pedidos e súplicas, enchem as cestas,
que são levadas por embarcações para alto mar, onde são depositadas sobre as
ondas. Levei três rosas para ela. Uma vermelha (amor). Uma amarela (prosperidade). Uma branca (paz).
E é por isso que todo o dia 2 ao redor da minha
casa vira um inferno. Uma multidão de gente ao redor do meu canto. Carros-trios-elétricos fazendo a maior bagunça. Ou o povo a pé, em busca de diversão nas barracas. Algumas são para vender bebidas e comidas típicas
(durante o dia e noite afora). A cada ano a festa está mais organizada. Shows são
preparados por todo bairro. Tanto para as patricinhas e mauricinhos, como para
os "cults". Se é que podemos chamar de "cults" quem curte Márcio Mello!
O dia 2 foi um dia especial para mim por um único motivo. O meu pai está aqui.
Veio para uma audiência contra a empresa que ele trabalhava. E passou toda à
noite ao meu lado. Conversamos. Rimos. E dei muitos beijos e abraços nele. Enquanto víamos subir e descer um mar de gente pelas ruas e ladeiras onde moro. Ah,
estou louca para o amanhã chegar. Vê-lo de novo e tentar nadar contra toda a
oceânica saudade que há no meu peito.
"É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô mareia, é água no mar
É água no mar é maré cheia ô mareia ô mareia
Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar
Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar
Era um peito só cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa era só
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas de Iemanjá
E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder
chegar
Adeus amor, adeus meu amor não me espere porque eu já vou me
embora
Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pro veleiro
Adeus meu amor eu não vou mais voltar
Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou
Foi beira-mar ê, foi beira-mar" - Conto de Areia, adoro na voz de Clara Nunes.
Musa
Louca
23:10:56. Vai
me condenar? [16]



